Avaliação: Toyota Corolla GLi é o melhor carro que você pode comprar hoje com R$ 110 mil

O Toyota Corolla tem a combinação ideal de razão e emoção. Como carro familiar, menos que ele é pouco, mais pode ser exagero. Por R$ 110 mil, é a minha escolha

Toyota Corolla GLi

Para mim, o Toyota Corolla GLI é o melhor carro que você pode comprar hoje no Brasil. Nem demais, nem de menos. São R$ 110.190 após o último reajuste, este mês. Não é pouco, porque os carros no Brasil são caros mesmo, como sabemos: um hatch popular como o Chevrolet Onix, pensado para mercados emergentes como China e Brasil, vai de R$ 60 mil a R$ 80 mil. Mesmo o velho Gol, 1.0 com câmbio manual, com vidros elétricos e multimídia, sai por R$ 60 mil.

Com os R$ 110 mil cobrados Corolla GLI, você pode comprar também outros sedãs básicos, mas nenhum deles mostrará uma combinação tão boa de prazer ao volante, baixa desvalorização, confiabilidade mecânica e facilidade de revenda quanto ele. Ah, você pode levar um sedã menor, como o ótimo Virtus, na versão top, completinha… mas com motor 1.0 turbo, que anda menos, e um ou outro equipamento a mais, como os bancos de couro (tão ruim que eu prefiro o tecido do Corolla).

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Dá para comprar também um SUV compacto da moda, como o VW T-Cross 1.0, um Hyundai Creta 1.6 ou um Renegade 1.8. Pelo mesmo valor deste Corolla, ou até mais, andam menos, gastam mais e tem menos espaço na cabine e porta-malas que o sedã japonês. Mas, como dirão os fãs do segmento, você pode passar em uma lombada sem raspar o fundo, e se senta “mais altinho”.

Tudo bem, se é isso que importa para você, tudo bem, respeito seu gosto e sua opinião. Mas  eu não vejo vantagem. Já comparei aqui SUVs com sedãs, mais de uma vez. Em uma das vezes, o VW T-Cross topo de linha perdeu para o Honda Civic Touring. Prefiro levar um sedã com uma plataforma de segmento superior.

VW Golf? É o que chega mais perto do Corolla como “único carro que você precisa ter”. Mas, para mim, que tenho duas crianças, falta porta-malas. E, na verdade, já não temos mais o Golf por aqui, pelo menos por um tempo – voltamos à questão da modas dos SUVs, pois o T-Cross tomou seu lugar (mas, para mim, não se compara). E o Jetta, o sedã do Golf? É quase um Corolla da Volks. Mas o Corolla é melhor em ser Corolla.

O MAIS VENDIDO DO MUNDO

O Toyota Corolla não é o carro mais vendido do mundo por acaso. Ele é um carro tão com que era bom até quando era ruim. Com um arcaico câmbio de seis marchas, enquanto os rivais já tinha seis. Com motor aspirado, quando os concorrentes são turbo… Mesmo em desvantagem, ele sempre acabava agradando. Mesmo nas gerações anteriores a esta, com dirigibilidade bem sem sal, ele agradava ao consumidor e vendia muito bem, obrigado.

Falando em defeitos, esse GLI não tem uma cabine que impressione. O acabamento interno é bem simples, sem muito o que salte aos olhos – mas ao menos usa alguns materiais macios, cada vez mais raros entre os SUVs compactos, principalmente os de mesmo valor. E o design melhorou em relação à geração anterior, mas não tem nada de inovador ou especialmente bonito. Mas há seis airbags e segurança com 5 estrelas no Latin NCAP, o que é mais importante.

Este Toyota Corolla GLi é um carro sem “frescuras”. O painel não é digital, o ar-condicionado tem ajuste manual (gosto do automático, mas ao colocar tudo na balança…) e uns botões bem vagabundos (acima), não há piloto automático (não gosto mesmo de usar) ou freio de mão elétrico.

Mas os bancos de tecido com couro sintético nos cantos agradam mais que muito “couro” por aí e a central multimídia é feinha na apresentação (tela e interface), mas tem o que precisa. O painel também é simples, mas tem uma tela multifunção boa, e o ajuste do volante em profundidade é satisfatório.

COROLLA COM SAL

A nova geração do Toyota Corolla merece pontos extras por entregar o que não se via no sedã faz tempo: prazer ao volante. Esqueça o Corolla sem sal, apelidado jocosamente de “vovôrolla”. A boa dirigibilidade pelo garantida pelo novo motor 2.0 com até 177 cv – não usa turbo, mas funciona no ciclo Atkinson e é combinado a uma transmissão moderna, o melhor CVT do mercado, com uma primeira marcha “verdadeira” e mais nove simuladas.

