Comparativo: Audi Q5 vs. Volvo XC60

Colocamos os dois para um embate de performance, design, segurança, conectividade, praticidade e tecnologia para ajudá-lo na escolha de seu novo SUV premium

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No mundinho dos SUVs médios de luxo, existe uma disputa particular de cavalaria, estilo, tecnologia e status envolvendo quatro modelos no Brasil: Land Rover Discovery Sport, BMW X3, Mercedes-Benz GLC, Jaguar F-Pace, Volvo XC60 e Audi Q5. O segmento é amplamente dominado pelo britânico Discovery Sport (sucessor do Freelander 2), fabricado no Brasil. Mas a briga mais animada do segundo semestre é entre um sueco fabricado na Bélgica (o XC60) e um alemão produzido no México (o Q5). Ambos acabaram de chegar com suas novíssimas gerações e já encaram um duelo.

O Volvo é fabricado em Ghent e no ano passado vendeu 2.144 unidades do modelo anterior (1.269 este ano). O Audi é produzido em San José Chiapa, teve apenas 331 emplacamentos na temporada passada e nenhuma este ano. Volvo XC60 e Audi Q5 estreiam suas segundas gerações com grandes modificações e trazem três configurações para o Brasil. O XC60 oferece as versões Momentum (R$ 239.950), Inscription (R$ 259.950) e R-Design (R$ 269.950). O Q5 é mais caro nas três versões: Attraction (R$ 244.990), Ambiente (R$ 274.990) e Ambition (R$ 292.990). A diferença começa em R$ 5.040, sobe para R$ 15.040 e chega a R$ 23.040 no topo das linhas.

Os dois se equivalem na motorização, pois usam blocos 2.0 relativamente pequenos, com 5 cavalos a mais no Volvo (257 contra 252 cv), mas o Audi compensa por ser 200 kg mais leve e por ter potência específica e relação peso/potência um pouco melhores. Por isso, o Q5 vai de 0-100 km/h em 6,3 segundos, contra 6,8 do XC60. Quanto à transmissão, ambas são sequenciais, mas de oito marchas no Volvo e de sete no Audi, o único entre eles que oferece trocas manuais por meio das borboletas atrás do volante. Esse meio segundo e os shift paddles evidenciam que, embora sejam muito parecidos, o alemão tem uma pegada mais esportiva e o sueco apostou tudo na segurança.

Visualmente, as mudanças do XC60 são muito mais evidentes. Agora fabricado na plataforma flexível SPA (Scalable Product Architecture), o XC60 é exatamente igual ao seu irmão maior XC90 na parte que vai do centro da roda dianteira até a coluna de direção. Todo o resto é diferente, o que mostra a incrível versatilidade dessa plataforma SPA. Assim, a Volvo conseguiu deixar o XC60 11 cm mais largo, 5 cm mais baixo, 4 cm mais comprido e 9 cm mais longo no entre-eixos. O carro ficou assentado e ganhou bastante em beleza – não é exagero dizer que ele ficou mais bonito do que o novo Q5, embora nunca consideremos o gosto pessoal por design em nossas avaliações.

Mais bonito até do que o próprio XC90, o XC60 tem um prolongamento das lanternas traseiras no porta-malas que melhorou o aspecto de largura do carro, além de ser mais compacto. Mas não só. Dinamicamente, o novo XC60 também ficou melhor do que seu antecessor. A Volvo simplificou as configurações do quadro de instrumentos (não tem mais o modo Eco) porque deu ao carro mais dinamismo (por isso, caprichou no modo Esportivo). O SUV sueco tem cinco modos de condução: Comfort, Dynamic, Eco, Off-Road e Individual. Com mais foco no fora-de-estrada do que seu rival alemão, a Volvo dotou o XC60 de uma suspensão traseira integral link (eixo de torção com funcionamento independente).

O sistema All-Wheel-Drive pode distribuir a tração entre os eixos na proporção 50/50, mas normalmente o carro trabalha na proporção 90/10 (dianteira/traseira). Segundo a Volvo, isso aumenta a segurança, pois nenhum eixo fica qualquer tempo sem tração (o sistema calcula automaticamente a necessidade do carro). O motor T5 Drive-E tem um funcionamento exemplar, entrega 100% do torque entre 1.500 e 4.800 rpm e garante boas acelerações e retomadas. Não é um foguete, mas agrada. O câmbio de oito velocidades é rápido, mas é incompreensível a falta de shift paddles para trocas de marcha no volante do XC60.

