Avaliação: VW Up Xtreme combina dirigibilidade e eficiência

Nova versão topo de linha da família agrada em cheio quem busca mais do que um carro econômico

A linha 2020 do VW Up foi reduzida para apenas três versões e, agora, é composta pelas MPI (R$ 49.590), Connect 170 TSI (R$ 54.890) e a avaliada topo de linha Xtreme (R$ 56.890). Essa nova configuração tirou de cena o Cross up! e, seguindo os passos do antecessor, exibe a mesma pegada inspirada no fora de estrada, com rack de teto, apliques plásticos na carroceria, acabamentos em preto brilhante no para-choque frontal, na capa dos retrovisores e na tampa do porta-malas, faróis com máscara negra e adesivos alusivos à versão nas laterais. 

De série, entre os itens, oferece sensor de estacionamento, faróis com luz de condução diurna (DRL), sistema de som “Composition Phone” com quatro alto-falantes e dois tweeters (falantes de agudo), volante multifuncional com coluna regulável em altura, alerta de frenagem de emergência e controle de tração. O único opcional passou a ser a pintura metálica (R$ 1.570).   

Por dentro, o up! Xtreme preserva as conhecidas qualidades e falhas. Entre as falhas estão os vidros elétricos disponíveis apenas nas portas dianteiras, a saída de ar sobre o painel e o porta-malas de 285 litros – é menor comparado ao do Renault Kwid (290 litros). Os bancos acomodam muito bem o corpo, enquanto o quadro de instrumentos com três mostradores facilita a leitura. Há isofix para fixação de bancos infantis e três encostos de cabeça traseiros – o cinto é abdominal para o quinto ocupante. Embora seja homologado para cinco passageiros, apenas quatro viajam confortavelmente. 

Mais que o visual limpo, desenhado pelo brasileiro Marco Antonio Pavone (designer do VW Polo), e o habitáculo bem construído, o Up exalta a eficiente engenharia alemã. Feito sobre a plataforma PQ12 (a mesma do Seat Mii e do Škoda Citigo), ele se destaca onde os olhos não veem, mas o corpo (e o bolso) sentem. Ou seja, na dirigibilidade precisa e no baixíssimo consumo de combustível. 

Rápido no gatilho

O motor tricilíndrico 1.0 da família EA211 combina turbocompressor e injeção direta de combustível com pressão de trabalho de 220 bar. Outras particularidades estão no duplo comando de válvulas variável (admissão e escape) e no duplo circuito de arrefecimento, no intercooler ar/água integrado ao coletor de admissão e na válvula Wastegate com controle eletrônico para permitir um melhor gerenciamento do motor. 

Ao volante, é um jatinho executivo com relação peso x potência de 9,06 kg/cv devido aos 951 kg e até 105 cv de potência, quando abastecido com etanol. As reações são rápidas e, pouco acima das 1.000 rpm, já é possível sentir o turbocompressor cheio e pronto para o ataque. O sistema trabalha com um 1 bar de pressão e rende um comportamento de esportivo disfarçado. 

Esse fôlego também resulta em mínimas mudanças de marchas. Vindo de terceira marcha e ao encarar uma lombada ou valeta, por exemplo, não é preciso baixar uma marcha para retomar a velocidade. O 1.0 turbinado também possibilita andar em quinta marcha a 40 km/h sem demonstrar nenhuma falta de ânimo. Já ao afundar o pé no pedal do acelerador, com o ponteiro do conta-giros em 2.500 rpm, o Up Xtreme arranca como gente grande transmitindo muito vigor. A caixa MQ200 é manual de cinco marchas, com engates que abusam da leveza e da precisão. 

Não só impressiona pela capacidade de caminhar para frente, como também pelo consumo de combustível. Esse VW não compartilha do pensamento: “cavalo que anda, é cavalo que bebe”. Dirigindo-o tranquilamente é possível cravar médias superiores aos 18 km/l na cidade (trânsito livre) e superior a 22 km/h na estrada. Seja nos trajetos urbanos ou nos rodoviários, o Up agrada pela calibração da suspensão firme na medida certa. É equilibrado e rápido nas curvas por conta do entre-eixos curto. As rodas de 15” vestem pneus de medidas 185/60R15. Entretanto, a direção assistida eletricamente é ligeiramente pesada em baixas velocidades, como nas manobras. 

O Up Xtreme pode cobrar mais de R$ 50.000 pela tecnologia. É um carro gostoso de dirigir sim, mas não vamos esquecer do Fox Xtreme, que custa R$ 56.690 e oferece maior espaço interno – o  porta-malas é de 270 litros. O motor pode não ser ágil quanto o do Up, mas o 1.6 aspirado (da família EA111) entrega suficientes 101 cv (g) e 104 cv (e). Assim como o Up, o Fox Xtreme também utiliza transmissão manual de cinco velocidades. 


FICHA TÉCNICA

VW Up Xtreme 170 TSI  
Preço básico: R$ 56.890
Carro avaliado: R$ 58.460
Motor: três cilindros em linha 1.0,12V, injeção direta, turbo
Cilindrada: 999 cm3
Combustível: flex
Potência: 101 cv (g) e 105 cv (e) a 5.000 rpm
Torque: 16,8 kgfm a 1.500 rpm (g/e)
Câmbio: Manual, cinco marchas
Direção: elétrica
Suspensão: MacPherson (d) e eixo de torção (t)
Freios: Discos ventilados (d) e tambor (t)
Tração: Dianteira
Dimensões: 3,689 m (c), 1,645 m (l), 1,504 m (a)
Entre-eixos: 2,421 m
Pneus: 185/60 R15
Porta-malas: 285 litros
Tanque: 50 litros
Peso: 1.003 kg
0-100 km/h: 9s5 (g) e 9s3 (e)
Velocidade máxima: 181 km/h (g) e 183 km/h (e)
Consumo cidade: 13,7 km/l (g) e 9,5 km/l (e)
Consumo estrada: 14,7 km/l (g) e 10,4 km/l (e)
Emissão de CO2: 93 g/km
Nota do Inmetro: B
Classificação na categoria: B (sub compacto)