01/04/2026 - 14:00
Muitos motoristas não fazem ideia de quanto cobrar e o que, de fato, é avaliado na hora de vender carros usados. No entanto, em tempos de alta no mercado de veículos usados, é preciso ter em mente que conhecer esses detalhes muda todo o jogo da negociação na hora da revenda. A tradicional consulta à Tabela Fipe é apenas o ponto de partida, mas está longe de refletir todas as variáveis que impactam o valor real de mercado, que passam por checagem de quilometragem, histórico, conservação do veículo, e por aí vai.
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Fipe é importante, mas não é tudo
“A Fipe é uma referência importante, mas não considera especificidades como estado de conservação, histórico de uso, liquidez regional e nível de procura daquele modelo específico”, explica Miguel Souza, CEO da Vaapty, empresa que intermedia a venda de veículos no país. “Comprar bem é tão importante quanto vender bem. Uma boa avaliação reduz risco e evita prejuízo.”
Carros usados em alta

Antes de detalhar as dicas em si (logo abaixo), cabe evidenciar o crescimento de carros usados e seminovos no Brasil. De acordo com a Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (FENAUTO), em fevereiro o segmento registrou 1.363.383 carros usados ou seminovos vendidos – alta de 1,7% em relação a janeiro. Em 2025, o crescimento foi de 17,3% na comparação com 2024, e esse bom desempenho consolida um início de ano promissor para o mercado.
Histórico do veículo
Carros com passagem por leilão, histórico de colisão estrutural ou indenização por seguradora podem sofrer desvalorização significativa, mesmo quando estão bem conservados, aparentemente. Hoje é possível consultar laudos e históricos detalhados, portanto, ignorar essa etapa pode significar pagar preço cheio por um carro que o mercado avalia abaixo.

Liquidez do modelo no mercado
Alguns veículo, como por exemplo, utilitários, têm saída rápida e alta procura, o que sustenta preços mais elevados. Outros, como SUVs, mesmo em bom estado, podem ter baixa liquidez. Cabe pontuar, no entanto, que a procura varia por região e não deve ser considerada nacionalmente.
Quilometragem

A quilometragem média anual no Brasil gira em torno de 20 mil km. Valores muito acima ou muito abaixo da média – menos de 10 mil ou mais de 30 mil – podem acender alerta para um possível comprador. Isso porque, ao contrário do que muitos pensam, quilometragem baixa também exige atenção. Afinal, pode indicar longos períodos parado, o que pode gerar problemas sérios em vários sistemas e peças.
Conservação real

Assim como a estética, o estado do motor, suspensão e câmbio pesam muito na avaliação profissional. Por isso, é aconselhável uma vistoria técnica independente a fim de reduzir riscos e evitar prejuízos. Afinal, aqueles pequenos ruídos ou sinais de desgaste que parecem imperceptíveis nos carros seminovos podem indicar custos elevados futuramente.
Versões e itens de série

Diferenças entre versões, como motorização híbrida, câmbio automático, pacote tecnológico, teto solar e assistentes de condução, por exemplo, impactam fortemente o valor dos carros usados ou seminovos. “Dois exemplares do mesmo ano e modelo podem ter diferença relevante de preço, dependendo da versão. O consumidor, muitas vezes, compara apenas marca, modelo e ano, sem observar esses detalhes. Por isso, uma intermediação feita por profissionais faz diferença no valor final e facilita esse processo”, finaliza Souza.
