Choque Cultural

Roberto Assunção

Qual é o melhor esportivo?

Há poucas coisas tão tipicamente inglesas quanto um Mini. Mas o fato é que o Mini não é mais tão inglês assim. Apesar de seguir fabricado na terra da rainha, essa terceira geração de sua versão “pós-moderna” usa, pela primeira vez, uma plataforma alemã (além do motor, que já não era inglês há tempos). É a chamada UKL, que será compartilhada com os futuros BMW de tração dianteira – incluindo o novo X1, já confirmado para a fábrica que a marca inaugura até o fim do ano em Santa Catarina (para quem não lembra, a Mini foi adquirida em 1994 pela BMW e a fábrica brasileira produzirá modelos das duas marcas).

O Mini Cooper S é a versão mais apimentada desse inglês com sotaque alemão. É o escolhido para enfrentar o “mais alemão impossível” Volkswagen Golf GTI, mais rápido esportivo à venda hoje por menos de R$ 100.000 (R$ 99.990, para ser exato). O Cooper S é um pouco mais caro, partindo de R$ 107.950, e isso o deixa, de cara, em desvantagem. Embora os valores fiquem próximos dependendo dos opcionais escolhidos – o Golf chega a R$ 136.111 e o Mini a R$ 124.950 –, o Volks é sempre mais equipado ou mais barato. Mas, independentemente disso, qual é a melhor escolha? 

Além do pé direito

Esportivos são para acelerar, mas não só. Antes de ver como se saem no asfalto, vejamos o que oferecem a bordo. Aqui, a grande diferenciação está na versatilidade. Nesse ponto, o Golf, vendido só com quatro portas e bem mais espaçoso, leva vantagem sobre o Mini – que, com duas portas e 32 cm menor, é mais apertado e limitado (tente usar uma cadeirinha de bebê nele). Dependendo do seu perfil como consumidor, portanto, o comparativo se decide aqui. Mas vamos adiante. 

Além de mais versátil, o Golf tem um interior mais germânico, sem deslizes. O design é clássico, a posição ao volante é excepcional, comandos e instrumentos estão no lugar certo e a iluminação com LEDs é discreta e eficiente. Tudo muito funcional e bem-acabado. Mas você não é obrigado a gostar disso – pode até achar sem graça. E aí há o Mini, que sempre foi o oposto disso, com seu velocímetro central de leitura difícil, a chave “ao contrário”, os botões difíceis de distinguir… Detalhes charmosos, mas nada práticos. Nessa geração, parte se manteve, parte foi corrigida. O velocímetro é convencional e o acabamento foi aprimorado, mas o Mini não podia perder sua identidade, então alguns inconvenientes foram mantidos – e algumas novidades “moderninhas” não caíram nada bem: a iluminação colorida é controversa e forte demais à noite, o freio de estacionamento atrapalha o acesso à entrada USB e há comandos (como os da central multimídia) que continuam mal posicionados. 

As listas de equipamentos de série das versões básicas, como se vê na tabela abaixo, são próximas. Na faixa de R$ 120.000, porém, o Golf oferece muito mais itens exclusivos de conforto e segurança – divididos em dois pacotes, além do teto panorâmico avulso (não muito maior que um normal, enquanto o Cooper S tem um charmoso teto solar duplo).

Kart ou carro?

Se você acha que o que importa em um esportivo é só prazer ao volante, tudo até agora são detalhes. Vamos, então, “ao que interessa”. Para começo de conversa, mecânica e desempenho são similares. Ambos têm tração dianteira e motores 2.0 turbinados com injeção direta e muita força em baixas rotações. Embora o GTI leve boa vantagem na potência e torque (220 cv e 35,7 kgfm contra 192 cv e 28,5 kgfm), sua superioridade nas medições de desempenho é apenas
discreta: 0-100 em 6,5 segundos e máxima de 244 km/h, contra 6,7 segundos e 233 km/h do Mini Cooper S. Não é suficiente para decidir a compra, mas são números surpreendentes, considerando que o inglês não é nem 70 quilos mais leve e o câmbio da Volks, automatizado de dupla embreagem, é mais rápido que o (ótimo) automático do rival – ambos com seis marchas. Ainda em comum, os dois têm controle de chassi, que permite alterar respostas de motor, câmbio e volante, além de modos econômicos que permitem marcas de até 15 km/l de autonomia na estrada.

Mas qual, afinal, garante mais prazer ao “piloto”? Mais uma vez, depende do gosto. O marketing do Mini Cooper S sempre foi feito em cima do “go-kart feeling”, a sensação de se estar guiando um kart. De fato, ela sem pre existiu, e continua presente na posição de dirigir baixíssima, na direção direta, nas suspensões duras e no generoso torque steer (você acelera forte e o carro puxa para o lado). Algumas dessas características foram atenuadas agora, mas não eliminadas. E o fato é que a “sensação de kart” torna tudo um pouco cansativo: a direção puxa para o lado nas acelerações e exige correções em alta velocidade, as suspensões sacrificam o conforto e o ruído é alto.

O Golf GTI, por outro lado, é melhor para o uso no dia a dia. Suas suspensões são mais macias, embora ainda bastante firmes, e ele responde ao motorista com mais classe e elegância – como um legítimo gentleman, apesar de o inglês aqui ser o Mini Cooper S. Obedece sem questionar, entrega tudo mais linearmente. O torque cresce de modo agradável, não corrompendo a direção como no rival, e o volante tem um peso menos artificial. É um carro que deixa o motorista mais confiante, com sensação de maior segurança. Seu pecado está na demora para responder ao acelerador: o turbo-lag é exagerado, enquanto o Cooper S, com sua turbina de duplo caracol (TwinPower), reduz esse retardo de resposta.

Mais por menos

Além de ter preço mais baixo, rede maior, garantia mais longa e manutenção mais barata, o Golf GTI é maior, mais versátil e equipado. Para completar, tem mais força e potência e é mais agradável ao volante, sem ser anestesiado ou sem graça – pelo contrário. Sem dúvida é superior. Mas claro que você pode preferir um carro com design mais ousado e uma atitude mais desafiadora, que exige envolvimento maior e constante do motorista. Nesse caso, abra mão de algumas coisas e fique com o Cooper S.

 

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