Comparativo de Carros Elétricos: Peugeot e-208 GT vs. Mini Cooper SE vs. Fiat 500e vs. Renault Zoe

Na faixa de R$ 250 mil, Peugeot e-208 GT, Mini Cooper SE, Fiat 500e e Renault Zoe são carros elétricos compactos ideais para uso urbano, mas também capazes de encarar estradas. Trazem diversas semelhanças, porém também diferenças importantes. Saiba qual é o melhor para você

Os melhores carros elétricos “acessíveis” de hoje estão neste comparativo. Independentemente das polêmicas sobre a real sustentabilidade dos carros elétricos, seu ambiente ideal é o urbano, onde eles chegam trazendo a promessa de cidades com cada vez menos poluição – sonora e do ar.

E, apesar da total falta de incentivos governamentais e de infraestrutura para carregamento (leia mais no quadro), eles já são realidade. Confrontamos aqui os modelos “de entrada” mais atraentes disponíveis no Brasil hoje, destinados aos privilegiados que podem pagar valores entre R$ 205 mil e R$ 270 mil em hatches compactos para servirem como seu primeiro carro totalmente elétrico.

O Nissan Leaf, líder de vendas (leia mais sobre ele aqui e clique aqui para a avaliação completa, é um hatch médio (tem 4,48 m de comprimento) e já beira os R$ 300 mil, então ficou de fora desta disputa. Já de um modelo mais acessível, o chinês JAC E-JS1, falaremos na reportagem a seguir.

Financeiramente, portanto, como já mostramos aqui na MOTOR SHOW, sem usar energia vinda de placas energia solar, hoje é preciso rodar bem mais de 100 mil quilômetros para a compra de um carro elétrico compacto começar a compensar.

Então, no momento, os principais motivos de compra dos modelos deste comparativo de carros elétricos são outros: experiência ao volante, imagem ecológica, inovação… Certamente critérios muito mais emocionais do que racionais.

Após uma semana ao volante de cada um destes modelos, devo dizer que, apesar das semelhanças nos preços e forma das carrocerias, eles atendem a gostos bem diferentes, e oferecem vantagens diferentes.

Além dos testes práticos de sempre, criamos um roteiro de 50 quilômetros, misto de cidade e estrada, como aquele de quem mora em subúrbios de grandes metrópoles ou em cidades-dormitório. Desta forma, pudemos comparar, na prática, o consumo deles (lembrando que cada quillowatt-hora sai por cerca de R$1, enquanto o litro da gasolina já passa de R$ 7). Vamos lá.

Comparativo de carros elétricos – Fiat 500e: estiloso e conectado

Preço básico R$ 255.990
Carro avaliado R$ 255.990

Comparativo de carros elétricos
O 500e vem em versão única. Destaque para a cor Grigio Metalizzato, um chumbo fosco que chamou atenção de pedestres e demais motoristas (valor indisponível no site)

Vendido por R$ 255.990, o 500e talvez seja a compra mais emocional deste comparativo de carros elétricos. O carrinho italiano retrô sempre atraiu pelo charme do design e pelas dimensões compactas e sempre teve uma vocação essencialmente urbana. E nada melhor do que um legitimo city car para servir de ponto de partida para um elétrico urbano.

Totalmente reformulada e muito equipada, a cabine tem ar de lounge, com espaço surpreendente nos bancos dianteiros. Há charmes como o botão que substitui maçanetas internas, além do grande e prático porta objetos entre os bancos – no espaço liberado pela alavanca de câmbio, substituída por botões no painel.

Mas o grande destaque são as belíssimas telas do cluster e do sistema multimídia e de informações. Brilhante na organização e na facilidade de uso, é a que mais tem recursos de conectividade, e a única aqui com Android Auto e Apple CarPlay sem fio, algo muito útil no entra e sai do carro no uso urbano (o celular fica no bem localizado carregador por indução).

Por outro lado, no banco traseiro cabem só crianças – e sem cadeirinha (a menor teve que ir no booster). Seu porta-malas também é mínimo, para levar comprinhas e olhe lá (185 litros). E o acabamento pode ser bonito, mas é de plástico duro, com couro apenas onde o corpo encosta. Além disso, o teto solar deveria ter uma cortina mais fechada – quando o sol brilha mais forte, a telinha perfurada deixa passar muita luz e calor.