A questão não é se você vai usar sempre ou não, mas sim que você quer ter essa opção quando paga R$ 240 mil num carro. Pelo menos as borboletas estão disponíveis na versão R-Design, de R$ 270 mil. Os sistemas de segurança, claro, são completos. Da construção do carro ao alerta de colisão frontal, passando pela proteção contra lesões na coluna cervical e frenagem automática em caso de pedestre ou animal grande cruzando o caminho, o novo XC60 tem tudo. Na versão de entrada, faltam apenas os alertas de colisão traseira e de ponto cego com tráfego cruzado. Por sua vez, apesar de ter ganhado uma frente mais dinâmica, o novo Q5 não chama tanta atenção por suas mudanças visuais. Não houve uma revolução em seu design, como ocorreu no rival sueco.

O Audi Q5 tem dimensões um pouco menores do que as do Volvo XC60, mas aproveita muito bem seu espaço interno. Nem de longe ele parece ser menos confortável. E ainda consegue ter um porta-malas com 45 litros a mais. O grande mérito dessa segunda geração está na redução de 90 kg no peso total do Q5. Um dois motivos foi o downsizing de motor. Ele trocou o antigo 3.0 V6 de 272 cv pelo mesmo 4 cilindros 2.0 usado pelo novo Audi A4. São 20 cavalos a menos, o que exigiu grande esforço da engenharia para manter a ótima performance do carro. A Audi também deu atenção especial à questão do consumo de combustível, por isso trocou a tração integral e permanente do antigo Q5 pelo sistema Quattro Ultra.

Na prática, o carro não precisa mais rodar com o eixo cardã girando sem necessidade. Por meio de um motor elétrico posicionado na traseira do carro, o Q5 acopla ou desacopla o cardã à transmissão e a uma embreagem multidisco. O sistema transfere automaticamente de 0 a 100% do torque para o eixo traseiro conforme a necessidade. Se está rodando numa estrada lisa, por exemplo, o carro usa somente a tração dianteira, mas se começa a chover passa a ter tração nas quatro rodas e, no caso de patinagem das rodas dianteiras, joga toda a tração para o eixo traseiro. Uma solução genial e mais avançada do que a do rival. Entretanto, apesar de ser mais caro do que o Volvo XC60, o Audi Q5 não é nada generoso na entrega de alguns equipamentos de segurança.

Sistemas como piloto automático adaptativo, assistente de tráfego reverso, alerta de colisão traseira e auxílio para ficar na faixa de rodagem só estão disponíveis na versão mais cara – e mesmo assim opcionalmente. Para ficar mais próximo do XC60 na questão de segurança, o dono de um Q5 Ambition terá de gastar mais R$ 19.100 em dois pacotes opcionais. Seu carro então sairá por R$ 312.090. Parece muito. O Audi Q5 leva grande vantagem, porém, quando o assunto é conectividade. Seu sistema, além de ser completo, é muito mais fácil de usar, extremamente intuitivo e eficiente. O quadro de instrumentos é facilmente configurável com o carro em movimento, enquanto no Volvo é preciso escolher um visual e conviver com ele até a próxima parada, passando por várias telas da central multimídia.

Para se ter uma ideia, a Volvo informa que um cliente do XC60 gastará duas horas na concessionária só para receber as instruções de todas as funcionalidades do carro. O comprador de um Audi não precisará de tanto tempo, pois seus instrumentos estão há décadas consagrados por toda a indústria automobilística. Finalmente, chegamos à questão da dirigibilidade. A Volvo acredita que não exista mais prazer ao dirigir nas grandes cidades e que na estrada toda segurança é necessária. Por isso, dotou o novo XC60 de tantos equipamentos semi-autônomos que ele se tornou superior até ao irmãozão XC90. Porém, os sistemas são um pouco invasivos na condução do motorista.

É muito comum, na estrada, você ficar o tempo todo brigando com o carro para ter o controle que deseja. No Q5 é o oposto. Ao mesmo tempo que o carro passa sensação de poder e segurança, sua dirigibilidade é prazerosa na cidade e na estrada. Tanto melhor quanto mais dinamismo requisitar do veículo. Acelerando, freando, desviando ou trocando de marchas, o Q5 continua sendo um carro empolgante para motorista e passageiros. Então, quem ganhou? Os dois. Calma, não estamos em cima do muro. Veja a nossa classificação por estrelas. Ambos conseguiram exatamente os mesmos 4,35 pontos, arredondados para 4,4. Porém, o empate ocorreu em seis dos dez itens analisados.

O Audi ganhou em porta-malas (por 45 litros) e prazer ao dirigir, enquanto o Volvo venceu em equipamentos e segurança (os principais sistemas do Q5 são vendidos como opcionais). Raramente terminamos um comparativo com empate. Mas este foi um caso raro. Pelo preço e pela vantagem em segurança e equipamentos, o XC60 brilha mais – é o carro ideal para quem preza o máximo em segurança, um design novo e adora os sistemas de direção semi-autônoma. Mas o Q5 continua sendo um SUV para quem aprecia a dirigibilidade, não gosta de ficar decorando funcionalidades das novas tecnologias e tampouco abre mão de ser meio segundo mais rápido na aceleração.

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