18/04/2026 - 9:00
Quando uma tecnologia é novidade, todos querem ter. O marketing das montadoras faz questão de enfiá-la mesmo nas versões mais simples dos carros e o consumidor faz questão de tê-la, gerando uma situação meio “ovo ou galinha”: eles são moda porque os clientes querem ou os clientes querem porque são moda?
Entre os itens absolutamente inúteis, há um, por exemplo, que é exclusividade da BYD, mas ela mesma está abandonando: a tela central giratória. Além de invadir demais o campo de visão do motorista e afetar as saídas de ar, ela nem funciona na vertical com o Android Auto. Serve mais para mostrar ao vizinho do que para facilitar a vida.
O Blog Sobre Rodas faz aqui uma lista dos Top 8 equipamentos superestimados, que de duas, uma: ou não serão utilizados com a frequência que se imagina ou vão causar mais problemas do que alegrias. Vamos lá?
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1. Teto solar ou teto panorâmico
Mais luminosidade na cabine, sensação de amplitude, o prazer de ver o céu — ou então um sol infernal, com calor invadindo a cabine, ar-condicionado mal dando conta e a temperatura subindo, mesmo com a cobertura extra (que costuma ser fina) fechada, isso quando o carro tem (alguns Volvo não têm, o BYD Seal tem uma que precisa ser guardada separadamente e encaixada, sem ser elétrica…).

Além disso, recentemente peguei um Porsche 911 e um Jaecoo 7, e ambos tinham um ruído infernal do teto solar/panorâmico “batendo” mesmo quando estava fechado, me obrigando a abrir um pouco ou aumentar o volume do som.
E não são itens baratos. No Fiat Pulse, custa R$ 4.990 e soma faróis de neblina em LED e parassol com iluminação. Já no Volkswagen T-Cross Comfortline, por exemplo, custa R$ 8.350, acompanhado de espelho eletrocrômico e sensores de chuva e crepuscular — esses sim muito úteis, principalmente o retrovisor antiofuscante, muito necessário para quem viaja de noite e tem ficado mais raro (há modelos que têm até banco elétrico e sistemas semiautônomos, mas não o espelho antiofuscante).

2. Câmeras 360 graus
Na hora da manobra, para quem é das antigas, retrovisores e noção do tamanho do carro já bastam. A câmera de ré não é exatamente novidade, mas é item de segurança e ajuda muito nas manobras (especialmente para evitar atropelamento de crianças, por isso é obrigatória em diversos países). Se tiverem guias ativas, que mostram a trajetória do carro conforme o esterçamento do volante, melhor.Uma câmera dianteira, já um pouco mais rara, ainda vai: ela pode ser conveniente em situações extremas e para quem não dirige muito bem ou não está acostumado com o formato ou modelo de carro (dirige hatch e está em um sedã, por exemplo).

Já câmeras nas laterais, que simulam uma imagem 3D do carro visto “por cima”, como se observado por um drone, costumam ser absolutamente inúteis. Na maioria dos sistemas, as câmeras 360 graus não dão uma noção adequada da distância, do movimento do carro, de nada… são uma animação bonitinha para impressionar os amigos. Você tenta aproveitar, mas conclui que os retrovisores são mais precisos e confiáveis.
3. Telas gigantes e mais telasPrimeiro, elas dominaram os celulares, as idas a restaurantes com crianças, os elevadores, o tempo de observação em qualquer situação de espera… quase tudo. Se não estamos ocupados com algo mais, estamos procurando uma tela para olhar.

Agora elas dominaram os carros. Primeiro as centrais multimídia, depois os quadros de instrumentos, e agora há até tela exclusiva para o passageiro dianteiro, como no Renault Koleos. São telas de 14, 15, 20 polegadas…


Chegou-se ao ridículo de as marcas somarem as polegadas de diferentes telas na cabine para dizerem que “o Changan Uni-T tem 25 polegadas de telas” ou o novo “Mercedes Classe C tem 56 polegadas de displays”. E aí, eu pergunto: qual é a vantagem de ter uma tela enorme, dentro do carro?

As telas centrais são tão grandes que não “cabem” mais no design do farol e precisam ser sempre “flutuantes”. Isso significa que ficam atrapalhando o campo de visão do motorista, algumas ficam expostas demais ao sol e dão problema. Já os quadros de instrumentos incentivam um design preguiçoso: são simplesmente telas colocadas diante do motorista, sem cobertura e sujeitas a reflexos, baixa visibilidade… e estão deixando os carros todos iguais.

De quantas informações simultâneas você precisa? E nem é o caso da maioria deles, que têm uma tela enorme mas mostram o mesmo que telas menores, mas em dimensões exageradamente desnecessárias.

Pior, pois, já que é para ter uma tela gigante, as marcas resolvem colocar nela todos os controles do carro, tornando um pesadelo fazer qualquer coisa, de ajustar o retrovisor a destravar as portas, passando por ajustar o ar-condicionado, regeneração dos freios e modo de condução — funções que deveriam ser fáceis e imediatas. Questão de segurança, e China e Europa já estão tomando providências para obrigar a volta dos botões físicos.

4. Maçanetas retráteis
É mais ou menos querer reinventar a roda: em vez de maçanetas comuns, agora a moda são as retráteis, que ficam “escondidas” na carroceria. Algumas marcas falam em questões aerodinâmicas, mas esse efeito é praticamente desprezível. Trata-se mais de uma questão de estilo e querer mostrar “tecnologia” e “modernidade”.
Um dia desses, me aproximei do carro, a maçaneta retrátil “apareceu”; mas, quando coloquei a mão, ela resolveu fechar. Assustamos e gritamos, eu de um lado e meu filho do outro, pois quase ficamos com a mão presa pelo mecanismo automático.