O 500e é até espaçoso na frente, mas são duas portas e no banco traseiro não cabe a cadeirinha (um adulto aperta os joelhos e raspa a cabeça no teto). Porta-malas: 185 litros, cabo escondido

Ao volante, o 500e é um “foguetinho” no 0-60 km/h, muito ágil para o uso urbano. Apesar de não ter um modo B do câmbio (que aumenta a regeneração de energia pelo motor-gerador, agindo como freio motor) nem ajuste do nível de recuperação de energia, os modos Range e Sherpa, na prática, ativam o modo de “direção com um pedal”: basta aliviar o pé direito e a recuperação de energia atua, freando o carro e recarregando a bateria.

No percurso do nosso comparativo de carros elétricos, usamos o Range, pois o Sherpa desliga o ar-condicionado. Na cidade, chegamos a picos de 10 km/kWh, com média de 8,3. Na estrada, falta um pouco de potência e o consumo piora bem, chegando à faixa de 6 km/kWh a 120 km/h. Mas a média geral foi de 8,5 km/kWh, a melhor do comparativo, garantindo mais de 300 quilômetros de autonomia (mas, na estrada, mal passa dos 200).

No 500e, a letra fica mais escondida, dentro do segundo zero. Há também “easter eggs”

Os sistemas semiautônomos – incluindo o avançado assistente de direção – funcionam de modo exemplar. Seu leitor de placas até ajusta o ACC à velocidade determinada ao toque de um botão. Já as suspensões capricham no conforto, mas deixam o carro meio mole demais em curvas. Para um uso urbano, está ótimo. Outro recurso que agrada na cidade é o freio de mão com auto hold, sempre ativo e com acionamento e liberação automáticos – ao acelerar e apertar o P e/ou desligar o motor, respectivamente.Comparativo de carros elétricos

Comparativo de carros elétricos – Mini Cooper SE: pura diversão

Comparativo de carros elétricos
O Mini de R$ 249.990 já é bem equipado, até com teto solar duplo. Nas fotos, a versão Top Collection, de R$ 284.990, com teto e retrovisores black piano, volante esportivo, etc.

Preço básico R$ 249.990
Carro avaliado R$ 284.990

Como o 500e, o Mini Cooper SE é uma releitura de um modelo clássico do século passado – e, por isso, traz um visual retrô igualmente atraente. E, assim como o Fiat, o Mini tem apenas duas portas e pouquíssimo espaço no banco traseiro – mas ao menos cabem ali uma cadeirinha e até mesmo um adulto (embora sem muito conforto), e o porta-malas é um pouquinho maior (211 litros).

O Mini deste comparativo de carros elétricos parte de R$ 249.990, mas a versão avaliada, Top Collection de R$ 284.990, tem acabamento mais refinado, digno de carro de luxo, além de itens como head-up display e bancos com ajuste de comprimento do assento. Mesmo que opte pela “básica”, já terá uma bela cabine e itens como o teto solar duplo (só o dianteiro abre).

Por outro lado, mesmo em sua opção mais cara, o Mini não tem todos os sistemas de auxílio ao motorista – nem funções já “básicas” como auto-hold (detalhes na tabela ao lado). Uma falha em um carro essencialmente para uso na cidade.

Na cabine, o quadro de instrumentos que se move junto com a coluna de direção é claro e funcional, mas há um certo exagero no design e na iluminação interna, e ainda é preciso um tempo para se acostumar com o sistema, nada intuitivo e difícil de controlar com toques na tela (fica um pouco mais fácil usando os botões /seletor giratório entre os bancos).

Com as duas portas, o banco traseiro tem acesso difícil e espaço limitado (com motorista de 1,74 m, um adulto atrás já sofre). Porta-malas: 211 litros, com um “esconderijo” para o carregador

Mas o Mini é o mais potente e conquista ao volante, como sempre. Seus 184 cv e 270 Nm, além do baixo peso, garantem uma tocada como a dos melhores Mini a combustão, com 0-100 km/h em 7,3 segundos e um acerto afinadíssimo.

