CKD, SKD, e outra sopa de letrinhas. Quando um novo modelo chega ao mercado brasileiro, a pergunta quase sempre aparece: esse carro é importado ou fabricado aqui? A resposta, na prática, pode ter mais camadas do que parece. Entre trazer pronto de outro país e produzir totalmente no Brasil, existe um meio de campo cheio de siglas, estratégias e interesses econômicos.

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BYD Dolphin Mini nacional - Foto: divulgação - Vendas de híbridos e elétricos
BYD Dolphin Mini nacional – Foto: divulgação

No fim das contas, tudo gira em torno de custo, escala e planejamento de longo prazo. Quanto maior o volume e a aposta no mercado local, mais sentido faz investir em produção nacional. Quanto menor o volume, mais lógica tem importar ou montar por aqui de forma parcial. Entenda melhor essa série de siglas: CKD, SKD e afins..

Importação completa, o caminho mais simples

GWM Haval H6 GT chegando no porto brasileiro – Foto: GWM/divulgação

A forma mais direta de vender um carro no Brasil é trazê-lo pronto de fábrica, já montado em outro país. Nesse caso, o veículo chega ao porto como produto final, passa por desembaraço aduaneiro, homologação e segue para a rede de concessionárias. Essa estratégia é comum para modelos de nicho, esportivos, luxo ou carros que a marca não pretende vender em grandes volumes por aqui. O lado negativo é o preço. Impostos de importação e logística encarecem bastante o produto final. Do ponto de vista da fabricante, é rápido e barato para começar a vender.

SKD, montar por partes grandes

Chevrolet Spark EUV montado no Brasil – Foto: divulgação

Uma alternativa intermediária é o SKD, sigla para Semi Knocked Down. Nesse formato, o carro não vem totalmente desmontado, mas também não chega pronto. Grosso modo, a fabricante envia grandes conjuntos já montados, como carroceria, motor e câmbio, e faz a montagem final no Brasil. É uma espécie de quebra-cabeça em blocos grandes.

Essa estratégia costuma reduzir parte dos impostos e permite algum nível de produção local, sem exigir uma fábrica completa. É comum quando a marca quer testar o mercado ou vender volumes moderados sem assumir um investimento pesado.

CKD, desmontado para montar aqui

Carros importados
Fábrica da BYD em Camaçari (BA) – Foto: Divulgação

O CKD, Completely Knocked Down, é um passo além. Nesse caso, o carro vem totalmente desmontado, em peças, e é montado no Brasil quase como se fosse produzido aqui. A diferença é que muitas etapas industriais ainda acontecem fora do país, geralmente as mais complicadas, como estamparia ou pintura. O Brasil entra mais como local de montagem e integração das partes do que como centro completo de fabricação.

O modelo CKD permite ganhos fiscais relevantes e gera empregos locais, mas ainda depende bastante da cadeia produtiva estrangeira. É uma solução típica de marcas que querem presença industrial sem bancar uma fábrica completa do zero.

Fabricação nacional, o nível máximo de compromisso

Linha de produção do VW Virtus em São Bernardo do Campo – Foto: divulgação

Produzir um carro no Brasil de verdade significa muito mais do que montar peças importadas. Envolve estamparia, solda de carroceria, pintura, montagem final e, em muitos casos, fornecedores locais de motores, câmbios, eletrônica e componentes. Esse é o caminho mais caro e complexo, mas também o mais estratégico: quem fabrica aqui costuma ter preços mais competitivos, maior controle sobre custos e adaptação do produto ao mercado brasileiro.

O que isso muda para você, comprador

Na prática, tudo isso impacta três coisas: preço, disponibilidade e pós-venda. Carros totalmente importados tendem a ser mais caros e às vezes sofrem com demora de peças. Modelos montados por SKD ou CKD ficam no meio do caminho. Já veículos fabricados no Brasil costumam ter manutenção mais simples, rede de fornecedores maior e custos mais previsíveis. Mas, na hora de dirigir ou aproveitar as qualidades do modelo, é basicamente tudo igual…