Chinês à Brasileira

Emissão DE Co2 n/d g/km Sem Dados

JAC J3 Turin R$ 39.900 sugerido

“Esse é o carro do Faustão?” Não sei quantas vezes respondi a essa pergunta durante a avaliação do J3 Turin. A ligação do apresentador aos modelos da novata JAC foi uma cartada de mestre. As pessoas precisavam do aval de alguém em quem confiassem para investir quase R$ 40 mil em um carro de uma montadora da qual nunca ouviram falar. Deu certo. As vendas não param de crescer. A JAC está abrindo mercado para os próximos chineses, que encontrarão menos resistência por parte dos brasileiros. Uma mudança de paradigma anunciada por MOTOR SHOW na capa de dezembro de 2010, que trazia a frase: Carro chinês – Você ainda vai ter um.

Compacto, o J3 é menor que um VW Voyage. Bom para quatro passageiros, tem porta-malas de 490 litros, dentro da média. O acabamento parece adequado, com textura e detalhes cromados de bom gosto. Mas um olhar atento revela ausência de material emborrachado, excesso de plástico duro, brilho acentuado e rebarbas em zonas de contato. Mas esses defeitos não são exclusividade chinesa. Muitos nacionais baratos (e outros nem tanto) têm problemas parecidos.

No painel, a sobreposição do conta-giros ao velocímetro atrapalha a leitura. Incomoda também a ausência da trava central nas portas. Elas trancam ao se atingir 15 km/h e depois, para abrilas, só retirando a chave do contato. Perigoso em emergências. A opção é levantar o duríssimo pino da porta manualmente – o que é bem difícil.

Por R$ 39.900, o J3 tem airbags, ABS, ar, direção hidráulica, vidros elétricos, farol com ajuste elétrico, sensor de estacionamento, CD, banco bipartido e rodas de liga. Bem mais que os rivais de mesmo preço.

O motor 16 V de 108 cv é o mais potente 1.4 aspirado do mercado, mas não tem desempenho brilhante. O bom torque de 14 kgfm aparece em altas rotações, e é preciso fazer o motor “gritar” para arrancar desempenho. Ainda assim, ele ganha agilidade depois das 2.500 rpm e roda bem no trânsito, apesar de impor exaustivas trocas de marcha. A suspensão, bem confortável, compromete o comportamento dinâmico. O carro não é inseguro, mas o balanço nas curvas desagrada.

No final, computando seus defeitos e qualidades, o JAC J3 (hatch ou sedã) não fica devendo muito aos modelos nacionais. Se provar ser um produto confiável, tem tudo para se estabelecer, de vez, como o primeiro grande sucesso chinês no Brasil.

No alto, o painel com acabamento apenas razoável, mas dentro da média. Acima, o conta-giros integrado ao velocímetro, com leitura ruim, e o som, cuja entrada mini-USB requer um adaptador para pen drives

J3 Turin

Motor quatro cilindros em linha, 1,4 litro, 16 V, DOHC Transmissão manual, cinco marchas, tração dianteira Dimensões comp.: 4,16 m larg.: 1,65 m alt.: 1,47 m Entre-eixos 2,400 m Porta-malas 490 litros Pneus 185/60 R15 Peso 1.100 kg • Gasolina Potência 108 cv 6.000 rpm Torque 14,0 kgfm a 4.500 rpm Velocidade máxima 186 km/h 0 100 km/h 11,9 segundos Consumo não disponível Consumo real não disponível

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