Comparativo: Honda Civic vs. Toyota Corolla

Ousadia e tradição na guerra dos sedãs médios. De um lado, o desafiador Honda Civic 2.0 EXL; de outro, o líder Toyota Corolla 2.0 XEi. Ambos com câmbio CVT

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O Civic mudou – e mudou demais. No entanto, o Corolla continua vendendo – e vendendo demais. Mesmo assim, a Toyota decidiu fazer alguns ajustes para a linha 2018 do sedã predileto do Brasil (com 17.905 licenciamentos, já ultrapassou até o Chevrolet Prisma, que é muito mais barato). Afinal, a Honda cativou o público mais jovem com o visual e a dirigibilidade do novo Civic. Por isso, a escolha entre um e outro continua sendo difícil. Nesse comparativo, reunimos duas versões com motor 2.0 naturalmente aspirado (o Corolla tem também versões 1.8 e o Civic tem uma versão 1.5 turbo).

O Toyota Corolla XEi custa R$ 103.990 e é o mais barato da linha com motor 2.0 (o XRS sobe para R$ 109.500 e o Altis chega a R$ 116.990). Já o Honda Civic EXL custa R$ 105.900 e é o mais caro da linha com o bloco 2.0 (o EX cai para R$ 98.400 e o Sport automático sai por R$ 94.900). Os dois sedãs japoneses usam transmissão automática tipo CVT (continuamente variável), com sete marchas simuladas, que podem ser trocadas por meio das borboletas atrás do volante. A potência é praticamente a mesma com etanol (155 cv no Civic; 154 cv no Corolla) e melhor no Honda com gasolina (150 contra 143 cavalos).

Se os números são equilibrados, alguns detalhes mostram as diferenças entre esses dois rivais japoneses quando você está ao volante ou a bordo de um deles. Dentro do novo Civic, a sensação de amplitude é muito maior. Isso porque o novo design do Honda deixou os vidros frontal e vigia bastante inclinados. Assim, a inclinação frontal aumenta o espaço entre o motorista e a base do para-brisa, enquanto a vigia traseira dá grande esportividade ao visual do carro, que pode até ser confundido com um cupê de quatro portas. Para além de favorecer a aerodinâmica (o que permitiu ao Civic ter um porta-malas 49 litros maior que o do rival), o ângulo de inclinação das colunas A e C dizem muito sobre o caráter desses carros.

Dentro do Honda Civic, o motorista vai encontrar um painel elevado, especialmente na atrás do volante. Pena que a Honda tenha exagerado na modernidade do quadro de instrumentos, pois as marcações digitais do conta-giros e do nível de combustível são ruins de ler. Ao volante do Corolla a sensação é bem diferente. O painel fica mais baixo, passa até uma sensação de carro antigo para quem acaba de sair do Civic, com o parabrisa bem mais próximo do motorista. Existe uma clara percepção de que o carro é menor. Em compensação, a simplicidade do Corolla dá a ele um quadro de instrumentos perfeito – simples, bonito e fácil de ler. Se bem que as antiquadas alavancas que servem para abrir internamente o porta-malas e o tanque de combustível não combinam com um carro de R$ 100 mil – nesses itens, a solução do Civic é mais moderna.

Na linha 2018, o Corolla também ganhou uma central multimídia mais atualizada do que tinha antes. Entretanto, a interface do sistema é péssima (e isso acontece também em outros modelos da Toyota). Trocar de estação de rádio ou fazer uma simples ligação telefônica requer boa dose de paciência. Sorte da Toyota que o sistema de conectividade do Civic também não é dos mais simples. Na verdade, o Honda traz um excesso de botões (os do ar-condicionado parecem ser os do rádio) e até para aumentar a ventilação é preciso mexer três vezes nos comandos. Ambos são muito bem equipados, com Android Auto e CarPlay, mas deveriam ser mais fáceis de usar. E é preciso fazer um certo contorcionismo para encaixar um cabo USB no Civic, pois a entrada fica escondida debaixo do console central, bem à frente.

Quando os dois carros estão em movimento, porém, o Corolla mostra por que é tão cultuado pelos consumidores brasileiros. Apesar de ter valores similares ao do Civic, o motor 2.0 do Toyota entrega a potência máxima e todo o torque com menos giros. Isso faz com que o carro seja ágil na cidade e dinâmico na estrada. O Civic 2.0, por sua vez, dá a sensação de ser um tantinho amarrado. Também é digno de nota no Toyota o casamento perfeito entre o motor Dual VVTi e a transmissão CVT. E o volante de couro, com pegada grossa, em posição mais baixa para os braços, aumenta o conforto do motorista. Vale dizer que o acabamento do Corolla também é impecável e compensa a sensação inicial de que o carro é menor. E é (no comprimento e na largura, 17 e 23 mm, respectivamente). Em altura, o Civic é 52 mm menor, porém isso não prejudicou seu espaço interno. A distância entre-eixos dos dois é exatamente a mesma (2,700 m).

Ser mais baixo e mais largo dá ao Civic uma ligeira vantagem em estabilidade. Se isso não bastasse, ele também tem suspensão independente na traseira, enquanto o Corolla ainda usa o eixo de torção. Como os amortecedores traseiros do Civic absorvem individualmente as irregularidades do piso, ele é mais estável do que o Corolla em algumas situações. Para quem gosta de dirigir de forma esportiva (algo raro no perfil de compradores desses dois carros), o Civic é mais interessante. Todavia, outro fator que pode ajudar o Corolla no mercado é o fato de ser mais macio ao rodar (o Civic tem as suspensões mais duras e sofre em algumas ruas muito ruins).

Visualmente, é inegável que o Civic está um passo à frente. Apesar de as lanternas traseiras parecerem meio exageradas, o fato é que elas dão imponência a essa décima geração do Honda. As rodas diamantadas de cinco raios duplos, com fundo preto, realçam a esportividade do Civic. Mas talvez a grande virtude do Corolla seja exatamente o fato de ter um desenho conservador. Os três volumes são bem marcados no Toyota e passam uma imagem de tranquilidade e confiabilidade aos consumidores. Por isso, altos executivos da Toyota já disseram que o Corolla não seguirá a mesma toada da Honda (pelo menos na linha 2018 foi o que vimos).

Em nossas notas, o Civic venceu esse comparativo por apenas 1 décimo (3,5 contra 3,4 estrelas). Dos dez itens pontuados, ele foi superior em segurança e multimídia, perdendo em equipamentos. A decisão de compra por um ou outro, entretanto, depende muito mais do estilo do consumidor do que das diferenças técnicas entre os carros. Pelo que mostrou nesse duelo, o Corolla 2018 ainda têm fôlego para se manter à frente no mercado. Mas não seria assim se o Civic EXL viesse equipado também com o motor ótimo 1.5 turbo de 173 cv do Civic Touring (vencedor da Compra do Ano 2017). De janeiro a abril deste ano, o Toyota Corolla teve uma venda média de 4.476 unidades/mês (40,2% de sua categoria), enquanto a média do Honda Civic é de 2.458 unidades/mês (22,1%). Se você é de vanguarda, prefira o Civic; se é conservador, fique com o Corolla.

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