Confira a avaliação do novo Volvo XC90

É um dia frio, mas as casinhas coloridas de madeira alegram as colinas cobertas de névoa. Estou nas serras do Vale Europeu, Santa Catarina, ao volante do novo XC90. É o mais perto da Suécia que dá pra chegar sem pegar um avião. A escolha do local do test-drive tem dois motivos: mostrar como esse Volvo é bom em curvas e reforçar que, apesar de adquirida pela chinesa Geely, a marca segue fiel às suas raízes suecas. “Daqui a quatro anos esse XC90 será o modelo mais antigo do showroom. Ele definirá como serão todos nossos outros carros”, explica Luis Rezende, CEO da Volvo Cars Brasil.

É uma grande responsabilidade, e o XC90 não decepcionou: vai dar trabalho para BMW X5, Audi Q7, Mercedes ML/GL, Range Rover Sport & cia. São duas versões com sete lugares: a Momentum (R$ 319.000) já tem rodas aro 19, ar de quatro zonas, faróis full-LED com luz alta automática (faz “sombras” para não ofuscar os outros motoristas) e incríveis sistemas anti-atropelamento, anticolisão, de estacionamento automático e até de direção semi-autônoma (até 50 km/h, em congestionamentos, acelera, freia e faz curvas sozinho).

A Inscription (R$ 363.000) ainda tem rodas 20”, câmeras 360o, bancos ventilados, head-up display e som Bowers&Wilkins com 19 alto-falantes e subwoofer que reverbera na carroceria – além de suspensões a ar com altura e rigidez ajustáveis. Em ambas, o acabamento é caprichado e os bancos, embora finos, têm comprimento do assento regulável, com muito conforto. A central multimídia é como um tablet no painel. Completíssima, mas podia ter mais botões em vez de ser controlada só por toques na tela ou pelas teclas no volante.

Nas serras, o XC90 se mostrou mais carro do que SUV. Mérito da nova plataforma SPA, modular, com suspensões double wishbone na dianteira e multilink na traseira. Há controle de chassi e, no modo Dynamic da versão Inscription, a carroceria abaixa e os amortecedores ficam mais rígidos – e assim encararmos as curvas da Serra do Rio do Rastro sem sustos e com raras atuações do ESP, mesmo abusando da velocidade (na Momentum, o acerto é mais macio, mas ainda eficiente). Colabora para a dinâmica a tração integral, que normalmente manda 95% do torque para o eixo dianteiro, mas pode enviar até 50% para o traseiro.

O motor também é novo e agora tem apenas 4 cilindros. Apesar de ser um 2.0, conta com dupla sobrealimentação – compressor volumétrico e turbo – para chegar a 320 cv e oferecer sempre torque de sobra (40,8 kgfm). Ajudado pelo ótimo câmbio automático de oito marchas, apesar de suas duas toneladas, o XC90 atinge 100 km/h em 6,5 segundos (!) e não fica devendo fôlego nem nas subidas de serra (só senti falta de borboletas no volante para uma condução ainda mais esportiva). Já o consumo é melhor que o do velho 6 cilindros, mas ainda muito elevado. É um dos poucos pontos que separam o XC90 da perfeição.

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Ficha técnica:

Volvo XC90 Inscription

Preço básico: R$ 319.000
Motor: 4 cilindros em linha, 16V, duplo comando variável, turbo e compressor volumétrico, start-stop
Cilindrada: 1969 cm3
Combustível: gasolina
Potência: 320 cv a 5.700 rpm
Torque: 40,8 kgfm de 2.200 a 5.400 rpm
Câmbio: automático sequencial, oito marchas
Tração: integral
Direção: elétrica
Dimensões: 4,950 m (c), 1,923 m (l), 1,776 m (a)
Entre-eixos: 2,984 m
Pneus: 275/45 R20 (Momentum: 235/55 R19)
Porta-malas: 368/692/1.868 litros (7/5/2 passageiros)
Tanque: 71 litros
Peso: 2.125 kg
0-100 km/h: 6s5
Vel. máxima: 230 km/h
Consumo cidade: 7,0 km/l
Consumo estrada: 9,2 km/l
Emissão de CO2: 175 g/km
Nota do Inmetro: D*
Classificação na categoria: E (Utilitário Esportivo Grande) * estimada

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