Avaliamos a nova Ford Ranger Flex

Depois de avaliar a Ford Ranger 2017 Limited a diesel, é hora de ver como ficou o resto da linha da picape. Nas versões turbodiesel, as configurações XLS 3.2 automática e XLT 3.2 manual foram aposentadas. Com esse combustível, a Ranger agora tem opções com os já conhecidos motores 2.2 de 160 cv (10 cv a mais que antes) nas opções XLS manual (R$ 129.900) ou automática (R$ 142.900), ambas de seis marchas, ou 3.2 de 200 cv nas versões XLT (R$ 166.900) e Limited (R$ 179.900), essas sempre automáticas. Mas aqui vamos focar nas novas Ranger Flex, que receberam exatamente as mesmas atualizações visuais externas (grade, faróis e para-choque) e internas (painel) das versões a diesel.

Há hoje no mercado nacional poucas picapes médias abaixo de R$ 100 mil – sem contar as novidades médio-compactas Fiat Toro e Renault Oroch. No caso da Ranger, fica abaixo dessa faixa só a versão XLS (R$ 99.500, sem parte das novidades, como o painel configurável). A XLT avaliada sai por R$ 109.500 – R$ 7.600 a mais que antes. O aumento se justifica pela adição de itens como a central Sync mais completa e os sete airbags – além da direção elétrica, do controle de estabilidade e do isofix, de série agora em todas as versões. Já a configuração Sport, com cabine simples, foi eliminada.

Esse primeiro contato foi rápido. Só pudemos dirigir o modelo flex por 12 km, mas foi o suficiente para ver que ao volante pouco mudou. Os engates da transmissão manual continuam duros, assim como as suspensões (bastante, por sinal). A embreagem segue pesada e, como em todas as picaponas com motor 4 cilindros e flex, o desempenho é fraco e o consumo, alto. Além disso, uma sexta marcha faz bastante falta, pois a 100 km/h o motor 2.5 de 173 cv já roda na faixa de 3.000 rpm. A única melhoria de fato notável está na direção elétrica, que ficou bastante leve em manobras e, ao mesmo tempo, muito correta na estrada. Já o interior é completo, com bancos e volante em couro e uma boa lista de equipamentos – muito similar à da Limited, mas sem os itens mais sofisticados, como sensor de chuva, farol alto automático, rodas aro 18 e recursos de direção semi-autônoma.

A questão é: vale a pena gastar R$ 109.500 na Flex XLT ou é melhor investir R$ 126.900 na XLS 2.2 a diesel? Você abre mão de equipamentos, sim, mas ganha a tração 4×4 e um motor mais econômico. E, não se engane, apesar de menos potente, a unidade a diesel tem mais força, e garante desempenho superior. Para completar, a Ford continua devendo uma Ranger Flex automática e/ou 4×4 (só a Toyota Hilux costuma ter; a dessa nova geração chega em breve). No fim, com desempenho tímido, pouca capacidade off-road e câmbio manual, essa Ranger Flex acaba limitando bastante seus potenciais clientes. Ainda mais com opções por aí como a Fiat Toro 4×4 a diesel – vendida por R$ 103.650 com câmbio manual ou R$ 118.480 com o automático de nove.

FICHA TÉCNICA

Ford Ranger 2.5 Flex CD XLT
Preço básico: R$ 99.500
Carro avaliado: R$ 109.500
Motor: 4 cilindros em linha 2.5, 16V, DOHC
Cilindrada: 2488 cm3
Combustível: flex
Potência: 168 cv a 5.500 rpm (g) e 173 cv a 5.500 rpm (e)
Torque: 24,2 kgfm a 4.500 rpm (g) e 24,9 kgfm a 4.500 rpm (e)
Câmbio: manual, cinco marchas
Direção: elétrica
Suspensão: duplo triângulo (d) e eixo rígido com feixe de molas (t)
Freios: disco ventilado (d) e tambor (t)
Tração: traseira
Dimensões: 5,354 m (c), 1,860 m (l), 1,821 m (a)
Entre-eixos: 3,220 m
Pneus: 265/65 R17
Caçamba: 1.180 litros
Tanque: 80 litros
Peso: 1.945 kg
0-100 km/h: 14s0 (teste MOTOR SHOW)
Velocidade máxima: 150 km/h (estimada)
Consumo cidade: não divulgado
Consumo estrada: 9,0 km/l (durante avaliação)
Emissão de CO2: SEM DADOS
Com etanol: ZERO
Nota do Inmetro: não participa

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