Baixinho invocado

O roteiro foi o de sempre, típico desses encontros clandestinos: o navegador por GPS o leva por estradas secundárias, dezenas de quilômetros no meio do nada, até que se chega ao que parece ser uma área secreta de treinamento militar. Por discrição (e respeitando os contratos assinados), não posso ser mais específico: dá apenas para dizer que estou na Áustria, em meio a um monte de neve, 2.200 metros acima do nível do mar.

Mal estaciono meu carro e o GLA está lá, de porta aberta, motor ligado e sem camuflagem. É verdade que suas imagens oficiais já foram divulgadas, mas os fabricantes, até a apresentação e o test drive “reais”, não gostam de mostrar unidades “limpas”. Querem evitar que olhos – e câmeras – captem enfoques diferentes daqueles das fotos oficiais. Discutível ou não, nos resta entrar no carro e sentar no banco do passageiro (no traseiro, vejo que há amplo espaço para cabeça e pernas).

O engenheiro do departamento de pesquisa e desenvolvimento parte rapidamente. Quando percebo, estamos em uma pista bastante íngreme e sinuosa. Neve fresca, neve batida, há um pouco de tudo – e o GLA se move com maestria. Estamos em uma versão 250 4Matic, que sobe o morro sem dificuldade, graças à tração integral, que cumpre bem o seu dever. Com torque sob demanda, controlado por uma embreagem multidiscos ligada ao diferencial traseiro, as rodas posteriores entram em cena apenas quando necessário – e foram muito necessárias, garanto. Há também muita ajuda eletrônica: ao apertar um botão no console, ABS e ESP modificam sua atuação em função da baixa aderência e, nas descidas, o DSR (regulador de velocidade em descidas) faz o carro manter um ritmo constante, mesmo nas inclinações mais íngremes.

Apesar do design esportivo, com altura muito baixa para ser considerado um SUV, o GLA sabe muito bem como se virar em superfícies de pouca aderência. Nos poucos trechos nos quais ganhamos mais velocidade, deu a impressão de ser um carro ágil e fácil de manobrar. Em suma, na medida do que pude observar nessa rápida avaliação, essa “nova espécie” de utilitário esportivo parece não ter perdido a leveza de guiar característica do Classe A do qual ele deriva.

Antes da produção no Brasil, que se inicia em 2016, o modelo chega importado, provavelmente ainda no segundo semestre deste ano, com preço inicial na faixa dos R$ 135.000 – para a versão GLA 200, com motor 1.6 turbo de 156 cv e câmbio automatizado de sete marchas. Já esse GLA 250, de 211 cv, deve sair por uns R$ 180.000, e terá tração integral opcional. Em 2016, quando for produzido no Brasil, seu preço inicial pode até cair para baixo dos R$ 100.000.

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