11/03/2026 - 9:00
Este mês março marca os 100 anos de nascimento de um dos maiores visionários da história do Brasil: o engenheiro e empresário João do Amaral Gurgel. Para celebrar o homem que transformou o sonho de uma indústria automobilística genuinamente nacional em realidade, o CARDE – Arte Design Museu, em Campos do Jordão, promove a mostra “Amaral Gurgel – 100 anos de legado”.
Disponível até o dia 30 de março, a exposição oferece uma jornada profunda pela trajetória de inovação que desafiou gigantes globais. A experiência começa na sala Visionários, onde os visitantes encontram ícones como o robusto X-12 e o pioneiro elétrico Itaipu E-400. Mais do observar os veículos, o público tem contato com objetos pessoais e projetos de época que revelam a mente inquieta de Gurgel. A preservação do acervo, confiada ao CARDE pela Fundação Lia Maria Aguiar (FLMA), reflete a amizade entre a presidente da fundação, Dona Lia, e a família do engenheiro.
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Um dos grandes diferenciais desta mostra é a abertura inédita do Centro de Referência do CARDE. Em grupos de cinco a oito pessoas, os visitantes exploram a biblioteca do museu para examinar esboços originais, registros de patentes e estudos técnicos sobre carros elétricos desenvolvidos décadas antes do tema virar tendência global. O roteiro também passa pelo Centro de Catalogação, onde são explicados os processos científicos de restauração e conservação térmica e de umidade dos documentos históricos.

A exposição destaca modelos que narram a evolução da marca. Desde o Gurgel Ipanema (1969), o primeiro modelo com carroceria de fibra de vidro, até o raríssimo Gurgel XEF (1983), um microcarro urbano com apenas 145 unidades produzidas. Os visitantes também podem conhecer o Motomachine (1991) e o ousado protótipo Motofour (1996), que propunha uma experiência de condução híbrida entre motocicleta e automóvel.
Ao final do percurso de uma hora e meia, cada visitante é presenteado com um postal comemorativo do centenário. Confira mais detalhes sobre os carros expostos:
ITAIPU E-400
Apresentado em 1981, o Gurgel Itaipu E-400 foi o primeiro automóvel elétrico produzido em série no Brasil, desenvolvido a partir do protótipo E150, reafirmando o espírito pioneiro da fabricante idealizada por João Augusto Conrado do Amaral Gurgel. Desenvolvido com foco em uso urbano e corporativo, o modelo foi concebido para serviços de manutenção e transporte de cargas leves.
Disponível nas versões furgão e picape, com cabine simples ou dupla, o Itaipu E-400 utilizava estrutura e diversos componentes mecânicos Volkswagen, diferenciando-se pelo conjunto motriz elétrico. Seu motor Villares de 10 kW era alimentado por oito baterias de 12 volts, solução que proporcionava autonomia entre 80 e 100 quilômetros, e velocidade máxima de 70 km/h.
Produzido em série limitada, apenas 88 unidades, o Itaipu E-400 tornou-se um dos projetos mais visionários da indústria automotiva nacional, antecipando em mais de quatro décadas o debate sobre mobilidade elétrica e sustentabilidade.

X-12
Veículo de grande sucesso comercial da Gurgel, o X-12 foi produzido entre 1975 e 1988, consolidando-se como o modelo mais emblemático da Gurgel. Forte, econômico e incorrosível, atributos garantidos pela própria fábrica, o modelo combinava aptidão fora de estrada com a praticidade de uso urbano.
Desenvolvido a partir de uma encomenda das Forças Armadas do Brasil, o X-12 foi oferecido em diferentes configurações, incluindo versões com capota de lona, teto rígido, aplicação militar e os utilitários destinados a serviços de manutenção. O exemplar exposto no CARDE, de 1981, pertence à terceira geração do modelo, fase de maior maturidade técnica e comercial.Exportado para países das Américas, Europa, África e Oriente Médio, o Gurgel X-12 tornou-se símbolo da capacidade da indústria automotiva brasileira independente. O X-12 tem motor Volkswagen 4 cilindros boxer, refrigerado a ar, de 1.600 cm³ de cilindrada, com potência de 60 cv, câmbio manual de 4 marchas e velocidade máxima de 110 km/h.
IPANEMA
Lançado em 1969, o Gurgel Ipanema foi o primeiro modelo produzido pela fabricante brasileira idealizada por João Augusto Conrado do Amaral Gurgel. Desenvolvido com proposta utilitária e recreativa, o modelo combinava robustez mecânica com carroceria leve em fibra de vidro reforçada, característica que se tornaria marca registrada da empresa.