Com baixo centro de gravidade, direção rápida e suspensão traseira multilink (o único aqui), ele se transforma em esportivo de verdade no modo Sport, sem destracionar nas arrancadas, e é pura diversão (a máxima é de 150 km/h, como em quase todo elétrico). São dois níveis de recuperação de energia, selecionados por um botão no painel (deveria ficar mais à mão); no mais forte, dá para guiar com um só pedal.

Há, ainda, três modos de condução: Mid e os econômicos Green e Green+. No teste de consumo deste comparativo de carros elétricos, usamos o Green, que deixa o ar-condicionado ligado. Mais potente, o Mini também gastou mais: fez uma média de 6,6 km/kWh, o que garantiria autonomia de pouco mais de 200 quilômetros (na prática, porém, não conseguimos passar de 180).

Além do logo com o S em amarelo, o Mini tem um outro redondo, com o E “escondido”

Comparativo de carros elétricos

Comparativo de carros elétricos – Peugeot e-208: belo e equilibrado

Preço básico R$ 269.990
Carro avaliado R$ 272.880

Comparativo de carros elétricos
Maior que os rivais e com um design premiado, o Peugeot e-208 GT se diferencia dos irmãos a combustão nos detalhes. Cores amarelo Faro e Branco Nacré custam R$ 2.890

É difícil saber se o Peugeot e-208 GT, em versão única de R$ 269.990, é mais bonito por dentro ou por fora. Externamente, se diferencia dos demais 208 com apliques nas caixas de roda, rodas diferentes, grade sem moldura e logotipos na carroceria.

Internamente, mantém o conceito de i-cockpit (volante pequeno, instrumentos vistos por cima dele) – mas com um acabamento superior e alguns atalhos extras, sensíveis ao toque, juntos das “teclas de piano”.

O sofisticado e inovador quadro de instrumentos 3D mostra imagens – como o fluxo de energia do carro – que parecem hologramas, e ainda permite muitas visualizações. Pode-se ver o belíssimo mapa 3D do navegador nativo nele e o Waze na tela central, por exemplo.

É um conjunto tão belo que você acaba relevando a funcionalidade ruim: ajustar o brilho da tela e outras funções demoram – e o carregador sem fio tem uma tampa que, fechada, não permite passar o cabo para conectar Android Auto/Apple CarPlay, e, aberta, deixa o celular cair em acelerações.

No mais, além de ter quatro portas, com espaço para quatro adultos e um porta-malas de aceitáveis 265 litros (em parte “roubados” pela bolsa do cabo de carregamento), tem uma lista de equipamentos generosa, incluindo todas as ajudas semiautônomas, como assistente de direção e leitor de placas, além de bancos em Alcantara e um teto panorâmico enorme, que melhor integra o carro ao ambiente ao redor (com uma cortina de tecido que tampa bem).

A chave presencial tranca/destranca o carro quando o motorista se afasta/aproxima, mas o freio de mão, embora seja ativado e desativado automaticamente, não tem auto hold.

O e-208 tem bom espaço para quatro e bancos exclusivos, mais esportivos. Mesmo sem estepe, o porta-malas tem só 265 litros, e o carregador de tomada (o mais potente) ainda ocupa parte dele

Com 136 cv e 270 Nm, e mais pesado, o e-208 não anda forte como o Mini, mas cumpre a prova de 0-100 km/h em ótimos 8,3 segundos. Em vez de um ajuste do nível de recuperação de energia, tem o modo B, acionado com um toque na alavanca de câmbio tipo joystick.

Na prática, atua como o modo “um pedal” – mas, em vez funcionar até a parada total do carro, deixa de atuar abaixo de 20 km/h, cabendo ao motorista a frenagem final: solução inteligente para eco-driving (direção ecológica), pois em muitas situações evita ser preciso tirar de novo o carro da inércia total.

A letra “E” está em detaque em todos os modelos. No e-208, na coluna e no logo traseiros

No modo Normal, o e-208 já é ágil, enquanto no Sport as acelerações ficam mais imediatas, garantindo uma grande dose de diversão, ajudada pela direção pequena e direta – as suspensões, porém, embora sejam bem acertadas, deixam sentir demais o peso do carro.

