Comparativo: Fiat Argo 1.3 vs. Chevrolet Onix 1.4

Versão com mecânica intermediária do Fiat encara a topo de linha do Chevrolet. Será que a novidade tem atributos para vencer o carro mais vendido do Brasil?

Se o Argo 1.0 é fraco para o seu gosto e o 1.8 é muito caro, a melhor opção está aqui. Nessa versão Drive 1.3, o principal alvo do hatch da Fiat não poderia ser outro que não o líder absoluto de vendas no Brasil, o Chevrolet Onix. Embora sejam rivais também nas versões 1.0, olhando para conteúdo e preços, esse Fiat com a mecânica intermediária enfrenta diretamente o Onix com seu motor maior, 1.4. A primeira impressão diz que o Argo sairá vitorioso com facilidade. Mas vamos com calma.

Em versão única, o Argo Drive 1.3 com câmbio manual parte de R$ 53.900, pouco mais que os R$ 51.050 do Onix 1.4 básico, LT. Com todos os opcionais, o Fiat sobe para R$ 59.800, contra R$ 58.000 do Chevrolet na versão LTZ avaliada. É uma diferença pequena, justificada pelo conteúdo mais generoso do Fiat, principalmente em segurança e tecnologia – vantagens que aparecem desde a configuração básica (comparada ao Onix LT) até a configuração equipada (comparada ao LTZ). O Onix também tem algumas vantagens (detalhes na tabela “Equipamento” abaixo).

Um carro novo costuma atrair mais olhares, claro, mas não há como negar que o Argo é bonito. Por fora, mistura elementos de carros de sucesso em uma combinação feliz, enquanto o Onix, embora recentemente atualizado, tem um visual bonito, mas por demais conhecido. O porte ligeiramente maior também ajuda o Fiat a “se impor”, e garante mais espaço tanto no banco traseiro – que ainda leva vantagem por ter mais espaço lateral e para os joelhos, cinto central de três pontos e isofix – quanto no porta-malas. Outra vantagem para o uso como carro de família está nas portas traseiras, que abrem bem mais que as do rival, facilitando o acesso ao interior.

A beleza interior do Argo também é maior. Seu painel, mais atual, tem uma ótima combinação de materiais e texturas, além de mais capricho nos detalhes – como nas saídas de ar com ajuste fino e nas luzes de leitura, ausentes no Chevrolet. O cluster, clássico, tem tela multifunção personalizável para exibir informações como temperatura externa, velocidade ou multimídia. Agrada mais que o do Onix, com velocímetro digital e informações apenas da bússola e do computador de bordo. Mas o grande destaque da cabine do Argo está mesmo na central multimídia com tela “flutuante”, mais bem localizada do que no Onix – cujo sistema MyLink merece crédito por ser pioneiro no segmento (e um dos motivos de sucesso do carro). Ambas funcionam com Android Auto/Apple CarPlay.

Mais bonito por dentro e por fora, mais equipado, espaçoso e seguro, o Argo é claro vencedor até aqui. Mas quando colocando os dois carros em movimento a coisa muda um pouco de figura. Nenhum deles tem ajuste de profundidade do volante (o Argo até poderia ter, como em sua versão 1.8). Mas a coluna de direção do Onix fica mais avançada em relação ao motorista, garantindo uma posição de guiar melhor. No Fiat, quando os braços estão na posição correta, as pernas ficam apertadas. Por outro lado, o banco do motorista do Fiat tem ajuste amplo, enquanto o do Onix fica sempre alto demais – mas os assentos desse último são maiores e mais confortáveis, além de cobertos parcialmente de couro (os do Fiat têm tecido demasiadamente simples).

Na mecânica, os dois 4 cilindros têm potência e torque similares e só duas válvulas por cilindro, privilegiando o torque em baixas rotações (e ficam devendo em alta). Assim, os hatches andam quase juntos – com pequena vantagem do Onix, por ser mais leve – e gastam quase o mesmo, cada um com vantagens de acordo com os acertos dos motores e de seus câmbios manuais, com cinco marchas no Argo e seis no Onix. No uso urbano, a vantagem é do Argo. Graças ao variador de fase e ao start-stop, ele é mais econômico na cidade, seja com gasolina, seja com etanol. Também combinam mais com esse ambiente sua direção elétrica, sempre mais leve que a do rival, e as suspensões típicas da Fiat, bastante macias e robustas, ideais para encarar asfalto com buracos, valetas e lombadas. Os engates “moles”, porém, prejudicam a dirigibilidade, e a modulação ruim da embreagem atrapalha a suavidade ao rodar. O elástico motor 1.3 merecia uma transmissão melhor.

Na estrada, o câmbio de seis velocidades é a grande vantagem do Onix. Além de gastar menos, o Chevrolet roda mais silencioso: a 120 km/h em sexta, marca 2.900 rpm e 16 km/l, enquanto o Argo vai em quinta a 3.500 rpm, com ruído maior e consumo na faixa de 14,5 km/l (e como o tanque do Onix é maior, sua autonomia rodoviária é de 804 km, contra 686 km do Argo). A direção mais pesada e as suspensões mais firmes, que sacrificam parte do conforto, se tornam vantagem nas estradas mais lisas e sinuosas (não que o Argo seja ruim nessas situações, só não anda tão nos trilhos; precisa antes “se apoiar”).

No fim, pensando nos carros como um todo, nas versões manuais o Argo é melhor compra. Se ambos custam, andam e gastam quase o mesmo, o novo Fiat tem um design mais atual por dentro e por fora, além de ser mais espaçoso, equipado, seguro e confortável. E ainda tem manutenção mais barata: nos primeiros 30.000 km, são R$ 1.160, contra R$ 1.284 do Onix. O Chevrolet responde com a dirigibilidade mais “redonda” e tem melhor desempenho, consumo e conforto no uso rodoviário, graças ao câmbio com a marcha extra. Assim, só uma caixa de seis marchas e ótimos engates dariam ao Argo uma vitória realmente marcante.

Agora, se você pretende descansar o pé esquerdo, a situação do Argo se complica. Para ter câmbio automático, ele precisa do motor 1.8 e parte de R$ 67.800. Esse Drive 1.3 tem apenas a caixa automatizada, de embreagem simples, com trocas lentas e trancos. Custa R$ 5.000 extras, em um pacote com ESP, piloto automático, aletas no volante para (necessárias) trocas manuais e assistente em subidas, entre outros itens. Já o Onix 1.4, por R$ 5.300 extras, ganha uma ótima caixa automática convencional, também de seis marchas, que garante muito mais conforto.

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