Toyota, Hyundai, Ford ou Renault: quem vencerá?

No segundo pelotão do mercado brasileiro, Toyota, Hyundai, Renault e Ford sonham em chegar ao patamar de Chevrolet, Volkswagen e Fiat. Quem tem mais chances?

Toyota Raize deve chegar ao mercado brasileiro em 2021
Toyota Raize deve chegar ao mercado brasileiro em 2021

Há um disputa feroz pelo quarto lugar do mercado automotivo brasileiro. A Ford se manteve por muito tempo isolada nesta posição, como você pode ver no gráfico abaixo. Mas outras marcas chegaram ao mercado com força, a Ford cometeu erros estratégicos, e, hoje, luta para manter não ser ultrapassada por três de uma vez – Toyota, Hyundai e Renault. Quem vencerá a disputa?

Toyota

No gráfico acima, dá para ver claramente como Hyundai, Toyota e Renault vieram crescendo de modo constante, enquanto a Ford, que teve 12% do mercado em 2005, veio caindo, com algumas discretas recuperações pelo caminho. Considerando as quatro marcas deste segundo pelotão, em 2016 a Ford perdeu por muito pouco para Hyundai e Renault. Em 2017, voltou a liderança. Em 2019, perdeu para a Renault. No resultado do ano passado, perdeu de novo parava Renault. 

O último dado considerado aqui é o de fevereiro de 2020, pré-pandemia, porque depois disso não dá pra contar mais nada direito. No acumulado dos dois primeiros meses do ano, a coisa empatou totalmente: exatamente 7,93% para Renault e Toyota, 7,89% para Hyundai e 7,83 para a Ford.

Com 8% cada, grosso modo, elas têm metade da participação de mercado das líderes Chevrolet, com 18,37%, e Volkswagen, com 16,22% (a Fiat fica um pouco atrás das duas, com 13,92%, mas, se somarmos a Jeep, com quem dividiu suas vendas, tem mais ou menos os mesmos 18 da Chevrolet). Atrás das quatro, no terceiro pelotão, ficam Jeep, Honda e Nissan, com mais ou menos metade, cerca de 4 a 5% cada.

Então, pensando adiante, em um exercício de futurologia, quem assumirá definitivamente a liderança deste segundo pelotão e tem alguma chance de ameaçar as três grandes? Toyota, Hyundai, Renault ou Ford?

FORD: decadência e novas apostas

Na opinião deste blog, dessas quatro marcas a Ford é a que tem menos condições de retomar a posição que já foi sua. Isso porque, como parte de sua estratégia mundial, a montadora decidiu abandonar a produção de veículos de passeio e focar todo o seu poder em caminhonetes e utilitários esportivos. A marca, inclusive, tem planos de lançar em breve no Brasil o Territory e a nova geração do EcoSport.

Ford Territory
Ford Territory (Divulgação)

Tal decisão de investir nessas novas apostas deve fortalecer significativamente a participação da Ford nos segmentos de SUVs, tanto médios quanto compactos. Por outro lado, ao sair do segmento onde atuava o Fiesta e sem um futuro muito promissor para o Ka, que hoje é o seu produto mais vendido, a Ford dificilmente voltará a ter participação de mercado acima dos 10%. Fechar a fábrica em São Bernardo do Campo certamente não vai ajudar. a Ford tem um novo papel, e não é ser líder de mercado. Isso não parece estar em seus planos.

Ford Fiesta Titanium (Foto: Divulgação)

RENAULT: sem onde crescer

Observando mesmo gráfico, podemos ver que a Renault é uma das marcas que tem o crescimento mas constante desde o século passado. A marca ganhou muito volume com o Kwid no segmento de entrada, onde as vendas são bastante numerosas, e isso certamente ajudou. O Sandero e o Logan também são carros que também tem grande participação no mercado, e em segmentos numerosos, o que também ajudou bem.

Divulgação

Além disso, no período analisado, a Renault cresceu substancialmente sua participação no segmento de SUV compactos, onde chegou inclusive a liderança com o Duster. Mais recentemente, ainda reforçou sua atuação com o Captur.

Agora, com a renovação da família Logan, e também a renovação dos dois utilitários esportivos, além da adição de professores motores turboflex Renault deve mais uma vez crescer. Mas, sem produto para entrar e disputar com competitividade o segmento de sedãs médios, apenas vai se renovar em segmentos que já atua, sendo assim difícil ganhar muita participação extra no mercado.

Nem mesmo um SUV médio que seja competitivo a marca tem, que também poderia trazer um volume interessante (vide o Jeep Compass). Este blog aposta, então, que a Renault cresça e possa passar dos 10%, mas não muito mais do que isso, principalmente tendo em vista o que pode buscar no mercado externo e em que segmentos continuaria ausente.

