O filme brasileiro O Agente Secreto brigou de igual para igual com produções internacionais e seus atores por uma das 50 estatuetas entregues aos premiados. Indicado às premiações, mesmo sem levar nenhuma delas, o longa ganhou grande notoriedade no cenário mundial.

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Cena de O Agente Secreto – Foto: reprodução/Carro.Blog

Para quem gosta de carros, um ponto chama a atenção. Como a história de O Agente Secreto é ambientada em Recife, Pernambuco, em 1977, o diretor Kleber Mendonça Filho precisou reconstruir a atmosfera da época com fidelidade. Isso incluiu o uso de veículos que realmente circulavam nas ruas naquele período.

Os carros de O Agente Secreto

Para garantir o máximo de realismo, a produção recorreu a coleções de carros nacionais antigos, colocados em circulação nas cenas externas. Ao todo, cerca de 170 veículos foram selecionados para compor o ambiente urbano.

Cena de O Agente Secreto – Foto: reprodução/Carro.Blog

O protagonista, vivido por Wagner Moura, interpreta o falso professor Marcelo, que foge de São Paulo a Recife em um Fusca 1300 de 1972, na cor amarela. Uma viagem longa e exigente, de mais de 2.600 km, que na época levava cerca de três dias. Ainda mais desafiadora em um carro com apenas 46 cv e torque de 9,1 mkgf, limitado em ultrapassagens e com dificuldade para manter boas velocidades médias, especialmente em subidas.

Wagner Moura e Fusca Amarelo – Foto: divulgação

Dentro do contexto da época, o personagem de O Agente Secreto poderia ter feito a viagem em um Fusca 1500, o chamado Fuscão, que oferecia desempenho um pouco melhor, com 52 cv e 10,3 mkgf de torque. O tempo de viagem não seria muito diferente, mas o trajeto certamente seria menos cansativo. O modelo também tinha bitolas traseiras mais largas, o que melhorava a estabilidade e tornava a condução mais confortável.

Além do Fusca, as cenas de O Agente Secreto mostram diversos modelos comuns nas ruas brasileiras em 1977. Entre eles, TL, Variant, Passat, Brasília e o Karmann-Ghia TC, todos da Volkswagen.

Fusca Amarelo de O Agente Secreto – Foto: Raquel Morais/Instagram @oagentesecretofusca

Ford e Chrysler também presentes

Mas a presença de carros da época não se limita à marca alemã. Também aparecem modelos da Ford, como Maverick, Corcel e Belina. Da General Motors, surgem Opala, Chevette, além da clássica Veraneio e da picape C-10. Já a Fiat, recém-chegada ao Brasil, marca presença com o 147, que rapidamente ganhou espaço graças ao preço e às qualidades construtivas.

Cena de O Agente Secreto – Foto: reprodução/internet

Outro destaque é a Chrysler, então responsável pela marca Dodge no país, com modelos como os V8 e o Dodge 1800, produzido até 1976. Seu sucessor, o Dodge Polara, também aparece, representando a evolução do modelo anterior.

Na trama, vale destacar que Opala e Maverick são retratados como veículos usados pelas forças de repressão da época, aparecendo em cenas de perseguição e vigilância. Já a Veraneio, embora bastante utilizada por órgãos policiais, chamava mais atenção, o que a tornava menos discreta nessas situações.

Cena de O Agente Secreto – Foto: reprodução/Carro.Blog

Viagem no tempo

Rever as cenas externas do filme é quase uma viagem no tempo. Para quem gosta de carros, é um prato cheio. Para quem não viveu aquela época, fica o convite. Assistir ao filme é uma forma de entender melhor como eram as ruas e estradas brasileiras nos anos 70.