Esta semana fiquei com o novíssimo Volvo XC40 T5 Plug-In Hybrid. Trata-se de um interessante híbrido plugável – que pode ser carregado em uma tomada ou carregador rápido e, assim, rodar em modo 100% elétrico por uns 40 ou 50 quilômetros. A avaliação publicaremos na edição de agosto/setembro da MOTOR SHOW. Mas, durante os teste de consumo que realizei, o Volvo XC40 me ensinou (ou melhor, reforçou) algo sobre os carros autônomos: não adianta eles serem inteligentes se nós não somos.

Uma queimadura bem leve nos lábios e na língua e uma camisa manchada de café foram o suficiente para me convencer de que ainda falta bastante para o carro autônomo ficar bom de verdade. Bom o suficiente para nós, falhos humanos, obviamente.

Seguia eu pela avenida Sumaré, fazendo testes de consumo com o carro. Depois de horas ao volante, fui me acostumando com o Pilot Assist – modo do SUV que assume o volante e segue na velocidade da via, ou até a máxima programada. 

Errar é humano

Então, resolvi tomar meu café. O farol já tinha fechado lá na frente, e o XC40 seguia suavemente. Ainda havia bastante espaço, mas o SUV resolveu frear subitamente antes de chegar lá porque uma moto costurou na frente. Não era estritamente necessário, eu não teria freado na situação, mas a máquina fez o que era mais cauteloso. E está certo.

 Preciso frisar que isso não tem nada a ver com o sistema ser da Volvo. Todos os sistemas semiautônomos que eu testei até hoje estão sujeitos aos mesmos “erros” (que não são de fato erros). Em uma condição perfeita de trânsito, eles são ótimos.

Mas, na hora que você está em São Paulo, no meio de motociclistas irresponsáveis, a coisa pode complicar. Trata-se de uma tecnologia muito promissora excelente em muitas situações, mas não se pode abusar. Se você faz é burro e tenta tomar café quente em um carro em movimento, não adianta o carro ser inteligente.

O problema são os outros

Já escrevi isso: o maior problema para os “carros-robôs” são os humanos (leia aqui). Não apenas o humano burro que resolve tomar café enquanto dirige (ou supervisiona como o carro dirige), mas todos os humanos burros que dirigem os outros carros e motos. Viram sem dar seta, fecham os outros sem o menor cuidado, freiam sem motivo para mandar ou ler uma mensagem de WhatsApp…

Não há algoritmo – as programações dos carros autônomos – para lidar com a quantidade absurda de possibilidades de erro ou falta de educação e elegância no trânsito dos motoristas. E isso é uma coisa que varia, bastante, de cultura para cultura. Alguns comportamentos, como em rotatórias, são absolutamente imprevisíveis. Leia mais sobre o “treinamento” dos carros autônomos aqui.

Questão de estrutura

Também não adianta os carros serem super inteligentes se nossa infraestrutura de ruas e estradas também tem muitas limitações. Há dois anos, estive na Suécia, terra de origem da Volvo (e onde os carros da marca são desenvolvidos até hoje, embora sob o comando da chinesa Geely). Era o lançamento da Mercedes-Benz Classe X – a picape que nunca chegou (leia aqui)

Nestes países superdesenvolvidos, as ruas são tão perfeitamente sinalizadas que o carro autônomo já consegue circular bem melhor. Agora, observe as ruas do Brasil, do seu bairro, da região onde você mora. Provavelmente são bastante ruins.

O que adianta um carro ter sistemas sofisticados de leitura de faixas de rodagem e da sinalização, se as vias estão todas sem pintura, se as faixas mudam de posição ou então somem e desaparecem sem aviso?

Em São Paulo, as viam têm uma mistura de Suécia e Índia. Na avenida Brasil, ou na Ibirapuera, o XC40 dirigiu por quilômetros sem dificuldades. Mesmo assim, alguns sustos vieram com motoboys que se enfiavam onde não deviam.

Já na famosa 23 de maio, as faixas são tão estreitas que o XC40 muitas vezes não conseguia ler. Na verdade, ali, até os motoristas de carne e osso têm certa dificuldade de se manter nas faixas. 

No fim, o que tudo isso nos prova é que não adianta querer culpar o carro autônomo por nossas falhas. Errar é humano, e atrapalhar o funcionamento de máquinas inteligentes também. Ah, é só para ficar claro, já me queimei outra vez tomando café no carro – com um motorista de carne e osso ao volante.

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