Faltam, neste GLi, aletas para troca de marcha no volante, e, para piorar, a troca é feita na do jeito “contrário” (uma eterna polêmica): reduza para trás, aumenta para frente. Ainda assim, as dez marchas, sempre simuladas – e não só quando se coloca no modo manual, como em alguns modelos –, ajudam a tirar a monotonia típica dos CVT e cooperam para uma pegada mais esportiva do que nos “vovôrollas” anteriores.

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O legal é que, quando se coloca no modo manual, as marchas escolhidas são respeitadas: se você opta pela décima marcha e a 120 km/h resolve fazer uma retomada, ele respeita a marcha selecionada por você, mesmo que isso prejudique o desempenho. Na mesma situação, em D, o sedã responde com um vigor surpreendente. Não há lag de resposta do motor, já que ele é aspirado, e, se quiser agilizar mais ainda, não é preciso esperar para o câmbio ficar “no ponto”.

Outro destaque está nas suspensões, que sempre foram muito robustas. Continuam sendo, e, apesar de não serem exatamente as mais macias (alguns solavancos passam ao habitáculo), trabalham silenciosamente e agora, com sistema multibraços no lugar do eixo de torção, permitem ao sedã encarar as curvas com muito mais segurança (e muito melhor que qualquer SUV compacto).

Toyota Corolla GLi

COM RAZÃO

O Toyota Corolla GLi faz tudo isso com consumo menor do que o visto em qualquer SUVs compactos que custam os mesmos R$ 110 mil, mas andam menos, tem menos espaço, etc… como o Nissan Kicks, o T-Cross 1.0… ou até mesmo o mais econômico de todos eles, o novo Tracker 1.0 –  com quem o Corolla praticamente empata em consumo, mas oferecendo 61 cv a mais potência e quase 5 kgfm a mais de torque.

Na semana em que fiquei com o carro, andei pouco na cidade – onde, com etanol no tanque e trânsito pesado, marcou 7 km/l. Já na estrada, andando a 120 km/h, ele segue a baixas 2.000 rpm, bastante silencioso. Nas longas subidas da Rodovia dos Bandeirantes, com pé leve, ele só precisa subir as rotações a 3.000 rpm para manter essa velocidade. Média: 12,4 km/l, também com etanol.

CONCLUSÃO

No fim, o Toyota Corolla GLI é um carro correto, com uma relação custo-benefício muito boa em sua faixa de preços – na verdade, sem igual. Ele entrega tudo muito bem, racionalmente, e é confiável. Faz tudo corretamente, sem se destacar absurdamente em nada. Tem tudo o que você de fato pode precisar em um carro, para usar na cidade e na estrada (se não precisa encarar off-road).

Se para você dinheiro não é uma questão, e consumo é mais importante que desempenho, o Corolla Hybrid é uma opção com muitas vantagens (e poucas desvantagens) em relação a essa. Se você não tem “bala” para chegar o R$ 140.690 do híbrido, este aqui não é tão econômico, mas é mais divertido – e pode vir mais equipado nas versões XEi (R$ 11.500 a mais) e Altis (R$ 30.500 extras). Mas, pelos R$ 110 mil do título, essa ainda é, para mim, a melhor compra do mercado.

Toyota Corolla GLi

FICHA TÉCNICA

TOYOTA COROLLA

Preço básico: R$ 110.190
Carro avaliado: R$ 110.190

Toyota Corolla GLi 2.0 Dynamic Force

Motor: quatro cilindros em linha 2.0, 16V, duplo comando continuamente variável, injeção direta e indireta, ciclo Atkinson
Cilindrada: 1987 cm3
Combustível: flex
Potência: 169 cv (g) e 177 cv (e) a 6.600 rpm
Torque: 21,4 kgfm a 4.400 rpm
Câmbio: automático continuamente variável (CVT), uma marcha + nove marchas simuladas
Direção: elétrica
Suspensão: MacPherson (d) e multilink (t)
Freios: disco ventilado (d) e disco sólido (t)
Tração: dianteira
Dimensões: 4,630 m (c), 1,780 m (l), 1,405 m (a)
Entre-eixos: 2,700 m
Pneus: 205/55 R16
Porta-malas: 470 litros
Tanque: 50 litros
Peso: 1.375 kg
0-100 km/h: 9s9 (medição MOTOR SHOW)
Velocidade máxima: não divulgada
Consumo cidade: 11,6 km/l (g) e 8 km/l (e)
Consumo estrada: 13,9 km/l (g) e 9,7 km/l (e)
Emissão de CO2: 107 g/km
Nota do Inmetro: B
Classificação na categoria: A (Grande)

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