Quando o primeiro Ford Territory foi lançado no Brasil, em 2020, não enganou ninguém: ele não passava de um SUV chinês da então desconhecida Jiangling Motors com o oval da marca americana. Um típico “rebadge”.

Aquele Territory tinha motor 1.5 turbo fraco para seu porte, câmbio CVT mal calibrado, porta-malas de hatch (348 litros), design interno questionável, dirigibilidade e dinâmica de carro chinês não amadurecido e design que não conversava com nenhum dos Ford da época. Nós o reprovamos. Depois disso, a coisa mudou de figura.

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Ford Territory 2026 traseira
Ford Territory 2026 (foto: Flávio Silveira)

Transformação de corpo e alma

De 2020 para cá, a evolução dos carros chineses foi grande, de modo geral, movida em boa parte pelas críticas, e o SUV médio da Ford se transformou quase por completo.

No fim de 2023, o Ford Territory seguiu essa evolução e ganhou uma nova calibração do motor, que ficou mais forte e potente, melhorando o desempenho, um câmbio de dupla embreagem e um interior mais moderno. Resolveu a questão mecânica e, em parte, a dinâmica, mas continuou com um design externo fora do padrão Ford.

Ford Territory 2026 perfil lateral
Ford Territory 2026 (foto: Flávio Silveira)

Em julho passado, enfim a transformação de corpo e alma foi concluída. Embora a origem continue sendo chinesa, o Ford Territory enfim tem cara e coração de Ford, e passou a ser um modelo mais competitivo no segmento.

Mas, calma aí: isso para quem não faz questão de eletrificação, pois o utilitário é 100% a gasolina, enquanto a maioria dos rivais nesta faixa de preços — tabelado R$ 220 mil, mas sendo vendido a R$ 200 mil — são híbridos de sucesso como BYD Song Pro PHEV flex, GWM H6 HEV, Geely EX5 EM-i (leia avaliação) e Jaecoo 7 (leia avaliação).

Já flagrado em testes no Brasil, o novo Ford Territory híbrido plug-in resolverá o problema da eletrificação, mas seu sucesso dependerá, claro, de quando vai chegar a linha 2027, de como ele será calibrado e, principalmente, de seu preço.

Ford Territory 2026 frente
Ford Territory 2026 (foto: Flávio Silveira)

Tamanho chinês

Mas sabemos bem que nem todos os consumidores estão preparados para a eletrificação ou fazem um uso que compense o investimento e os riscos extras da mecânica mais complicada e da manutenção geralmente mais cara dos PHEVs e HEVs.

Ford Territory 2026 dianteira
Ford Territory 2026 (foto: Flávio Silveira)

Saindo da questão de mecânica e design, vamos ao porte: assim você já deve ter notado que modelos como GWM Haval H6, BYD Song Plus e Jetour S06 (leia avaliação) costumam ser um pouco mais largos do que a média.

Os chineses valorizam muito o espaço e têm ruas e avenidas sempre largas e bem planejadas, então seus carros são grandes. Assim, sem contar os retrovisores, muitos ficam na faixa de 1,90 metro de largura, ou até superam, no caso do Jetour.

Ford Territory 2026 traseira
Ford Territory 2026 (foto: Flávio Silveira)

O Ford Territory é ainda maior: tem 1,935 metro de largura sem retrovisores, ou 2,177 metros com eles. Isso, em cidades grandes com ruas e faixas estreitas como São Paulo, exige um pouco mais de cuidado com as motos — que insistem em passar por qualquer vão — e para entrar/estacionar em garagens como a do meu prédio.

Ford Territory 2026 espaço traseiro

Isso se reflete, obviamente, na amplitude interna: quem viaja no banco traseiro tem muito espaço para as pernas, além de três pessoas viajarem com muito conforto — não só pela boa largura (dá para levar duas cadeirinhas infantis e um adulto), mas também por causa do assoalho praticamente plano e do bom espaço para a cabeça.

Ford Territory 2026 porta-malas
Ford Territory 2026 (foto: Flávio Silveira)

O porta-malas não é o maior da categoria, mas acomoda suficientes 448 litros até a cobertura, chegando a mais de 1.400 litros com o rebatimento do banco traseiro (60/40). E um detalhe importante: diferentemente de muitos híbridos, ele tem estepe.

