Aventura: Rodamos 700 km de 4×4 pelo Jalapão

Visitamos um dos cenários mais belos e inexplorados do Brasil a bordo dos Jeep Compass e Renegade. Uma aventura que poucos SUVs podem proporcionar

47164

Mais de 500 km de estradas, basicamente de areia – ora misturada com terra, ora com cascalho e pedras maiores, daquelas que cortam pneus e furam o cárter (as duas coisas aconteceram, por imperícia). Pequenos riachos pra cruzar e muita poeira. Muita mesmo. Poeira fina, pior que neblina, daquelas que, com um carro à frente, não te deixa ver 5 metros adiante. Off-road? Teoricamente não. São as rodovias do Tocantins que levam ao Jalapão, um “fim de mundo” no meio do Cerrado. Uma aventura na qual ter tração 4×4 é quase obrigatório.

A recompensa? Depende. Para muitos é a própria viagem – em nosso caso, ao volante do “Jeep-inho” Renegade e de seu irmão Compass. Ambos nacionais, ambos com motor 2.0 turbodiesel, câmbio automático de nove marchas e tração 4×4 com seletor de terreno. Para outros – e para todos, na verdade –, a natureza deslumbrante do Jalapão, os cenários selvagens da desconhecida região.

O ponto de partida é Palmas, capital do Estado. Uma cidade planejada, com avenidas amplas ligadas por rotatórias e praias de rio nas proximidades. É bom sair cedo, pois até Mateiros – vilarejo que fica no coração do Jalapão e base ideal para explorar a região – são cerca de 350 km pelo norte do Parque Estadual. Parece pouco, mas, dadas as condições das estradas, o ritmo é lento: na areia/terra as médias não passam dos 40 km/h.

O asfalto começa muito bom e o Compass segue estável e silencioso pelas curvas suaves da TO-010, cortando a pequena Serra do Lajeado (sem nem sentir as subidas, graças ao bom torque), e depois pela TO-020 até a cidadezinha de Novo Acordo. Lá há um posto de combustível – e no Jalapão é bom abastecer sempre, ainda que esteja em modelos econômicos como esses Jeep (nosso Compass fez ótimos 13,5 km/l no primeiro trecho).

Já de tanque cheio, é hora de encarar os primeiros 150 km de areia, terra e cascalho até São Félix do Tocantins, um bom lugar para fazer o almoço. O Cerrado é muito árido, ainda mais na época de seca. A paisagem é dominada por árvores baixas e retorcidas, mas tem belas formações rochosas sedimentares e Veredas – regiões à margem de rios onde a água torna a vegetação mais exuberante, onde crescem os famosos Buritis (palmeira).

Nos trechos de areia mais fofa – alguns deles aparecem totalmente de surpresa, e muitas vezes são bastante longos – o selec-terrain no modo Sand (areia) segura as trocas de marchas, mantém a rotação alta e deixa o acelerador mais sensível e a turbina sempre cheia. Dá para sentir o Jeep “organizando” a tração, superado tudo com facilidade. O negócio é nunca parar. A reduzida – na verdade a primeira das nove marchas, normalmente não é usada – quase nem foi necessária.

Saindo de São Félix pela TO-110, pulamos o Fervedouro Bela Vista e a Cachoeira do Prata e 57 km de poeira depois chegamos à bela Cachoeira do Formiga. Em meio à uma exuberante mata, tem queda pequena, mas a encantadora piscina natural de água azul-esverdeada (surpreendentemente quente) é ótima para nadar e refrescar do calor que, mesmo na época “amena” supera 40oC.

Mais 10 km e chegamos ao Fervedouro do Ceiça, uma incrível nascente em meio a bananeiras que forma um poço “sem fundo” de água azulada: ela brota com tanta pressão que é impossível afundar; tentando fazer isso, você começa a entrar em uma mistura de areia e água, mas é imediatamente “repelido” para a superfície. Uma experiência única.

Perto dali, vale a pena passar no povoado de Mumbuca, onde a Cooperativa das Artesãs do Capim Dourado produz de tudo com o capim da região e vende os produtos em uma lojinha com preços convidativos. Depois, são mais 33 km até Mateiros – os piores até então. Já à noite, seguimos em uma areia fofa que prega alguns sustos – porém, ninguém chega nem perto de atolar. Nesses trechos, o consumo cai bastante, para a faixa (ainda muito boa) de 8 ou 9 km/l.

A Pousada Santa Helena do Jalapão é uma boa opção em Mateiros. No dia seguinte, saímos cedo de volta a Palmas, agora pelo sul (TO-255). Seriam
305 km, mas com desvios para estradinhas menores e duas paradas dentro do Parque Estadual. A primeira, com 33 km, nas Dunas Douradas do Jalapão – exuberante formação com dunas e piscinas naturais onde vale passar o dia inteiro, mas um 4×4 é (literalmente) obrigatório para os 5 km entre a entrada e o estacionamento. A segunda, 90 km depois, na deliciosa Prainha do Rio Novo (para nadar) e na enorme Cachoeira da Velha (para ver).

Mais 242 km nos levam de volta a Palmas. Nosso ritmo foi acelerado – mais de doze horas entre volante e caminhadas em cada um dos dois dias. Se puder, vá com mais tempo. Há muito para ver. Uma experiência única que vai fazer seu SUV se sentir necessário. Mas não pode ser qualquer um. Precisa ser valente e ter tração 4×4. Precisa ser um SUV raiz.

blog comments powered by Disqus