Beleza americana

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Nos anos 80, o Cherokee nasceu e conquistou os Estados Unidos. O Jeep foi um pioneiro, um dos primeiros utilitários esportivos modernos. Agradou às famílias, tomou cidades e subúrbios – mesmo onde sua valentia era desnecessária. Foi ficando sofisticado e urbano. Mas terá perdido sua essência? É hora de ver o que quase 30 anos de história fi zeram ao “jipão”. Nada melhor que um desafio no Velho Oeste.

De São Francisco, Califórnia, até Barstow, no Deserto de Mojave, são quase 700 km. Dá para ir direto pela rodovia I-5, mas preferimos ir pelo litoral para dirigir na belíssima CA-1 rumo ao Big Sur até Paso Robles, depois para Barstow (mapa acima ). Uma outra opção é sair de Los Angeles: é mais perto, mas perde-se um belo passeio. Em Barstow, nasce a Interestadual 40, versão moderna da famosa Route 66, que hoje coincide ou segue paralelamente a ela. A Rota 66 era a principal estrada que cruzava o país, mas, quando o governo investiu nas rodoviais interestaduais, entrou em decadência. Hoje, onde se afasta da I-40, a estrada tem alguns trechos com vilarejos e atrações, outros com postos de gasolina e construções abandonadas (mas o asfalto sempre perfeito). Nesta área é conhecida como National Trails Highway, pois corre paralela a ferrovias. É comum dirigir acompanhando os trens.

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Na vastidão da Rota 66, o horizonte infinito e a sensação de liberdade

Pela Rota 66, cruzamos o deserto e a fronteira do Arizona até Oatman, cidade-fantasma e cenário de muitos fi lmes. De lá, seguimos pelas belas Black Mountains até Kingman, onde fi ca o Museu da Rota 66. Mais centenas de quilômetros de deserto e chegamos a Williams – de onde a sinuosa AZ-64 leva à entrada sul do Grand Canyon (a do norte fecha no inverno). Dentro do parque, há hotéis em Grand Canyon Village, mas o custo-benefício é melhor em Tusayan, a 15 minutos. Não deixe de guiar beirando o cânion e ver o nascer ou o pôr do sol.

Se o Grand Canyon é uma atração turística pop, não se pode dizer o mesmo do Death Valley, ou Vale da Morte, nosso próximo destino. Pegamos a mesma I-40, agora no sentido contrário, e aproveitamos para explorar mais a 66. Placas indicam os trechos históricos. Las Vegas, cidade dos Cassinos, fica no caminho e é uma parada opcional. Vale, no mínimo, para dormir. Tem hotéis bons e baratos. De Las Vegas, seguimos a N95 até Beatty, Nevada. É a “base” econômica para conhecer o Death Valley. Fica a meia hora de carro de uma das entradas do Parque Nacional. Não deixe de parar no quiosque na beira da estrada, pagar uma pequena taxa e pegar um mapa completo da região. Há hotel em Furnace Creek, mais perto das atrações, mas o preço é mais alto e ele costuma lotar (www.furnacecreekresort.com).

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No Vale da Morte, em um só dia, é possível ir de Badwater – uma planície de sal abaixo do nível do mar onde a temperatura no verão passa dos 50 graus – a picos nevados, passando por crateras, dunas e estranhas montanhas em Zabrinski Point. Nessas horas, um bom jipe faz a diferença. Além de estradas asfaltadas, há muitas trilhas off-road. Uma das melhores sai de perto de Beatty, onde se vê a placa Titus Canyon. Você dirige literalmente dentro de um cânion e, em alguns trechos, a pista tem pouco mais do que a largura do carro.

Deixamos o Vale da Morte pela CA-190, e seguimos ao norte. Depois de visitar o Mono Lake e a simpática Lone Pine, a CA-108 nos levaria até o Parque Nacional de Yosemite (o G no mapa), mas estava fechada pela neve. Tivemos que desviar por Lake Tahoe, mais ao norte, para voltar a São Francisco.

Nesses dez dias e quase cinco mil quilômetros, o Grand Cherokee garantiu o conforto de um sedã sem perder a valentia 4×4, característica bem marcada em seu DNA. Encarou, sem reclamar, neve, areia, pedras e trilhas. O pioneiro provou que ainda está em plena forma.

Hospedagem

Motel, nos EUA, é um hotel de beira de estrada. Com diárias a partir de US$ 40/60, são mais baratos que hotéis. O site www.booking.com, também em português, tem a maioria dos hotéis. É possível reservar no próprio dia, mas recomenda-se mais antecedência. Na última hora, há bons descontos, mas também o risco de não achar vaga.

Carro

Alugar um carro nos EUA não é caro. Um Grand Cherokee custa a partir de US$ 500 por semana com quilometragem livre. Sedãs são mais baratos. Hertz, Unidas, Alamo e National, entre outras, reservam pela internet. O site www.expedia.com reúne todas. Recomenda-se alugar um GPS.

Combustível

A gasolina é vendida por galão (3,78 litros), que custa na região, em média, US$ 3,80. Sempre encha o tanque, pois os postos são raros, principalmente no Death Valley.

Melhor época

Prefira viajar na primavera e no outono (de abril ao início de junho e de setembro ao fim de novembro). No ápice do verão, o Death Valley fica muito quente e, no inverno, a neve interdita estradas no Grand Canyon e em Yosemite.

Mais informações:

Site do Death Valley (inglês/espanhol): www.nps.gov/deva Site do Grand Canyon (inglês/espanhol): www.nps.gov/grca

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