Comparativos históricos (2010): Peugeot 207 Escapade x Fiat Palio Adventure Locker x Sandero Stepway x Livina X-Gear x CrossFox


Em suas versões convencionais, eles nem seriam comparáveis. Pelo menos nem todos. Peugeot 207 Escapade e Fiat Palio Adventure Locker são duas stations do mesmo porte, mas o Sandero Stepway é um hatch, o Livina X-Gear é quase uma minivan e o CrossFox é o que se convencionou chamar de jipinho compacto.

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O que coloca esses cinco modelos no mesmo balaio é a proposta de estilo aventureiro que todos compartilham, a vontade de ser diferente em meio ao trânsito e de, acima de tudo, transmitir uma imagem de jovialidade.

Os modelos com essa característica não param de chegar às lojas e até o novato Agile já ganhou seu “kit off-road”. Parece que o mundo inteiro resolveu acabar com o estresse fazendo trilha no fim de semana.

Mas não é bem assim: quem realmente gosta de curtir a vida fora do asfalto continua comprando seus jipes 4×4, sejam eles um Defender zerinho ou um Niva 1990.

Os modelos dessa foto vendem justamente o que não podem oferecer. Todo mundo sabe disso e gosta da ideia, mesmo sabendo que vão carregar mais peso à toa, que vão pagar um seguro mais caro e que seus carros terão mais desvalorização na revenda.

O que um dia pareceu uma moda passageira hoje virou aposta certa no mercado brasileiro.

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Discutir a capacidade desses modelos no off-road é chover no molhado, como se diz. Mas existem algumas circunstâncias nas quais esses carros diferenciados podem se redimir e provar que têm, sim, uma serventia prática.

Em nossas ruas cheias de lombadas, asfalto ruim, desníveis, buracos e, por vezes, trechos alagados, uma distância maior em relação ao solo, por exemplo, pode ser de grande ajuda.

Neste caso, a perua da Peugeot sai na frente, com seus 24 cm de vão livre, contra os 19 cm oferecidos por CrossFox e Palio Adventure, 18,5 cm do Sandero Stepway e 16,5 cm do Livina X-Gear, o único dos cinco que mantém a distância do modelo “convencional”, mas que, apesar disso, consegue passar ileso pela maior parte dos obstáculos.

É verdade! Pode não parecer, mas 16 cm é realmente um espaço muito bom. Para se ter uma ideia, uma Palio Weekend ELX tem 13 cm de distância do solo. Por aí dá para ver que o mais baixinho aqui já faz bonito em qualquer costela de vaca ou lombada.

Mas nem só a altura elevada garante uma passagem tranquila por um piso ruim. A suspensão é item fundamental e, no caso dos carros que foram elevados e que, portanto, tiveram seu centro de gravidade alterado, ela precisa ser retrabalhada para garantir estabilidade.

A solução? Reforçar o conjunto, o que acaba trazendo um ônus, o desconforto. Encontrar o equilíbrio perfeito entre os dois extremos é trabalho de mestre. Em geral, o que se faz é escolher um meio-termo razoável ou optar por um dos lados, considerando o uso mais efetivo em uma determinada condição.

A Palio Weekend Adventure – que, lá nos idos de 1999, inventou esse segmento – parecia ter encontrado a solução para isso ao adotar um amortecedor com mola interna, projetado pela Marelli (através da Cofap) justamente para diminuir a rolagem da carroceria sem prejudicar o conforto. Mas não adiantou muito.

O modelo ainda inclina demais (o pior de todos nesse quesito) e não faz curvas com competência, apesar de ir bem no off-road leve – inclusive pela adoção dos pneus de uso misto, que limitam a perda de aderência, e pelo diferencial blocante, que ajuda em situações extremas e específicas.

O melhor acerto é o do CrossFox, seguido de perto pelo Escapade. Na cidade, fazem curvas sem soltar demasiadamente a carroceria e, nas estradas de terra, enfrentam os obstáculos com valentia, sempre com um nível aceitável de conforto (maior no VW, é verdade).

O Livina, único que manteve a suspensão original, vai bem nas curvas e garante conforto nas oscilações do piso, mas é prejudicado em condições de baixa aderência por não contar com o pneu de uso misto como os rivais. Já o Sandero aderna mais que o esperado no asfalto, apesar do acerto firme da suspensão.

Entre os cinco concorrentes, quatro têm motores 1.6. O modelo da Peugeot, além de ser o mais potente (113/110 cv com etanol e gasolina, respectivamente), tem câmbio bem escalonado e apresenta retomadas de velocidade bastante boas para um 16V, mas cobra a conta no consumo.

Já o Sandero, com seus 112/107 cv e relação peso/ potência menor que a do Peugeot, tem câmbio um tanto mais longo e não é tão ágil para recuperar o fôlego, mas é mais econômico. Livina (108/104 cv) e Crossfox (104/101 cv), apesar de menos potentes, garantem boa dirigibilidade e andam juntos com os rivais (com vantagem para o Nissan), tendo o bônus das boas médias de consumo.

Apesar do menor preço básico (R$ 42.750), o Sandero oferece apenas direção hidráulica. Para ter o ar-condicionado, os vidros elétricos dianteiros e traseiros e a trava elétrica (o mínimo para quem compra esse tipo de carro), você desembolsará R$ 47.910. Um valor alto para o acabamento que oferece.

Por ser um carro projetado para ter baixo custo, ele é nitidamente mais empobrecido quando comparado ao rival. O Peugeot Escapade, por outro lado, por R$ 45.100 vem com todos os itens acima.

A tabela de opcionais se restringe a airbag duplo e ABS, vendidos por R$ 3.000. Sem dúvida uma das melhores relações custo/ benefício, ao lado do CrossFox, por R$ 45.550 com a direção hidráulica. Com ar-condicionado e trio elétrico, passa para R$ 49.390, mas garante menor consumo e menos desvalorização. Livina e Palio Adventure Locker são os mais caros, custando R$ 51.700 e R$ 53.197, respectivamente – valores um tanto salgados.

As carrocerias são diferentes, mas os desempenhos e a proposta off-road (apenas no visual) unem estas ofertas, bem recebidas pelo consumidor

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