Os carros autônomos e a morte do automóvel (não quero um, obrigado)

Os carros autônomos, capaz de se dirigirem totalmente sozinhos, estão cada vez mais próximos de virar realidade. Eu não quero um, muito obrigado

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carros autônomos
Divulgação

A Tesla promete um carro 100% autônomo — e legal para circular nas ruas — ainda este ano.  Mas quem tem medo dos carros autônomos? Eu. E muito. Apaixonado que sou por sentar ao volante, dar a partida e cair na estrada, morro de medo de que a atual revolução tecnológica do automóvel – que aponta para o carro capaz de se dirigir de modo totalmente autônomo, como mostramos em um especial – nos transforme em meros espectadores e/ou passageiros, eliminando de nosso dia a dia qualquer prazer de dirigir.

Aliás, a tecnologia já existe, mas enfrenta questões técnicas, e principalmente legais, para chegar de vez às ruas. Mas eu não quero, obrigado. Podem catalisar, turbinar, automatizar, eletrizar, otimizar e alertar, mas não me tirem do comando do meu carro, por favor.

PRATICIDADE

Até aceito de bom grado que meu carro ligue o para-brisa quando está chovendo. Que ele acenda os faróis ao entrar em um túnel e que os desligue quando saio. Que desbloqueie as portas quando me aproximo. Não acho ruim que solte o freio de estacionamento eletrônico quando acelero e que o ative novamente quando coloco o câmbio em D.

Tolero até mesmo que me alerte sobre uma possível colisão. Que atue nos freios e torque via controle de estabilidade (ESP) em caso de perda de aderência ou aquaplanagem. Que avalie o modo que dirijo, diga que estou cansado e me recomende uma pausa para o café.

E até acho interessante que meu carro diga se caibo em uma vaga e faça a manobra sozinho – desde que não raspe a roda na guia ou estacione em cima da calçada, como já fizeram alguns modelos que passaram aqui na redação.

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PODERES LIMITADOS

Em uma estrada lotada e sem perspectivas ou possibilidades de ultrapassagens, confesso que, vez ou outra, muito raramente, até ativo o tal do controle de cruzeiro adaptativo – aquele sistema que além de manter a velocidade programada, mantém uma distância constante do carro adiante, freando e acelerando conforme o fluxo. Mas logo o desligo e assumo o controle.

Porque tudo tem limite. Se eu não quisesse dirigir, pegava logo um ônibus, um metrô ou um trem, e pronto. Não entro em um carro simplesmente para ir de um lugar ao outro; mesmo que o trânsito esteja no anda-e-para, mesmo que a média seja de 20 km/h, eu quero dirigir, gosto de me sentir no comando.

SÍMBOLO DE LIBERDADE

Porque o carro é, e sempre foi, símbolo de liberdade. De independência e de individualidade. Uma máquina incrível que te leva onde quiser, quando quiser e do jeito que quiser.

Não quero um carro que freie sozinho quando faço uma ultrapassagem pela direita e ele acha que vou bater na traseira do caminhão (mas ok, ele até pode frear se tiver certeza que vou atropelar um pedestre).

Não quero que vire o volante quando mudo de faixa sem dar seta. Não quero que me permita ficar no Facebook enquanto segue outros carros. Que reduza a velocidade sozinho ao identificar que estou acima do limite de velocidade.

Quero preservar meu direito de dirigir para onde desejar. E do jeito que eu gosto. Mesmo que seja mal. Porque a liberdade é a essência do automóvel. Abaixo os carros autônomos, abaixo os carros-robôs.

https://motorshow.com.br/carros-autonomos-e-o-desafio-de-conviver-com-os-humanos/

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