Quem nunca se intimidou diante de uma Chevrolet Veraneio pintada com as cores da polícia, com o giroflex no teto piscando forte a luz vermelha? Foram várias gerações com esse temor.

O modelo foi lançado em 1964, baseado na picape C14 da Chevrolet, produzida em São Caetano do Sul nos anos 60. Inspirada em projetos norte-americanos, a Chevrolet do Brasil criou uma versão perua de sua picape. No lançamento, foi batizada de C1416, uma denominação puramente técnica, sem emoção ou apelo comercial. Era simplesmente a C14 com carroceria fechada e suspensão traseira com molas helicoidais no lugar do feixe de molas do utilitário de origem.

Chevrolet Veraneio 1965 – Foto: divulgação

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Veraneio era multiuso

O objetivo da General Motors era oferecer um produto robusto e confiável, tanto para o trabalho quanto para o transporte de pessoas. Trazia grade dianteira imponente com quatro faróis e dimensões dignas de um grande veículo: mais de cinco metros de comprimento e quase dois metros de largura.

Chevrolet Veraneio 1965 – Foto: divulgação

Para mover suas mais de duas toneladas, a C1416 era equipada com motor Chevrolet de seis cilindros em linha, 4.3 litros, e câmbio de três marchas na coluna de direção, solução que liberava espaço para um banco dianteiro inteiriço capaz de acomodar três pessoas. Na traseira, “o outro sofá” levava mais três passageiros com conforto. Eram seis ocupantes bem instalados.

Chevrolet Veraneio 1967 – Foto: divulgação

Era grande e imponente, e logo virou viatura

Mesmo com o generoso espaço interno, ainda sobrava um imenso bagageiro. Graças às dimensões avantajadas, já em 1964 as Polícias Militares de todo o país viram na C1416 uma grande aliada contra o crime. Desde o início, foi associada à atividade policial. Era imensa, rápida para a época, tinha amplo espaço traseiro para transporte de presos e impunha respeito. Tornou-se febre entre as corporações e, por isso, nunca foi vista apenas como carro familiar. A imagem de viatura falava mais alto.

Novidades ao longo dos anos

Em 1969, recebeu a primeira reestilização. A grade foi redesenhada, os quatro faróis deram lugar a dois e surgiram outros retoques visuais. Finalmente deixou a sigla técnica C1416 e passou a se chamar Veraneio. Além das polícias, a Chevrolet queria conquistar as famílias com sua perua de grandes dimensões.

Chevrolet Veraneio 1969 – Foto: divulgação

Em 1970 veio uma alteração técnica importante. O antigo motor 4.3, herdado dos caminhões da marca, deu lugar ao novo 4.1, o mesmo do Opala. Mais leve, embora também de ferro fundido, entregava praticamente a mesma potência, torque ligeiramente menor e consumo bem mais contido. Pesava cerca de 60 quilos a menos que o 4.3. A Veraneio ficou mais suave, leve e econômica, sem perder desempenho. Pelo contrário, a redução de peso trouxe melhora perceptível. Foi um salto importante na vida da peruona.

Chevrolet Veraneio 1969 – Foto: divulgação

Com a reestilização de 1969 e o novo motor em 1970, a Veraneio começou a ser vista também como um grande e confortável carro de família. O conservadorismo permanecia no câmbio de três marchas na coluna, mas ele garantia mais espaço interno.

Em 1976 surgiu outra novidade relevante: o banco inteiriço dianteiro deu lugar a dois assentos individuais, e a alavanca de mudanças passou para o assoalho. A Veraneio ganhou câmbio de quatro marchas com alavanca no console. A mudança melhorou a performance, pois o motorista passou a dispor de uma relação extra para explorar o motor, além de reforçar o apelo familiar e dar um toque de modernidade.

Chevrolet Veraneio 1975 – Foto: divulgação

Não era rainha da performance

Ainda assim, não se iluda. A Veraneio era uma perua derivada de picape, com mais de cinco metros de comprimento, quase dois de largura e cerca de 2.200 quilos. Quem buscava alta performance estava no endereço errado. Centro de gravidade elevado e muito peso faziam o modelo inclinar nas curvas e não favorecer altas velocidades. Nada a ver com os SUVs modernos, que apresentam comportamento próximo ao de sedãs e hatches equivalentes.

Chevrolet Veraneio 1980 – Foto: divulgação

Outra mudança importante veio em 1979, quando os freios a tambor dianteiros deram lugar aos discos, elevando a segurança. A direção hidráulica também passou a equipar o modelo, tornando a condução mais confortável e menos pesada. No início dos anos 80, a GM passou a oferecer o motor quatro cilindros do Opala, visando economia. O consumo melhorou, mas o desempenho ficou mais modesto. Alterações de design foram feitas ao longo da década, porém a estrutura básica dos anos 60 já dava sinais de cansaço.

Nova geração em 1989

Chevrolet Veraneio 1989 – Foto: divulgação

Em 1989 nasceu uma nova Veraneio. Em vez da antiga base da C14, a nova geração passou a utilizar a plataforma das picapes D20. Mais quadrada, confortável e estável graças ao projeto atualizado, oferecia opções de motores quatro e seis cilindros e apresentava proposta mais alinhada aos anos 90. Era também o início da abertura do mercado brasileiro aos importados. Não havia espaço para produtos defasados. A GM tratou de adotar injeção eletrônica para manter o modelo competitivo junto a empresas e governos, já que as famílias não demonstravam o mesmo interesse de antes.

Chevrolet Veraneio 1989 – Foto: divulgação

Veraneio durou 30 anos

A Veraneio resistiu o quanto pôde, mas três décadas após o lançamento era hora de encerrar o ciclo. Em 1994 saiu de linha, e logo foi substituída pela Blazer e pela Grand Blazer, mais modernas e adequadas ao mercado da época. Ainda assim, a velha perua construiu uma trajetória de respeito no mercado nacional. Foram 30 anos enfrentando as intempéries da economia brasileira e resistindo com bravura. Deixou saudade em muitos e medo em outros, dependendo de como cada um encarava aquela imponente perua.

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