Os carros híbridos ganharam espaço no Brasil e já são realidade em várias faixas de preço. Mas, apesar da popularização, ainda existe confusão sobre os diferentes tipos de sistemas híbridos disponíveis no mercado. MHEV, HEV, PHEV, EREV e os chamados super híbridos aparecem nas fichas técnicas, mas nem sempre o consumidor entende o que muda na prática.

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Se você está pesquisando sobre carros híbridos e quer saber qual tecnologia faz mais sentido para o seu uso, a Motor Show explica, de forma direta, as diferenças entre cada tipo.

Fiat Pulse Impetus T200 Hybrid – Foto: Lucca Mendonça

Carros híbridos MHEV

Quando falamos em carros híbridos MHEV, estamos tratando dos chamados Mild Hybrid Electric Vehicle, ou híbridos leves. Nesse caso, o motor elétrico não é capaz de movimentar o carro sozinho. Ele apenas auxilia o motor a combustão em momentos como arrancadas e retomadas, além de assumir funções auxiliares para melhorar a eficiência. Normalmente, os MHEV utilizam sistemas de 12V ou 48V e substituem alternador e motor de partida por um gerador mais robusto. O resultado é uma leve redução no consumo de combustível, mas sem possibilidade de rodar no modo totalmente elétrico. Entre os carros híbridos, é o nível mais simples de eletrificação.

híbrido-leve Fiat Pulse Impetus T200 Hybrid - Foto: Lucca Mendonça
Fiat Pulse Impetus T200 Hybrid – Foto: Lucca Mendonça

HEV

Já os carros híbridos HEV, sigla para Hybrid Electric Vehicle, permitem que o motor elétrico movimente o veículo sozinho, ainda que por curtas distâncias e em baixas velocidades. O sistema alterna automaticamente entre motor a combustão e elétrico, ou combina os dois para maximizar eficiência. A bateria é recarregada por regeneração de energia nas frenagens e pelo próprio motor a combustão, dispensando tomada. Um dos maiores exemplos desse tipo de tecnologia é o sistema da Toyota, referência mundial em carros híbridos convencionais. A vantagem está na economia, principalmente no uso urbano, sem mudança de rotina. A limitação é a autonomia elétrica reduzida.

Honda CR-V Advanced Hybrid - Foto: Lucca Mendonça
Honda CR-V Advanced Hybrid – Foto: Lucca Mendonça

PHEV

Entre os carros híbridos plug-in, conhecidos como PHEV, a principal diferença é a presença de uma bateria maior e a possibilidade de recarga externa. A sigla significa Plug-in Hybrid Electric Vehicle. Nesses modelos, a autonomia no modo elétrico pode variar entre 30 km e 100 km, dependendo do projeto. Para quem roda pouco por dia e tem ponto de recarga, é possível usar o carro quase como um elétrico no cotidiano. Quando a bateria acaba, o veículo funciona como um híbrido convencional. O ponto forte dos carros híbridos PHEV é a versatilidade, mas o preço costuma ser mais alto e a eficiência máxima depende de recargas frequentes.

BYD Song Plus 2026 - Foto: Lucca Mendonça
BYD Song Plus 2026 – Foto: Lucca Mendonça

EREV

Outro tipo menos comum, mas tecnicamente interessante entre os carros híbridos, é o EREV, ou Extended Range Electric Vehiclem (ou REEV, dependendo da marca). Nesse sistema, as rodas são sempre movidas pelo motor elétrico. O motor a combustão não traciona o carro em nenhum momento, atuando apenas como gerador para produzir energia e recarregar a bateria quando necessário. A sensação ao dirigir é de um carro elétrico, porém com autonomia total ampliada. Em contrapartida, trata-se de um conjunto mais complexo e, normalmente, mais caro.

Leapmotor C10 REEV – Foto: Lucca Mendonça

Super Híbridos

Nos últimos anos, surgiram também os chamados super híbridos. Não é uma classificação técnica formal, mas um termo comercial adotado por algumas marcas para destacar carros híbridos que priorizam o uso do motor elétrico na maior parte do tempo. É o caso de modelos da BYD, que combinam autonomia elétrica elevada com um motor a combustão que atua como apoio estratégico. Na prática, esses carros híbridos rodam predominantemente no modo elétrico na cidade e ainda oferecem autonomia total comparável à de veículos tradicionais. Eles se aproximam da proposta de um EREV ou de um PHEV altamente eficiente, mas com foco maior na tração elétrica.

BYD King 2026 - Foto: divulgação
BYD King 2026 – Foto: divulgação

Na hora de escolher entre os diferentes tipos de carros híbridos, o perfil de uso é decisivo. Quem não quer depender de tomada pode optar por um HEV. Quem tem estrutura para recarga e roda pouco por dia pode aproveitar melhor um PHEV ou um super híbrido. O MHEV entrega apenas um ganho discreto de eficiência, enquanto o EREV oferece experiência elétrica com autonomia ampliada.