Challenger de volta ao passado

Símbolos marcantes nesta versão top: a identificação do lendário motor com 6,1 litros; a tampa cromada do tanque com a inscrição fuel (gasolina), que ele usa em doses generosas; a inscrição SRT (Street & Racing Technology) e o tradicional símbolo do cabrito montanhês, criado em 1932

Na edição de julho, mostramos o Camaro, que será uma das maiores estrelas da Chevrolet no Salão de São Paulo, quando finalmente começa a ser vendido no Brasil. Mas ele não vem sozinho: terá que dividir as atenções – e os potenciais clientes – com este Challenger, que estará não muito distante, no estande da Dodge.

Trata-se de uma espécie de repetição de um grande combate encerrado há décadas. Os dois já foram inimigos, e também tiveram um inimigo em comum: o Camaro nasceu em setembro de 1966 como uma resposta ao Ford Mustang, apresentado em abril de 1964. Já a Dodge demorou mais para reagir, e lançou seu Challenger em 1970. O termo pony car foi cunhado pelo editor da revista americana Car Life, inspirado justamente pelo Mustang 64, o primeiro “pônei” legítimo. Ele ganhou este nome por ser pequeno e leve (para os padrões americanos da época), mas potente, com motor dianteiro, tração traseira, preço acessível, capô longo e traseira curta: receita seguida por outras marcas.

Mas havia (e ainda há) controvérsias quanto à classificação, e eles acabaram se confundindo (ou se fundindo) com os chamados musclecars (carros musculosos), que, em tese, são maiores e, normalmente, ainda mais potentes. Pony ou muscle, na verdade, pouco importa – hoje a própria Dodge, por exemplo, chama este Challenger de muscle coupé.

Capô longo e motorzão V8 remetem ao mito lançado nos anos 70

Nos anos 2000, o Mustang, o Challenger e o Camaro renasceram com design retrô, retomando as linhas da primeira geração: o Ford em 2004, o Dodge em 2007 e o Camaro em 2009. Nesses quase 40 anos de intervalo, as três marcas fabricaram outras gerações – mas elas não homenageavam (nem honravam) as lendas dos anos 60/70.

O Challenger que chegará em breve ao Brasil, assim como o Camaro, vem na versão top (SRT8). As semelhanças entre os dois são muitas: assim como o Chevrolet, o Dodge tem motor enorme (6.2 no Chevrolet e 6.1 neste clássico Hemi) que, de certa forma, também é retrô. Ambos têm só duas válvulas por cilindros, consumos estratosféricos, potências nem tão altas para seus tamanhos (na casa dos 430 cv) e generosos números de torque. Hoje, motores menores e mais modernos, sobrealimentados ou não, apresentam resultados melhores.

Nos dois o interior é retrô com toques de“esportividade” (bancos, pedaleiras, etc.) e os equipamentos, dignos de um sedã de luxo. No Challenger, alguns componentes de prestígio: freios Brembo e suspensão independente nas quatro rodas com amortecedores Bilstein. Mas também há diferenças: no câmbio automático, o Challenger tem uma marcha a menos (são cinco, o que gera dados de consumo piores), mas dá o troco em tamanho: é 18 cm maior, e têm enorme distância entre-eixos, quase 10 cm maior que a do rival.

O Camaro top de linha, SS, é fabricado nos EUA e custa, lá, US$ 34.295, enquanto o Challenger SRT8, feito no Canadá, sai por US$ 43.680. Aqui, segundo nossas fontes, enquanto o Chevrolet deverá custar algo em torno de R$ 160 mil, o preço do Dodge ficará próximo dos R$ 250 mil. Se o Camaro e este Challenger já têm data para voltar, a Ford também anunciou, no ano passado, que traria seu Mustang agora no início de 2010. Até o momento, nada. Será que a Ford está aguardando para ver como os rivais se saem? Eu não esperaria muito…

O interior retrô mistura elementos mais esportivos, como os bancos, a equipamentos modernos, como o sistema GPS integrado ao painel e a partida sem chave. A visibilidade não é das melhores, assim como o conforto nos bancos traseiros. Abaixo, o “V-oitão” Hemi

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