O mercado brasileiro de carros eletrificados vive uma transformação sem precedentes. No primeiro trimestre de 2026, o volume de emplacamentos superou a marca de 80 mil unidades, consolidando a virada de chave para a mobilidade sustentável, segundo dados da ABVE.

O setor de eletrificados (que inclui 100% elétricos e híbridos, mas não os MHEV, “falsos híbridos”) saltou de patamar. Comparado ao mesmo período de 2025, quando o mercado registrava cerca de 40 mil unidades, as vendas em 2026 já ultrapassam os 80 mil emplacamentos, um crescimento superior a 100%.

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BYD Song Plus 2027 – Foto: divulgação

BYD despenca, Toyota dispara e GWM perde a vice-liderança

A liderança isolada permanece com a BYD, que detém 44,84% do market share total este ano, com 21.685 unidades vendidas no trimestre. Ainda assim, vale notar que a fatia da BYD caiu bastante: no mesmo período do ano passado, a chinesa emplacou 21.685 carros eletrificados, mas tinha 54,32% de participação — uma queda de quase 18%.

No bloco das fabricantes tradicionais, a Toyota subiu da terceira para a segunda posição: passou de 4.277 unidades no primeiro trimestre de 2025 para 13.233 agora, aumentando em quase 50% seu market share, que passou de 10,71% para 15,76%, impulsionada pelas vendas do novo Yaris Cross Hybrid, que se juntou aos veteranos Corolla Hybrid e Corolla Cross Hybrid.

Logo atrás, a GWM perdeu a segunda posição, na qual estava se consolidando. Vendeu 12.010 unidades e abocanhou 14,31% do mercado, contra 16,76% de participação no ano passado — exatas 6.693 unidades.

invasão chinesa e desvalorização
GWM Haval H6 HEV Série Especial – Foto: divulgação

Outros grandes destaques deste ano até agora:

  • Omoda Jaecoo: não aparecia entre as dez mais no primeiro trimestre de 2025 e agora está na quarta posição, com 7,11% de market share e quase 6.000 carros vendidos no mesmo período deste ano.
  • Geely: com 3,73% de participação — resultado do sucesso do EX2 —, o número só não é maior porque a marca não tem carros para entregar. Mas já foi o suficiente para ser alçada à quinta posição.

Já marcas de luxo como Volvo e BMW enfrentam a pressão crescente das montadoras chinesas, que oferecem maior volume e preços mais agressivos. A Volvo, por exemplo, viu sua fatia encolher de 5,25% para 2,3% no período.

BYD Dolphin MIni GS 2026
BYD Dolphin Mini 2026 (foto: Flávio Silveira)

A grande virada: BEVs ultrapassam híbridos plugáveis

O destaque deste trimestre não é só o volume total, mas a mudança no perfil de consumo do brasileiro. Pela primeira vez, os veículos 100% elétricos (BEV) superaram os híbridos plug-in (PHEV) na preferência nacional.

Em 2025, os modelos puramente elétricos detinham 33% do market share. Em 2026, esse número saltou para 37%, um crescimento real de quatro pontos percentuais na participação total.

Enquanto isso, os híbridos plug-in, que lideravam com folga em 2025 detendo 49% das vendas, viram sua participação cair para 35% em 2026 — uma queda expressiva de 14 pontos percentuais, sinalizando um consumidor mais confiante para abandonar o motor a combustão definitivamente.

carros eletrificados Omoda 5 HEV
Omoda 5 HEV – Foto: Mauro Balhessa/IstoÉ

Híbridos autocarregáveis flex e convencionais ganham fôlego

Curiosamente, enquanto os plug-ins perderam espaço, os híbridos convencionais ganharam terreno – resultado da dinâmica de lançamentos, que, além do Yaris Cross, incluíram outros novos modelos HEV, como o Omoda 5, GAC GS4 e a Ford Maverick renovada. Os HEV flex subiram de 9% para 15% de market share, enquanto os HEV a gasolina subiram de 9% para 14%.

Esse movimento sugere que uma parcela do público está migrando dos carros puramente a combustão para tecnologias eletrificadas de entrada, enquanto muitos já se decidiram pelo carro 100% elétrico.