O Chevrolet Sonic 2027 finalmente foi revelado oficialmente para toda a América do Sul. O lançamento, realizado ontem no Distrito Anhembi, teve pompa de superprodução, com a presença de 2 mil jornalistas, influenciadores e concessionários de todo o continente. São duas versões de topo, a luxuosa Premier, de R$ 129.990, e a esportiva RS, de R$ 135.990 —opções mais baratas devem chegar depois.

Foi o maior evento já realizado pela marca no Brasil, e tentou vender a ideia de uma “nova era”. Mas, na prática, o que temos é a receita clássica de aproveitar a plataforma de um compacto de sucesso para fazer um “SUV” — assim mesmo, entre aspas.

Mas, se o Argo se transformou em Pulse e o Polo virou Nivus, por que o Onix não teria o direito de “virar” um utilitário esportivo também? Afinal, este é o tipo favorito de carro para mais da metade dos consumidores brasileiros.

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Chevrolet Sonic RS

Um Onix com nova frente, “músculos” e salto alto

Como acontece com os rivais — de muito sucesso, por sinal — por baixo da lataria, não há mistério: o DNA é de Chevrolet Onix.

A própria GM se orgulha de o carro ter “80% do conteúdo local e gerar empregos no país” — e de fato isso é bom, além de facilitar a manutenção por ter mecânica conhecida e “nacional”, mas tira o fator novidade.

Chevrolet Sonic Premier (foto: Flávio Silveira)
Chevrolet Sonic Premier (foto: Flávio Silveira)

Para reforçar que é “outro carro”, a dianteira foi bastante modificada: o Chevrolet Sonic tem faróis e luzes diurnas separados, grade bipartida e lanternas interligadas — como é moda entre os SUVs de verdade —, entre outros recursos de design que de dão ao carro um visual autêntico e atraente.

Para enxergar a origem no Onix, é preciso olhar o carro de perfil — e, principalmente, por dentro. Para justificar o título de SUV, como é de praxe, a marca “bombou” o visual do hatch.

O detalhe é que chamam o novo Chevrolet Sonic de SUV-cupê, o estilo é um exercício de design para, por meio de técnicas e “truques” de desenho conhecidos, para tentar dar exclusividade a uma base comum. Mas observe as imagens abaixo:

SONIC VS ONIX

Chevrolet Sonic RS
Chevrolet Sonic RS (foto: Flávio Silveira)
Chevrolet Onix Premier
Chevrolet Onix Premier (reprodução)

O Chevrolet Sonic é o famoso “hatch bombado”, com capô mais alto, vincos para parecer “musculoso”, um balanço traseiro pronunciado para forçar um porte que ele não tem originalmente.

O aerofólio alongado e curvo tenta dar a impressão de que coluna e vidro traseiros são mais mais inclinados — o que faria dele um “cupê”.

Mas temos que concordar que a engenharia da Volkswagen trabalhou muito mais com a transformação do hatch Polo no SUV-cupê Nivus, um dos principais alvos da novidade da Chevrolet, certo? Vejamos a mesma comparação abaixo:

VW Polo está em primeiro dentre os mais vendidos de julho
VW Polo Highline 2025 – Foto: VW/divulgação
VW Nivus Comfortline 2026 – Foto: Lucca Mendonça

Interior familiar

Por dentro, a cabine é familiar — mais por lembrar o Onix do que por acomodar bem uma família. O (pouco) espaço no banco traseiro faz lembrar do irmão menor, e colocaram algumas espumas extras nos bancos e nas portas dianteiras para tentar afastar a sensação de se estar em um carro popular. Mas esqueceram de adicionar saídas de ar para quem vai lá atrás.

O porta-malas, por outro lado, é bom: tem 392 litros de capacidade, embora a abertura de acesso seja meio pequena e alta. Para comparação, o hatch leva 275 litros e o sedã acomoda 469 litros.

Chevrolet Sonic RS
Chevrolet Sonic RS (foto: Flávio Silveira)

Para diferenciar o painel do Chevrolet Sonic do já usado no Onix e ajudar a justificar o “upgrade”, a GM apostou nas telas, nova obsessão dos consumidores (e dos fabricantes, porque geram uma economia enorme ao substituir botões e comandos físicos).

No mais, comandos de ar-condicionado, elementos do volante, alavanca do freio de mão e quase todo o resto é igual ao que se vê hatch. 