Pior ainda quando elas não são automáticas: com uma mão ocupada carregando algo, é preciso ter habilidade e desenvolver uma técnica para abrir a maçaneta com a outra. Ainda assim, às vezes escorrega, escapa, e você fica ali, brigando para entrar no carro.
As automáticas são melhores, mas representam outro risco pior do que prender as mãos: em caso de acidentes, elas podem não se abrir sozinhas, e as pessoas do lado de fora têm muito mais dificuldade de resgatar uma vítima dentro do carro. Na China, um carro pegou fogo e uma pessoa morreu lá dentro. Tais maçanetas agora são proibidas.

5. A maioria dos Adas
Com exceção do Nissan Kait, que ganhou duas novas versões sem os desejados Adas — sigla em inglês para “sistemas de assistência ao motorista” —, parece que todo carro precisa ter os sistemas, como se fosse tão “vitais” quanto retrovisores e limpadores de para-brisa (que, aliás, uma quantidade assustadora de modelos chineses não tem). E você acaba pagando mais no carro para tê-los.
Testando carros com Adas um atrás do outro, no entanto, concluí que 90% deles são totalmente inúteis, inconvenientes, chatos e problemáticos. Apitam o tempo todo, como se você não soubesse dirigir. Moto passou ao lado? Apita. Planta no canteiro central? Apita. Mudou de faixa e não deu seta porque não tinha ninguém mais na estrada? Apita, vibra, puxa o volante… Um inferno.
Um dos únicos que eu de fato acho legais é o alerta de colisão com frenagem automática que detecta carros, pedestres e ciclistas, pois evita pequenos acidentes urbanos e em manobras, e até acidentes mais graves na estrada. A luz alta automática também é bastante útil em viagens de mão dupla.

Mas desde que funcionem direito: um SUV já freou com tudo, na estrada, para a sombra de um caminhão, um hatch freou exageradamente para um carro que passava na perpendicular e quase fez o motorista que vinha atrás bater em mim (assim como eu, ele não viu motivo para a frenagem).
O piloto automático adaptativo (ACC) até parece legal, mas mantém sempre a distância “mais segura possível”, que seria ideal, do carro à frente… Ideal para as pessoas na outra faixa acharem que você está dando passagem e entrarem na frente, fazendo seu carro frear forte e ficar cada vez mais para trás.
Quando ele vira “assistência de direção autônoma”, pior ainda: além da distância exagerada do carro adiante, fica centralizando o carro na faixa, o que muitas vezes significa ficar jogando o carro em cima das motos no corredor, não enxerga buracos e não desvia deles, e ainda decide a qualquer hora que a curva é muito fechada ou a faixa muito clara e vai parar de trabalhar. Ou seja, não dá pra tirar a mão do volante — por lei, eles param de atuar — e nem relaxar um pouco, mesmo com a mão nele.
6. Comandos de voz
É mais fácil dizer “ok, fulano, diminua a temperatura do ar-condicionado” ou mexer a mão alguns centímetros para o lado e simplesmente apertar um botão? Na primeira opção, não é preciso interromper a música, pedir silêncio aos demais ocupantes, nada. Sempre fizemos assim.

Fechar a janela, abrir o teto, a maioria dos comandos de voz que os carros de hoje entendem — e, mesmo assim, nem sempre “ouvem” muito bem — são coisas que sempre fizemos usando as mãos e nunca vi ninguém reclamar.
São funções básicas, que só vale a pena fazer por voz nos carros que têm o item 3 desta lista, as telas gigantes onde fica difícil encontrar os comandos. Ainda assim, faz muito mais sentido dar um passo “atrás”, voltar a usar botões e dispensar os comandos de voz.
7. Ar-condicionado de duas ou mais zonas
A cabine é uma só, e o carro não tem divisórias que impeçam a movimentação do ar por dentro de seu habitáculo. Então, seguindo as leis da física e o princípio da convecção, o ar frio e o quente acabam se misturando rapidamente em um espaço tão pequeno e sem barreiras físicas. Mesmo que eu escolha 19 graus, o passageiro dianteiro opte por 22 e atrás as crianças queiram 20 graus.

Ar-condicionado de duas ou mais zonas costumam ser oferecidos nas versões de topo ou em carros premium, acima de certa faixa de preços, como “de série”.
Eu gostei do novo Geely EX5 EM-i: tem muitos equipamentos úteis e bons, como bancos ventilados, retrovisor eletrocrômico, bancos elétricos, etc, mas o ar condicionado só tem uma temperatura para todos. Sem fantasia.
8. Estacionamento semiautomático
Outro item que é legal mostrar para os vizinhos e as crianças adoram, mas, na prática, acabamos usando muito pouco, é o sistema de estacionamento semiautomático (às vezes incluído nos Adas, às vezes separado).
Apesar de hoje em dia funcionarem muito bem, a maioria ainda é bem lenta. Quando você planejou estacionar antes, ativou a busca por vaga com antecedência e está em uma rua tranquila e sem pressa, tudo bem, dá para usar.

Mas se você viu a vaga de repente e tem gente esperando atrás, os sistemas são mais cautelosos e lentos que uma pessoa comum, e vão acabar buzinando para reclamar de sua lerdeza para manobrar.
Com este último item, porém, não serei tão rigoroso. Afinal, agora é possível tirar CNH sem aprender a fazer baliza, então os sistemas de estacionamento semiautomático certamente vão se tornar cada vez mais necessários.
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