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Chique e completo

Para completar a boa experiência a bordo, há um teto panorâmico enorme com abertura ampla e uma cortina elétrica grossa, que segura luz e calor, se desejado.

Ford Territory 2026 painel aberto
Ford Territory 2026 (foto: Flávio Silveira)

De modo geral, o acabamento é muito bom, com todas as superfícies emborrachadas e montagem exemplar, assim como o isolamento acústico — há muita borracha vedando as portas, e o único ruído que se ouve é das suspensões trabalhando, embora em um nível totalmente dentro do normal.

Ford Territory 2026
Ford Territory 2026 (foto: Flávio Silveira)

A largura também permite ter um console enorme entre os bancos dianteiros, elétricos para motorista e passageiro, com aquecimento e refrigeração. Neste console, há porta-copos e/ou objetos (a divisória é ajustável) e diversos comandos do carro.

Ford Territory 2026 controles console central
Ford Territory 2026 (foto: Flávio Silveira)

Na lista de equipamentos, não falta quase nada. Poderia ter head-up display e outros mimos extras, mas já tem tudo que é mais “necessário” (e falta em alguns rivais), como retrovisor interno eletrocrômico, fechamento global de portas, vidros e teto solar, partida remota, luzes ambiente em LED, câmera 360 graus, farol alto automático, ar-condicionado automático dual, carregador por indução, multimídia de 12.3”, freio de estacionamento elétrico, função auto-hold, sensor de chuva, tampa do porta-malas motorizada com sensor de presença (passe o pé para abrir), comandos de voz, oito alto-falantes, controles e localização por aplicativo e muito mais.

Ford Territory 2026
Ford Territory 2026 (foto: Flávio Silveira)

Ainda há pacote ADAS com piloto automático adaptativo com “Stop & Go”, alertas de colisão frontal e traseiro com frenagem autônoma de emergência, monitor de ponto cego com alerta de tráfego cruzado e auxílio de permanência e centralização na faixa.

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Usabilidade melhorada

Se o primeiro Ford Territory, como muitos modelos chineses atuais, sofria com a falta de botões físicos, concentrando funções demais na tela, o novo evoluiu nisso também: no console, há atalhos para funções do som, entre outros, e, mais acima, para ajustar rápido o ar-condicionado.

Ford Territory 2026 comando de volume
Ford Territory 2026 (foto: Flávio Silveira)

Há também comandos no volante claros para ACC, computador de bordo e som, além de um botão personalizável, e também comandos de verdade para abertura tanto do porta-malas quanto do teto, evitando complicações desnecessárias.

Ford Territory 2026
Ford Territory 2026 (foto: Flávio Silveira)

O design do painel é bastante atraente, com o quadro de instrumentos sem muitas opções de personalização, mas que forma uma bela peça integrada à tela central.

Ford Territory 2026
Ford Territory 2026 (foto: Flávio Silveira)

Conquista progressiva 

Dirigir o Ford Territory não chega a ser uma experiência emocionante, e de fato prazer ao volante não é a prioridade deste SUV para a família. O negócio dele claramente é o conforto a bordo e uma condução tranquila. Então, embora não conquiste imediatamente, seu conjunto maduro conquista com o tempo.

Ford Territory 2026 bancos dianteiros
Ford Territory 2026 (foto: Flávio Silveira)

Achar uma boa posição de guiar é fácil graças aos ajustes do banco do motorista e do volante bastante amplos, e os bancos com abas pronunciadas garantem conforto mesmo em viagens mais longas.

O motor 1.5 EcoBoost é turbinado e desenvolve 169 cv e 250 Nm (25,5 kgfm) de torque, mas tem um certo atraso ao “encher” a turbina. Para um carro na faixa de 1.700 quilos, não falta nem sobra. Fica “na medida”, com 0-100 km/h na faixa de 10,5 segundos. Curiosidade: ele é um motor de origem e DNA chinês, mas foi “adotado” pela Ford, aprimorado e ganhou o selo “EcoBoost” família Eco

Ford Territory 2026 console central
Ford Territory 2026 (foto: Flávio Silveira)

Já o câmbio automatizado de dupla embreagem com seletor giratório tem sete marchas e também demora um pouco a responder, ajudando na percepção de certa lentidão nas respostas. Também falta uma opção sequencial. Há apenas o L (Low ou reduzida), para atuar como freio motor em descida de serra, por exemplo.

