Como a Tesla é ameaçada por uma “besteira” da novata Nikola

Novata na produção de veículos elétricos, a Nikola Motor Company se valorizou com a promessa de uma picape para enfrentar a Tesla Cybertruck. Mas sua grande sacada está em apostar no hidrogênio

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A Nikola Motor Company é uma nova montadora de veículos elétricos que chamou a atenção do mundo esta semana. Fundada em 2015, ela fez sua Oferta Pública de Ações na semana passada. Agora, seus papéis quase dobraram de valor. O motivo foi um tweet de seu fundador e CEO, Trevor Milton, que revelou a picape Nikola Badger, que chega para enfrentar a polêmica Tesla Cybertruck (leia aqui).

Aposta no hidrogênio

Mas o motivo para tamanho sucesso no mercado de ações não é só esse. A novata Nikola Motor Company pode estar acertando justamente em um ponto que Elon Musk, o polêmico CEO da Tesla, já chamou de “besteira”. Seria a aposta no uso do hidrogênio, nas chamadas células de combustível (leia aqui como funcionam), em vez das tradicionais baterias.

Embora a célula de combustível sempre tenha sido o plano principal para os carros elétricos de algumas marcas, como a Mercedes-Benz e a Toyota, o atraso no seu desenvolvimento fez com que muitas dessas marcas investissem, a contragosto, em modelos elétricos “convencionais”, a bateria (leia aqui a respeito de como a Toyota vê as duas tecnologias).

Para sua picape (e caminhões), a Nikola aposta no hidrogênio. Além de versões a bateria, a nova marca investirá em célula de combustível. Enquanto isso, Elon Musk, em uma apresentação a funcionários em 2013, disse que “muitos dizem que os carros elétricos não vão vingar, e então falam em tecnologias como células de combustível, mas isso é uma grande besteira.” E completou: “Cai bem em foguetes, não em carros.” (lembrando que ele é CEO da SpaceX, que acaba de levar astronautas para a Estação Espacial Internacional).

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Já uma realidade

O Mirai tem linhas típicas da Toyota, com alguns toques especiais. Entre eles, as partes pretas do pára-choque dianteiro, que escondem tomadas de ar: o trem de força produz eletricidade fazendo o hidrogênio reagir com o oxigênio obtido por ali
O Mirai tem linhas típicas da Toyota, com alguns toques especiais. Entre eles, as partes pretas do para-choque dianteiro, que escondem tomadas de ar: o trem de força produz eletricidade fazendo o hidrogênio reagir com o oxigênio obtido por ali.

Os carros da Nikola só chegam ao mercado em alguns anos, isso se chegarem mesmo. Mas o hidrogênio já é uma realidade em alguns mercados, mesmo que em baixa escala, com modelos como o Hyundai Nexo, o Honda Clarity e o Toyota Mirai (foto abaixo; leia aqui nossa avaliação).

Além de uma autonomia muito maior que a dos modelos apenas a bateria, uma enorme vantagem dos carros elétricos a hidrogênio é que não precisam de recarga. Basta um abastecimento rápido dos tanques que guardam o gás.

+Avaliação: Toyota Mirai é o elétrico que dispensa recarga
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Em relação à infraestrutura, assim como os modelos elétricos precisam de tomadas, carregadores de parede e pontos de recarga rápida – que são caríssimos e não tão rápidos assim –, os movidos a célula de combustível precisam de postos com hidrogênio. Outro ponto importante para o sucesso da Nikola, que também promete investir em sistemas de armazenamento de energia e infraestrutura para estações de abastecimento de hidrogênio (projeto abaixo).

A picape

Para a Badger a célula de combustível, a empresa promete autonomia de até 600 milhas (quase 1.000 km) com o tanque de hidrogênio cheio. A versão somente a bateria vai rodar apenas metade, 300 milhas (quase 500 km).

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Em ambas as versões, a potência prometida é 900 cv, com aceleração de 0 a 100 km/h em impressionantes 2,9 segundos. A Tesla Cybertruck, na sua versão topo de linha, que terá três motores. A potência não foi revelada, mas Musk promete aceleração de 0 a 96 km/h nos mesmos 2,9 segundos, com autonomia de 800 km. Veja a galeria da picape da Tesla:

Mas se a picape (e os caminhões) da Tesla vão carregar pesadas baterias, rodar 800 km e precisará parar por um bom tempo até as recarregar 100%, a picape (e os caminhões) da Nikola serão mais leves e poderão rodar um pouco mais — e, a principal vantagem, abastecer o hidrogênio em poucos minutos e seguir viagem.

Isso é especialmente interessante pensando nos caminhões autônomos, que em mais alguns anos não precisarão para nem para o motorista dormir. E aí o hidrogênio se torna uma vantagem ainda maior.

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