A Chery International é tão grande que às vezes parece sair do controle: no Brasil, a divisão de exportações da chinesa Chery Automobile hoje inclui submarcas que já operam em dupla, como a Omoda & Jaecoo, por meio de parceria renomeada, como Caoa Chery, ou em operação independente, como a Jetour. E agora, como se já não bastasse, a Chery Automobile anunciou planos ousados para Brasil, incluindo a estreia de cinco novas marcas por aquiiCaur, Lepas, Exeed, Luxeed e Freelander.

Com tantas marcas e produtos, ficamos até perdidos: afinal, por que tantas, como organizar tudo isso e quais são os seus alvos? Após a apresentação do Omoda 4 (leia aqui) na sede do grupo em Wuhu, China, o vice-presidente executivo da Chery Automobile, Sr. Zhang, indicou abertamente quais são as concorrentes diretas de cada uma das marcas do grupo.

Antes de seguir adiante, um pouco de contexto e de história. Se preferir ir direto ao assunto, pule o próximo bloco de texto.

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coletiva Chery international Salão de Pequim
Coletiva da Chery International no Salão de Pequim (foto: Flávio Silveira)

Exportar é preciso

Com a queda de mais de 20% nas vendas no mercado interno chinês este ano, as exportações se tornaram cada vez mais vitais para a sobrevivência das mais de 100 marcas existentes na China.

Ter muitas marcas permite atender às especificidades de diferentes mercados,  consumidores e segmentos. Ainda aumenta o volume de produção, gerando ganho de escala e sinergia industrial: da linha de produção em Wuhu, uma plataforma dá vida a vários modelos (Jaecoo 7, Jetour S06 e Omoda 7, por exemplo, são, basicamente, o mesmo carro).

Carros da Chery Automovile em Wuhu, sede da marca
Carros da Chery Automovile em Wuhu, China, no QG da marca (foto: Flávio Silveira)

A estratégia tem dado muito certo: “Mr. Hu”, CEO da Chery International Brasil, ao apresentar os planos, comemorou a venda de 2,8 milhões de veículos no mundo em 2025, aumento de mais de 70% nas exportações em julho de 2026 na comparação anual — e no Brasil também vai bem, como Omoda 5 e Jaecoo 7 ganhando espaço (leia mais).

Vale lembrar que esta é a segunda tentativa do grupo atuar sem diretamente e com controle da operação: a Chery havia passado pelo Brasil com operação própria, a partir de 2009, mas a qualidade dos carros era sofrível, e isso, junto de mudanças nas políticas de governo, fez a operação naufragar. Quem a socorreu foi Carlos Alberto Oliveira de Andrade, que comprou 51% das operações brasileiras em 2017 formando a Caoa Chery.

fabrica Chery International em Wuhu
Fábrica da Chery International em Wuhu (foto: Flávio Silveira)

OS TENTÁCULOS DA CHERY INTERNATIONAL

Em um slide da apresentação de estratégias e novidades da Chery Automobile como um todo, Zhang falou sobre a estratégia da gigante automotiva, e representou com árvores as diferentes marcas que a Chery International opera. Ficaram fora da lista a Jetour, que é independente, e a Freelander, que acaba de “acontecer”.

Os rivais da Chey International Os rivais da Chey International em apresentação em Wuhu, China (foto: Flávio Silveira)

OS ALVOS DA CAOA-CHERY

Vamos começar pela mais estabelecida no Brasil, a homônima do grupo, simplesmente Chery (aqui, pelos motivos acima, Caoa Chery). Ela é a marca mais generalista, que ataca Volkswagen, Hyundai, Toyota e MG Motor — a sino-britânica que acaba de lançar o extremamente competitivo MG4 Urban (leia aqui).

Caoa-Chery Tiggo 7 Sport – Foto: divulgação

O executivo colocou os principais alvos, e não haveria espaço para mostrar todos naquela ocasião, mas ao citar as marcas acima, podemos incluir Fiat, Chevrolet, Honda, Nissan… 

OS ALVOS DA OMODA & JAECOO

Jaecoo 7 2026 PHEV
Jaecoo 7 2026 (foto: Flávio Silveira)

Duas marcas com carros bem distintos — confesso que ainda não entendi o porquê — unidas em uma só, elas vêm crescendo significativamente no mercado brasileiro. Curioso que a Jaecoo faz carros que parecem ser da Range Rover, mas as marcas rivais listadas foram BYD e Kia.

Omoda 5 HEV 2026 dianteira
Omoda 5 HEV 2026 (foto: Flávio Silveira)

OS ALVOS DA iCAUR

Mais uma vez, os carros se parecem com versões alternativas do Land Rover Defender (leia mais aqui). O nome da marca mudou de iCar para iCaur por causa da Apple, mas o alvo listado foi a Jeep — e isso está relacionado, também, à faixa de preços. Leia mais sobre a iCaur aqui.

iCaur V27 REEV
iCaur V27 REEV (divulgação)

Observando nosso mercado, ela vai brigar também com conterrâneos como os GWM Tank, os Jetour mais quadrados… e pode até acabar roubando clientes de marcas mais tradicionais de olho em aventuras reais ou não.

iCaur V27 REEV
iCaur V27 REEV (divulgação)

OS ALVOS DA LEPAS

Inicialmente pareceu que só teria carros elétricos, mas já promete também híbridos plugáveis. Na apresentação, a Lepas foi mostrada como rival da Mazda. Talvez por causa do design? Não entendi bem, porque, neste aspecto, os SUVs lembram mais os Porsche — mas claro que não vai roubar clientes da marca, ao menos não tão cedo.

Lepas 6
Lepas 6 (fotos: Flávio Silveira)

Não temos Mazda por aqui, mas, pelo que vi do carro em um rápido contato, também em Wuhu e emPequim, imagino que vá disputar principalmente com modelos da GAC e da Caoa-Changan, entre outros. Ainda é cedo para prever, uma vez que os carros nem foram lançados.

Lepas 4 em Wuhu, China
Lepas 4 em Wuhu, China (fotos: Flávio Silveira)

OS ALVOS DA EXEED

Exeed RX, lançamento confirmado pela marca no Brasil – Foto: Reprodução/Facebook

A apresentação mostrou a árvore da Exeed ainda pequenina, é uma marca que está nascendo, como a Lepas. A proposta é de luxo — mas não superluxo, o que cabe à Luxeed (outra divisão que ainda não ficou muito clara). A rival listada foi a Lexus, então podemos pôr no pacote, imagino, BMW, Mercedes-Benz e Audi, além da conterrânea Denza.

Lilian Xiong, vice-presidente da Exeed Internacional – Foto: Divulgação

Grande desafio

Diante de tantas opções, o principal desafio será a gestão das diferentes redes — algumas marcas vão operar nas já existentes (como a iCaur, que estará junto com Omoda & Jaecoo). Ainda há a questão de fábricas para produção nacional, pós-vendas e aceitação do consumidor.

Os rivais da Chey International
O Omoda 4 e os rivais da Chery International em apresentação em Wuhu, China (foto: Flávio Silveira)

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