Construído sobre base mecânica Volkswagen, o Ipanema utilizava o consagrado motor boxer refrigerado a ar, garantindo confiabilidade e facilidade de manutenção. De linhas simples e funcionais, foi concebido para uso misto, atendendo tanto ao lazer quanto às atividades em áreas rurais e litorâneas. Produzido em pequena escala, tornou-se um dos modelos pioneiros da indústria automotiva independente brasileira. O Ipanema tem um motor de quatro cilindros boxer, refrigerado a ar, com 1.500 cm³ de cilindrada, câmbio manual de quatro marchas e tração traseira.
XEF
Lançado em 1983, o Gurgel XEF foi um automóvel urbano compacto que representou a proposta da marca de oferecer mobilidade racional, econômica e adaptada à realidade brasileira: um verdadeiro microcarro urbano. Desenvolvido por João Augusto Conrado do Amaral Gurgel, o modelo combinava dimensões reduzidas com soluções construtivas próprias, mantendo a identidade técnica da fabricante.

Com carroceria em fibra de vidro reforçada e estrutura do tipo “plasteel” (aço tubular revestido por compósito), o XEF priorizava leveza, resistência e durabilidade. Utilizava conjunto mecânico Volkswagen, com motor 1.6 boxer de quatro cilindros refrigerado a ar, instalado na traseira, garantindo simplicidade de manutenção e ampla disponibilidade de peças no mercado nacional.
Produzido em pequena escala, o XEF tornou-se um dos modelos mais raros da Gurgel. Símbolo da busca por um automóvel urbano nacional, antecipa conceitos de racionalização de espaço e eficiência que se tornariam tendência nas décadas seguintes. Foram cerca de 145 unidades produzidas.
MOTOMACHINE
Apresentado em 1991, o Gurgel Motomachine foi um projeto experimental da Gurgel. Compacto, leve e de proposta essencialmente urbana, o modelo representava a busca da marca por soluções simples, econômicas e adaptadas à realidade brasileira da época.

Com carroceria em fibra de vidro reforçada, o Motomachine priorizava resistência estrutural e baixo peso (650 kg). Seu conjunto mecânico utilizava motor Enertron 0.8 litro, de dois cilindros, arrefecido a água, que gerava 34cv, alcançando uam velocidade máxima de 115 km/h. Produzido em pequena escala, tornou-se um dos modelos mais raros e curiosos da história da Gurgel. O modelo teve uma produção aproximada de 177 unidades.
MOTOFOUR
Você já imaginou um veículo que ficasse entre uma motocicleta e um automóvel? Essa foi a proposta ousada do Motofour, um protótipo desenvolvido em 1996 pela Gurgel. A ideia era criar um meio de transporte leve, versátil e econômico, capaz de circular tanto em áreas urbanas quanto em terrenos mais desafiadores, como praias e estradas de terra.
O Motofour apresentava soluções bastante incomuns. Seu formato lembrava um pequeno carro aberto, sem portas, laterais ou capota, e com proteção mínima ao condutor. A posição de dirigir também chamava atenção: o motorista ficava no centro do veículo, sentado como em uma motocicleta, mas com volante e pedais de automóvel. O câmbio, adaptado, ficava próximo ao painel, em frente ao condutor, e não na lateral, entre os bancos como nos carros convencionais.

Outro detalhe curioso era o banco, conhecido por ser bastante rígido. Ainda assim, o veículo se destacava pelo bom desempenho, favorecido pelo peso reduzido, além de respostas rápidas na direção e aceleração.
Apesar de seu caráter inovador e da simplicidade mecânica, que prometia baixo custo de produção, o Motofour não chegou a ser produzido em série. Permanecendo como protótipo, ele se tornou uma peça rara e simbólica da criatividade da indústria automotiva brasileira.
O Motofour tinha motor de dois 2 cilindros contrapostos (boxer), de 792 cm³ de cilindrada, 4 tempos, arrefecido a água. A potência era de 36 cv a 5.500 rpm. A velocidade máxima era de 112 km/h e a aceleração de 0 a 100 km/h sedava em 34 segundos.
Serviço: Mostra Amaral Gurgel – 100 anos de legado
- Data: Até 30 de março (fechado às terças e quartas-feiras)
- Local: CARDE – Rua Benedito Olímpio Miranda, 280, Alto da Boa Vista, Campos do Jordão – SP
- Ingressos: R$ 160,00 (inteira) e R$ 80,00 (meia-entrada) — o roteiro guiado já está incluso no valor
- Horários e Informações: (12) 3512-3547 ou pelo site www.carde.org
- Redes Sociais: @carde.museu no Instagram