Já no teste de consumo deste comparativo de carros elétricos, no Eco, fez médias urbanas razoáveis, de quase 7 km/kWh, mas, na estrada com limite de 120 km/h, não passou de 5,3. Em nosso percurso misto, fizemos 6,5 km/kWh – o que resultaria em uma autonomia de uns 250 quilômetros.Comparativo de carros elétricos

Comparativo de carros elétricos – RENAULT Zoe: espaçoso e racional

Preço básico R$ 204.990
Carro avaliado R$ 229.990

O Zoe chamou mais atenção do que os demais, não só pela cor Azul Celadon (grátis), mas por ser o único carro aqui nascido elétrico, sem uma versão “comum” nas ruas

Apesar de ser o mais antigo aqui, o Renault Zoe é o único modelo deste comparativo que já nasceu elétrico, ainda em 2012. Agora em sua segunda geração, é o elétrico mais vendido na Europa. Aqui no Brasil, há a versão Zen, de R$ 204.990, e a Intense avaliada, de R$ 229.990. Apesar de ser o mais barato deste comparativo de carros elétricos, oferece menos do que seus rivais em conteúdo e no acabamento interno.

Mas não significa que seja ruim: tem a bateria com maior capacidade, garantindo a maior autonomia, mais espaço na cabine – principalmente no banco traseiro, onde a cadeirinha foi com folga – e no porta-malas, além de um belo design interno e acabamento moderno, com um console alto e acabamento com tecido tipo jeans.

A lista de equipamentos inclui itens importantes no cotidiano urbano, como freio de mão elétrico com auto hold, ar automático, multimídia completo e, ainda, monitor de ponto cego, retrovisor eletrocrômico e sensores de chuva, estacionamento e crepuscular. O painel digital tem um desenho bonito, com indicador de fluxo de energia.

Os bancos do Zoe são mais simples, mas o espaço interno é o melhor de todos, assim como o porta-malas de ótimos 338 litros. A marca não vende carregador de uso em tomada comum

A chave presencial também trava e destrava o carro quando o motorista se afasta/aproxima. Apesar de não haver ajuste de altura do banco do motorista, o volante é regulável em altura e profundidade, garantindo boa posição de dirigir.

Ao volante, se destaca dos rivais principalmente pelo conforto, com suspensões mais macias e ainda menor nível de ruído. Não há ajuste do nível de regeneração, mas o câmbio tem o modo B – acionado com um simples toque na alavanca, como no e-208. Dá para dirigir bem “com um pedal”, e, como o Peugeot, ele aproveita mais a inércia, deixando a parada total do carro a cargo do motorista.

O conjunto mecânico fornece 135 cv e 245 Nm, números quase iguais aos do Peugeot, e o peso é similar, mas o ajuste é mais conservador, também mais voltado ao conforto. Então, a aceleração de 0-100 km/h é mais lenta, embora em bons 9,5 segundos. Por outro lado, ele é mais econômico que o conterrâneo: fez facilmente 8 km/kWh na cidade e quase 7 na estrada.

Já no teste de 50 km, no modo Eco, que amortece respostas e deixa o ar fraco (mas deu conta de manter conforto com 25º de temperatura externa), o Zoe fez média de 7,9 km/kWh, perdendo só para o 500e. E, como sua bateria é a maior deste comparativo de carros elétricos, é o único da disputa capaz de, na prática, em percursos mistos e com ar ligado, rodar mais de 300 quilômetros – tranquilamente – com uma carga.

Comparativo de carros elétricos
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O Zoe tem logo ZE (Emissão Zero) na traseira. Obviamente, nenhum tem saída de escape

Carregamento/Manutenção

Embora os carros nesse comparativo de carros elétricos não sejam nada baratos, uma das promessas deles é a manutenção mais simples. De fato, os motores elétricos usam menos peças e requerem menos manutenção que os tradicionais, o que fica claro nos custos e na periodicidade das revisões.

Embora o Zoe tenha manutenção “mais convencional”, a cada ano ou 10 mil quilômetros, o Fiat só visita a concessionária a cada 15 mil quilômetros, e o Peugeot e-208 GT, em intervalos de 20 mil quilômetros (o Mini “avisa” sobre as manutenções).

Os custos das revisões da mecânica são mais baixos do que nos carros a combustão, pois menos coisas são feitas (a Mini está dando as revisões nas vendas em março).

