VW Polo e a dúvida: o quanto pode variar o preço de um carro?

O VW Polo GTS custa quase o dobro do 1.0. Vale pagar tanto por ter mais motor e equipamentos em um mesmo carro? E, se achou muito, nos Mercedes-AMG C63, o preço mais que triplica

VW Polo

Se um VW Polo custa R$ 55.890 com motor tricilíndrico 1.0, quanto valeria o mesmo carro com um motor quatro cilindros 1.4 e boa quantidade adicional de acessórios e equipamentos de alta tecnologia? Segundo os preços praticados pela Volks, quase o dobro. Ou, para ser exato, 87,8% a mais. O esportivo Polo GTS (leia avaliação) custa R$ 49.060 a mais que a versão de entrada: são R$ 104.950.

Considerando apenas os modelos que usam o mesmo tipo de combustível, essa foi a maior diferença que achamos entre dois carros com que usam os mesmos nomes e carroceria  no mercado brasileiro (bem, há os Mercedes-AMG, mas volto a eles mais adiante). Afinal, quanto pode variar o preço de um carro? Por que tanta diferença? Há justificativas.

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O “CASO” POLO GTS

Por R$ 49.060 a mais que no Polo 1.0, no VW Polo GTS você leva muitos itens extras: central multimídia mais completa, faróis de LED, câmera de ré, sensores de estacionamento, alerta de fadiga, apoio de braço, regulador de velocidade, sensores de chuva e luz, retrovisor antiofuscante, bancos de couro, banco traseiro bipartido, chave presencial, porta-luvas com refrigeração, start-stop e iluminação no porta-malas/porta-luvas. Ah, e o ar-condicionado passa a ser automático.

Veja como é o VW Polo básico:

Tais itens de conforto/conveniência não justificam, nem de perto, a enorme diferença de valores. A maior parte dela estaria justificada pelas outras diferenças. Quais? Bem, há todo o visual exclusivo, com spoilers, aerofólios, grade, pneus e rodas diferentes (17” contra 15”)… mas, não, não justifica. São itens que têm seu custo, mas nada tão considerável.

Outra mecânica

O que encarece o VW Polo GTS, alega-se, é a mecânica. Afinal, em relação ao modelo de entrada, o carro passa a ter um motor não apenas um cilindro a mais (que não faria tanta diferença), mas no qual se adiciona um sistema de sobrealimentação com turbocompressor, injeção direta de combustível, comando variável também no escape… e ainda paga um pouco mais de IPI por causa da cilindrada maior. Mas justifica?

Ah, e também há a troca da transmissão manual por uma automática. Neste caso, o VW Polo 1.6 sai mais barato com a transmissão automática do que com a manual, e no caso do Virtus 1.6 são R$ 6.000 a mais no automático.

Veja como é o Polo GTS:

Tais diferenças mecânicas respondem por maior conforto, no caso do câmbio, e por uma enorme diferença de desempenho. No 0-100 km/h, o VW Polo básico leva 13 segundos, enquanto o GTS leva 8,4 segundos.

E a máxima é de 170 km/h no 1.0, ante 207 km/h no GTS. Vale lembrar aqui que o Polo Highline de R$ 88 mil, também três cilindros 1.0, mas com turbo e injeção direta, tem quase os mesmos equipamentos do GTS, vai de 0-100 km/h em 9s6 e atinge 192 km/h. 

E NA EUROPA?

Para comparação, olhando o mercado europeu, as diferenças são significativamente menores. Na Itália, há o VW Polo Highline quatro cilindros 1.5 turbo de 150 cv – com motor mais moderno que o do nosso GTS, inclusive com desativação de cilindros. E ele custa só 41% a mais que o 1.0 “basicão” (nem metade da diferença entre básico e GTS aqui).

“Mas não é justo comparar a diferença de preço lá do Highline 1.5 de lá versus o 1.0 com a diferença aqui do GTS versus o 1.0”. Bem, então vamos lá.

Primeiro, este Highline 1.5 dos europeus tem mais motor que nosso GTS, então só isso já poderia, em parte, provar que que o que é vendido aqui está caro demais. Por conta da opção de calibração do motor, porém, ele acelera de 0-100 km/h em exatos 9 segundos, um pouquinho mais lento que nosso GTS (mas atinge 216 km/h, bem mais que ele).

Melhor que o GTS

Segundo, lá não há VW Polo GTS, mas há o GTI, que não temos. E morram de inveja: o GTI tem motor 2.0 de 200 cv e 32,6 kgfm, atinge os 100 km/h em 6,7 segundos e a máxima é de 238 km/h. Ah, e a transmissão é DSG de dupla embreagem e sete marchas, bem mais rápida que a do “nosso” GTS. E, mais um “ah”, este maior: ele custa só 55% a mais que o Polo 1.0 aspirado, pelado e com 0-100 km/h pior que o nosso
(14,9 segundos). 

Há de se considerar, ainda, que lá a Volks vende mais itens opcionais, mesmo nos modelos topo de linha – como o ar-condicionado automático e faróis de LED, que não vêm de série no GTI. Mas, mesmo colocando opcionais que são de série no nosso GTS, o preço do GTI na Itália não passa de 65% a mais que o modelo básico. O GTI, de 200 cv.

OUTROS MODELOS

Diferenças menores aparecem em outros modelos de nosso mercado. Dentro da mesma marca, por exemplo, no caso do VW T-Cross. Neste caso, porque as versões básicas já são mais equipadas e a diferença mecânica é menor – todos TSI, muda número de cilindros e transmissão, que no 1.0 pode ser manual ou automática). Assim, do T-Cross básico para o topo de linha, são 50% a mais. 

Já no caso do Fiat Argo, a versão básica 1.0 de R$ 51.290 para a topo de linha HGT 1.8 com todos os opcionais, vendida por R$ 81.040, são 58% de aumento. Ainda bastante, até porque aqui ambos têm motores aspirados, de custo similar (na verdade, o 1.3 tricilíndrico é mais moderno que o 1.8 de quatro cilindros). 

Mesmo em outros modelos em que também se passa de aspirado pr turbo, porém, a diferença não chega perto daquela do Polo. Exemplos? Hyundai HB20. O básico 1.0 três cilindros com câmbio manual custa R$ 47.990, o top 1.0 turbo sai por R$ 67.040. São 39% de diferença. Novo Chevrolet Onix (leia aqui)? Vai de R$ 56.290 a R$ 81.880. São 45,5% a mais.

CARROS A DIESEL

No caso dos modelos a diesel, como custo de produção do motor é maior, entre outros outros motivos que os tornam mais caros, é natural que a diferença seja maior (e o mesmo acontece com carros elétricos e híbridos, nem é preciso dizer).

Além disso, na em nosso mercado, por questões tributárias, os modelos a diesel adotam também tração 4×4, que gera um custo extra.  Mesmo assim, não é mais do que acontece no caso do Polo. Na maior parte dos casos, até menos. No caso da picape Fiat Toro, da básica Endurance 1.8 flex manual (R$ 99.990) para a superequipada Ultra 2.0 diesel automática de nove marchas (R$ 172.990), o aumento é de 73%.