HYUNDAI: acertos e tropeços

Como também se pode ver no gráfico, a Hyundai foi uma marca que feio crescendo com a competente atuação do grupo Caoa, apenas com SUVs, e boa parte importado, até 2012. Boa parte desse resultado veio da primeira geração do Tucson, que disputava com SUVs compactos, e das gerações posteriores que conviveram com essa primeira.

Em 2012, houve a chegada oficial da Hyundai no Brasil. Com a inauguração da fábrica em Piracicaba e o lançamento de modelos para os segmentos de maior volume do mercado (notadamente o fenômeno HB20, com as variações HB20S e HB20X), a marca saltou posições no mercado e cresceu muito rápido.

Roberto Assunção

Mas a Hyundai demorou para renovar a família HB20, e foi perdendo participação de mercado. Agora, que renovou, ousou demais no design e isso talvez esteja lhe custando algumas vendas. No entanto, com a pandemia do coronavírus, não dá para saber bem como o consumidor reagiu as mudanças. Por que ao menos na parte mecânica elas foram para melhor. A MOTOR SHOW, inclusive, o elegeu Compra do Ano 2020.

Os próximos modelos a serem renovados na linha Hyundai são os SUVs. O Creta é o mais importante deles, pelo segmento que atua e pela posição que já alcançou nele. mas, ao menos em outros mercados, ele ganha um design ainda mais polêmico que o da família HB20. Se chegar assim ao Brasil pode não recuperar os números de vendas que já teve e atrapalhar a Hyundai nessa disputa para se consolidar no quarto lugar.

Novo Creta ganhou desenho polêmico em sua nova geração (Foto: Auto Home)

 De qualquer modo, por mais que a Hyundai acerte nas mudanças, ou que o consumidor aceite os designs estranhos em troca dos bons acertos mecânicos, ainda são renovações de segmentos onde a marca já é forte, como ocorre com a Renault. Aí fica mais difícil ganhar participação de mercado.

Assim, a Hyundai é outra marca que, na opinião deste blog, não deve superar muito os 12% a médio prazo. Se é picape à la Fiat Toro for mesmo feita, as chances aumentam um pouco se considerarmos o que estrada e toro tem de volume no mercado. Aí a Hyundai poderia chegar a uns 14 ou 15%.

TOYOTA: questão de  estratégia

Na opinião deste blog, das quatro marcas aqui, qual tem mais chance de se desprender do grupo e ir disputar o terceiro lugar com a Fiat é a Toyota. Mas isso vai depender muito da estratégia que ela adotar. Isso porque, apesar de a marca ter uma linha com diversos modelos, é fraca em alguns dos segmentos em que atua. As vendas do Camry, por exemplo, são insignificantes. Enquanto isso, o Prius é um carro muito de nicho e SW4, RAV4 e Hilux, por mais que vendam bem, não são carros de volume, por causa de seus valores já bem acima dos R$ 100.000.

No segmento de maior volume que a marca disputa, o Etios já teve uma participação interessante e o Yaris nunca decolou mas também não vende tão pouco assim. os dois modelos de entrada tem versões Hatch e Sedan com potencial, mas sempre pisaram um pouco na bola, seja no design ou acabamento, e acabaram não sendo fenômenos de venda.

Roberto Assunção

Há boatos de que a produção do Etios será suspensa. Seria um grande erro da marca. Ainda há espaço para retrabalhar o modelo e ter uma participação sólida e volumosa no segmento de entrada, abaixo do Yaris. Aliás, o Yaris é outro que, com alguns acertos no rumo errado que já chegou tomando, pode vender muito mais e dar robustez aos números da marca. Já o Corolla não precisa de mais. Já vende muito bem, obrigado. 

Assim sendo, o mais importante para a Toyota, e que poderia levá-lá definitivamente a disputar o  top três do mercado nacional com a Fiat, seria investir mais no segmento de utilitários esportivos na faixa de R$ 80 mil a R$ 170 mil, onde hoje a marca não tem nada.

Toyota Raize deve chegar ao mercado brasileiro em 2021
Toyota Raize deve chegar ao mercado brasileiro em 2021

O SUV Raize é forte candidato a disputar no segmento de SUVs compactos, mas nada tira da cabeça do autor desse blog que a melhor coisa que a Toyota poderia fazer era desenvolver um SUV abaixo do RAV4, que usasse a plataforma do Corolla mas tivesse custo e proposta mais acessíveis para o consumidor brasileiro. Seria um modelo para colocar a Toyota, de uma vez e sem dúvida, entre as três maiores do mercado nacional.