Às vezes, principalmente com o motor frio, a transmissão também dá pequenos trancos, mas de modo geral a atuação é boa, priorizando a economia ou o desempenho, conforme o modo de condução — Normal, Eco, Esportivo ou Trilha (cada um tem sua cor específica: Normal é azul, Eco é verde, Esportivo é vermelho e Trilha é laranja).

Ford Territory 2026 acabamento
Ford Territory 2026 (foto: Flávio Silveira)

Na dirigibilidade talvez esteja a maior virtude: o Ford Territory se distanciou de sua origem chinesa e entrega um conjunto bem ocidentalizado. Claro que não é afiado como um Ford Focus, mas a proposta é outra, e a suspensão consegue ser muito confortável sem ser excessivamente macia.

Claro que não é, pela proposta, um carro para se abusar nas curvas. Ele não chega a enjoar os passageiros, mas sai de frente (subesterço) com certa facilidade em uma direção mais “esportiva”. E as rodas aro 19 dão beleza e proporção ao SUV, mas os pneus poderiam ter um pouco mais de borracha (são 235/50). A direção também não é muito direta, como esperado.

Ford Territory 2026 porta motorista
Ford Territory 2026 (foto: Flávio Silveira)

Já o consumo — o calcanhar de Aquiles diante dos rivais — ficou na faixa de 9 km/l na cidade e entre 12 e 13 km/l na estrada (120 km/h), enquanto os números oficiais do Inmetro indicam 8,8 km/l na cidade e 11,2 na estrada.

Na cidade, não chega perto do que vemos nos rivais híbridos (muitos ainda com a vantagem de terem modo 100% elétrico), mas o consumo rodoviário não é muito pior que o de alguns rivais híbridos em viagens longas, depois que a bateria se esgota (e o Ford tem a vantagem do desempenho mais previsível).

Ford Territory 2026
Ford Territory 2026 (foto: Flávio Silveira)

Conclusão

Se tivesse motorização híbrida pelos R$ 220 mil de tabela, ou até por R$ 250 mil, o Ford Territory daria trabalho para BYD, GWM e Omoda & Jaecoo. É um SUV meio chinês meio americano de primeira, com muito espaço e foco no conforto a bordo.

Mesmo sem isso, pelos R$ 200 mil promocionais, tem mais espaço que um Song Pro, tem suspensões e direção melhores que a maioria dos rivais conterrâneos, além de um estilo acertado e outras qualidades para conquistar quem ainda tem receio ou não faz questão de se eletrificar.

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FICHA TÉCNICA

Ford Territory Titanium 1.5 EcoBoost 2026

Preço básico: R$ 219.900
Carro avaliado: R$ 219.900 (promocionalmente a R$ 200.000)

Motor: dianteiro, transversal, quatro cilindros em linha, 16V, turbo, injeção direta Cilindrada: 1.499 cm³ Combustível: gasolina Potência: 169 cv a 5.500 rpm Torque: 250 Nm de 1.500 a 3.500 rpm Câmbio: automatizado, dupla embreagem banhada a óleo (DCT), sete marchas Direção: elétrica Suspensão: McPherson (d) e multilink (t) Freios: discos ventilados (d) e discos sólidos (t) Tração: dianteira Dimensões: 4,685 m (c), 1,935 m (l), 1,706 m (a) Entre-eixos: 2,726 m Pneus: 235/50 R19 Porta-malas: 448 litros Tanque: 60 litros Peso: 1.705 kg 0-100 km/h: não divulgado Velocidade máxima: 180 km/h (limitada) Consumo (Inmetro) cidade: 8,8 km/l (g) Consumo estrada: 11,2 km/l (g) 

Ford Territory 2026 carregador
Ford Territory 2026 (foto: Flávio Silveira)

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