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O destaque é a peça única no painel, que normalmente é vista em modelos maiores e mais luxuosos — e também no Changan Uni-T — que junta o cluster de 8 polegadas com a central multimídia/de controle de 11 polegadas. Esse é o principal diferencial visual do interior do carro em relação ao resto da família Onix.

Chevrolet Sonic RS
Chevrolet Sonic RS (foto: Flávio Silveira)

Aposta na tecnologia

Para dar um toque de modernidade e chegar mais perto dos rivais chineses que invadem o mercado, a marca aposta em um pacote de segurança com seis airbags e pacote Adas que inclui frenagem de emergência (8 a 130 km/h), alerta de ponto-cego e assistente ativo de manutenção de faixa — na verdade, itens já considerados “básicos” para quem quer competir na faixa dos 130 mil reais.

Chevrolet Sonic RS
Chevrolet Sonic RS (foto: Flávio Silveira)

Há também, conectividade sem fio com Android e Apple, internet 5G embarcada e controles por aplicativo, e, ainda, sistema de segurança/concierge OnStar: o plano Basics está incluído por oito anos e dá acesso ao aplicativo myChevrolet, diagnósticos remotos, localização do veículo e comandos a distância, como travar e destravar portas ou ligar o motor para climatizar a cabine.

painel do Chevrolet Sonic RS 2027
Chevrolet Sonic RS 2027 (foto: divulgação)

O plano Protect, pago, adiciona serviços de segurança e emergência 24 horas, e o veículo passa a contar com um ponto de acesso wi-fi a bordo (com franquia de dados dedicada). O plano pode ser gratuito por até três meses, dependendo da negociação.

GALERIA DE FOTOS DO CHEVROLET SONIC RS 2027

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Equipamentos

O Chevrolet Sonic estreia com seis opções de cores (Azul Boreal, Branco Summit, Prata Shark, Preto Ouro Negro, Vermelho Scarlet e o inédito Cinza Urbano), e entre os equipamentos, estão: painel digital, multimídia com wi-fi, assistente de estacionamento (sem controle de aceleração/freio e apenas na versão RS, R$ 6 mil mais cara), ar-condicionado digital, câmera de ré, sistema de iluminação full LED e rodas de liga leve aro 17.

Chevrolet Sonic RS
Chevrolet Sonic 2027: freio de estacionamento não é eletrônico (foto: Flávio Silveira)

Mecânica conhecida

O motor é do novo Chevrolet Sonic o conhecido 1.0 turbo com injeção direta, mas com uma calibração diferente, que o deixou com 115 cv de potência e 185 Nm (18,9 kgfm) de torque. A marca indica 0-100 km/h “na faixa dos 10 segundos” e 80-120 km/h em razoáveis 8 segundos.

Acertos específicos de suspensão e direção têm foco no asfalto e na economia de combustível — segundo o Inmetro, o Chevrolet Sonic, na estrada, faz 14,8 km/l com gasolina e 10,4 com etanol (dificilmente vai valer a pena, financeiramente, usar etanol).

Chevrolet Sonic RS

Além do visual de SUV, o modelo deve ter uma boa capacidade “off-road light”, graças às suspensões elevadas, com bons 20 cm de vão livre do solo (na medida entre os eixos). Se o acerto ficou bom, saberemos mais adiante — o evento, embora grandioso, ainda não teve test drive, ficando restrito à exibição estática do Chevrolet Sonic.

Uma ideia bem vendida

A estratégia da GM é clara: ocupar o espaço entre o futuro Onix Activ, um hatch aventureiro, e o Tracker com um carro que vive de aparência. É um produto que nasce de olho nos números, aproveitando a escala das joint-ventures chinesas para entregar um pacote tecnológico atualizado em uma embalagem de “SUV” que o brasileiro adora.

Se ele é “nota 15” como o presidente Thomas Owsianski sugeriu, o mercado dirá. Os concessionários presentes ficaram animados com o carro e o preço, enquanto a reportagem falou com alguns que reclamavam das baixas vendas do Tracker no varejo.

Por enquanto, o novo Chevrolet Sonic 2027 é a prova de que, com um bom jogo de luzes, algumas novas chapas, para-choques e conjuntos ópticos – sem falar no maior investimento em publicidade da história da marca — um hatch pode, sim, se passar por um modelo exclusivo. E deve vender bem, considerando o poder da rede Chevrolet.

GALERIA DE FOTOS DO CHEVROLET SONIC PREMIER 2027
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