Comparativo

AMG é a divisão de esportivos da Mercedes, cuja história começou em 1967

ENVENENADOS

O significado de AMG não tem nada a ver com performance: são as iniciais do sobrenome dos dois alemães (Aufrecht e Melcher) que fundaram a empresa em 1967, há 41 anos, e o G (Grossaspach) é a região da cidade alemã (Burgstall) onde a AMG teve sua primeira sede. O importante é que os caras trabalharam duro ao longo dos anos se especializando na preparação de Mercedes, tanto para a utilização diária quanto para as pistas. O trabalho foi tão sério que seus resultados em competições e na satisfação dos clientes chamaram a atenção da própria Mercedes.

Logo a AMG começou a participar do Campeonato Alemão de Turismo (DTM). Os resultados foram tão bons que a Mercedes convidou a AMG para desenvolver um projeto conjunto. O resultado desse acordo apareceu em 1987: foi lançado o Mercedes C 36 AMG, versão esportiva do Classe C, que fez muito sucesso na época. A parceria foi tão positiva que, em 1999, a Mercedes resolveu comprar a AMG. Para completar, em 2002 a AMG ganhou seu próprio centro de desenvolvimento e linha de produção, com um novo showroom. Hoje a AMG transformou-se em um braço da Mercedes que produz carros especiais para clientes interessados em supercarros com a garantia da marca. Mas tudo com desenvolvimento e know-how próprios.

Atualmente, a AMG também desenvolve e produz seus próprios motores, além de modificar transmissões, suspensões, freios e direção, adequando-os aos novos motores. Uma pequena fábrica de supercarros com uma tremenda engenharia por trás. São cerca de 750 funcionários, a maioria deles especializados. Os designs alterados com relação ao modelo original em rodas, painéis, perfis de carrocerias e apêndices aerodinâmicos são também obra da AMG, tudo criado em seus estúdios. Um mundo mágico que transforma pacatos Mercedes em verdadeiras feras.

O carro vermelho foi o primeiro AMG: o 300 SEL 6.8, de 1967. Acima, o C 36 AMG, primeiro carro feito em colaboração entre as marcas. E, abaixo, o motor com a placa identificativa, assinada pelo engenheiro que acompanhou toda a produção (à direita)

Na rival BMW, os esportivos são criados pela MPower, nascida em 1972

DE FÁBRICA

Ao contrário do que ocorreu na Mercedes, a divisão M da BMW já nasceu dentro da marca, em 1972, como um departamento responsável pelo desenvolvimento das BMW que participavam de competições nos anos 60 e 70. Na montadora, o tal departamento já era conhecido como divisão Motorsport. Quando o volume de trabalho aumentou, a marca resolveu fundar a BMW M GmbH. O departamento Motorsport transformou-se em M, uma empresa autônoma dentro do grupo, que inicialmente possuía só oito funcionários. Seu primeiro projeto foi a criação da BMW 3.0 CSL. Foram produzidos 1.265 “pesos leves” entre 1972 e 1975. Em 1973, o CSL mostrou seu potencial vencendo as 24 horas de Nurburgring. A BMW M já mostrava a que veio.

Apesar de ter preparado versões de rua no início dos anos 70, o primeiro BMW M foi o M1, um superesportivo com chassi tubular baseado em um protótipo de 1972 concebido pelo francês Paul Bracq e com retoques do mago do design italiano Giorgeto Giugiaro. Pensado inicialmente para corridas, criaram o M1 para o campeonato alemão de protótipos. Como o desenvolvimento foi lento, um acerto entre Bernie Ecclestone e Max Mosley colocou o M1 nas preliminares da Fórmula 1 como Procar Series e foi preciso produzir os M1 de rua para permitir sua homologação. Foram produzidas 450 unidades com motor de 277 cv. Em 1979, a M começou a vender o M535i, versão alta performance da Série 5: o sedã tinha freios maiores, bancos esportivos e o mesmo motor da M1. Concebido e desenvolvido pela M, deu a Nelson Piquet o campeonato mundial de 1983. Vencer o mundial de F1 foi a consagração da BMW M. Todo o know-how que a BMW adquire nas pistas passa para seus carros de rua. É assim até hoje.

Acima, o BMW M1, primeiro modelo com a marca M, com design de Giugiaro. À esquerda dele, o M3 de corrida e sua versão de rua, nos modelos 2005. À esquerda, um mecânico monta o motor na fábrica da BMW M e, abaixo, o resultado final