Bahia, aqui nasceu o Brasil

Claudio Larangeira

No litoral sul da Bahia, quase na divisa com o Espírito Santo, bem longe das cidades baianas mais badaladas, há um paraíso muito pouco explorado turisticamente. A diversidade de paisagens é incrível: de praias rasas com águas esverdeadas e mornas a falésias com uma infinidade de cores, passando por areias pretas, recifes que formam piscinas na maré baixa e rios com águas límpidas e geladas. Para completar, quando encontramos as poucas pessoas que vivem na região, logo notamos como elas são simples, tranquilas e hospitaleiras. Contam alguns historiadores, baseados nos diários de bordo, que a esquadra de Pedro Álvares Cabral esteve na região antes de aportar em Porto Seguro. Desembarcaram na foz do rio Cahy, para abastecer a frota de água potável, fazendo aí o primeiro contato com indígenas nativos. De certa forma, foi onde nasceu nosso Brasil.

COMO CHEGAR
Quem chega à Bahia vindo do sul deve seguir pela BR-101 até Teixeira de Freitas. Essa cidade é a maior base de apoio de toda a região. Possui todos os principais bancos, oficinas, concessionárias, mercados… Por isso, é importante sair de lá e seguir para o litoral apenas quando tiver certeza de que seu veículo está em perfeito estado – e que você tem dinheiro em espécie na carteira. Na maioria das vilas e praias por onde se passa em nosso roteiro, são poucos os estabelecimentos que aceitam cartões de crédito ou débito.

Seguindo em direção ao litoral, a primeira cidade que se encontra pelo caminho é Alcobaça, de onde partem os barcos de excursão para visitas ao incrível Parque Nacional Marinho de Abrolhos. Além dos impressionantes recifes de corais, entre os meses de julho e outubro, é possível avistar por lá com certa facilidade as famosas baleias jubarte, que viajam mais de cinco mil quilômetros desde a gélida Antártida para acasalar e ter os filhotes nas águas mornas e mansas do belo litoral baiano.

O ROTEIRO
Saindo de Alcobaça em direção ao norte, a atração seguinte é a cidade de Prado, com sua animada vida noturna concentrada no Beco das Garrafas – um calçadão com lanchonetes, restaurantes e música ao vivo durante toda a noite. No Beco, o turista pode experimentar o melhor da comida baiana tradicional.

Ao sair de Prado, lembre-se que haverá poucos pontos de apoio para a frente. Nosso caminho segue para o norte, mas por trilhas de terra e areia. Para compensar o desafio, há praias maravilhosas, cenários exuberantes e mar de cor esverdeada, lembrando muito o Caribe. Na sequência, o caminho leva às praias do Farol, Paixão, Tororão, Areia Preta e também ao vilarejo de Cumuruxatiba. Não deixe de visitar Tororão, uma enseada com areia muito branca e uma cascata que cai diretamente na praia, e Areia Preta, um lugar onde as areias monazíticas (escuras) contrastam com as pedras amarelas e as falésias avermelhadas.

Cumuruxatiba, ou somente Cumuru, como dizem os locais, é uma vila com alguma estrutura: tem restaurantes, bares, pousadas e hotéis – além de um posto de gasolina. O local teve muito movimento nos anos 1950, devido à sua enorme jazida de areias monazíticas. Em função da mineração, foi construído um píer de quase mil metros mar adentro, para os caminhões chegarem até os grandes navios – japoneses na maioria, segundo contam os mais antigos moradores. Continuando no sentido norte, há a praia e a ponta do Moreira, com seus coqueiros e águas esverdeadas, a Barra do Cahy, local onde a esquadra de Cabral desembarcou pela primeira vez no Brasil, e, finalmente, a Ponta do Corumbau, um tranquilo vilarejo de pescadores numa ponta de areias brancas que, na maré baixa, avança 500 metros mar adentro. Atenção para o detalhe: corumbau, na língua dos índios pataxós, significa longe de tudo – o que dá uma bela noção de como o local é isolado.