Na hora de manutenção de rotina, porém, algumas peças que têm desgaste normal ou que podem estragar em pequenas colisões – como paletas de para-brisa, para-choques, rodas, pneus, faróis e lanternas – são bem caras, por serem modelos importados em baixo volume e com itens sofisticados.

E, se os freios desgastam menos por conta do sistema de regeneração, os amortecedores podem durar menos pelo peso extra das baterias e condições de nossas ruas. Neste ponto, destaque para o Renault, que, mais simples e com mais tempo no mercado, tem peças com preço relativamente “comum”. Detalhes na tabela ao lado.

Todos os hatches deste comparativo de carros elétricos, com exceção do Zoe, já vêm com cabo para carregamento em tomadas normais, 110 ou 220V, sendo o do 208 o mais potente deles.

Mas isso nem é tão decisivo assim, pois serve só para uso esporádico ou emergencial. Afinal, se você quer ter um carro elétrico, precisa ter um wallbox em casa (um tipo de carregador AC mais rápido). Produto mais instalação costumam custar cerca de R$ 13 mil, mas a Mini também está dando de “brinde”.

Por fim, baterias são um ponto crítico a longo prazo: elas têm garantia de 8 anos ou 160 mil quilômetros, exceto no Zoe, que tem o mesmo período de garantia, porém limitada a 100 mil quilômetros.Comparativo de carros elétricos

CONCLUSÃO: ao gosto do freguês

Mais do que na maioria dos das disputas, a escolha neste comparativo de carros elétricos depende do que você busca.

O Mini Cooper SE, charmoso e com design mais esportivo, entrega mais desempenho e muito mais diversão ao volante, sem tanta preocupação com autonomia, custos de manutenção ou espaço interno. Para usar apenas na cidade, dá de sobra. Mas, se for pegar estrada, escolha outro modelo – ou planeje não rodar muito mais que 150 quilômetros até o próximo carregador.

O Fiat 500e é charmoso no design como o Mini, mas não tem a mesma esportividade. É campeão nos sistemas semiautônomos, na conectividade e na economia no uso urbano. Por outro lado, considerando só preço e conjunto, é o último em custo-benefício. Mas vale a pena dar uma volta nele para ver se desperta algo “especial” em você – não será incomum se acontecer.

O Peugeot e-208 GT tem um belíssimo design externo e cabine imbatível em forma e conteúdo, além de um chassi bastante esportivo. Mas peca um pouco na relação entre o desempenho e o consumo e pela manutenção cara. Se o preço não é o ponto mais importante e você precisa de mais espaço (e portas) do que oferecem Fiat e Mini, é a melhor escolha.

Já o Renault Zoe tem a vantagem de ter nascido elétrico e é certamente a compra mais racional. Oferece menos mimos e pode até mudar ou sair de linha antes dos rivais por ter menos tempo de vida, é verdade, mas custa menos, tem a bateria com a maior capacidade e um consumo, na prática, quase tão bom quanto o do pequeno 500e, garantindo a maior autonomia.

Além disso, é o mais espaçoso, tem o maior porta-malas e peças muito mais baratas. Para quem não faz questão dos últimos recursos de conectividade e de assistentes de direção ou de muito luxo ou equipamentos, sem dúvida oferece a melhor relação custo-benefício deste comparativo de carros elétricos. E ainda tem a exclusividade do design mais único, pois não existe uma versão dele com motor a combustão.

Bastidores: problemas locais

A imagem acima pode não ser incomum no Brasil com carros elétricos, e não (só) por falta de bateria. A maioria deles, até por causa do espaço usado por ela, não traz estepe comum. Com pneus run-flat e/ou kits de reparo com compressor e líquido selante, eles não resistem às condições de nossas vias. O e-208 caiu em um buraco teve um pneu com um pequeno rasgo na lateral a 100 quilômetros de São Paulo e acabou rebocado.


Já com o Fiat 500e, contávamos com um carregador na estrada, mas estava ocupado. O Nissan Leaf que havia acabado de chegar ia ficar mais 1h20 carregando, e tivemos que voltar 30 quilômetros para achar outro carregador livre. Resultado: 70 quilômetros extras e atraso de 45 minutos para o compromisso.

OBS: TODOS OS VALORES DA DATA DE FECHAMENTO DA REVISTA, EM FEVEREIRO DE 2022

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