Conflito familiar

Roberto Assunção

Que tal desembolsar R$ 8 mil a menos do que na versão de entrada do Agile, que custa R$ 39.690, e levar para casa um novíssimo Onix LT? Você terá que abrir mão do bom motor 1.4 e andar com um modelo 1.0 menos potente, é verdade; mas lembre-se que, além de poupar seu dinheiro, levará para casa um carro com projeto bem mais moderno e uma ótima lista de equipamentos de série. O hatch produzido em Gravataí dá continuidade ao processo de renovação da linha Chevrolet. No mercado, encara os novos Hyundai HB20 e Toyota Etios, e também os veteranos Volkswagen Gol, Fiat Palio, Renault Sandero e o Nissan March. Logo em novembro, seu primeiro mês de vendas, o modelo conquistou bons resultados, com mais de sete mil unidades emplacadas, segundo a Fenabrave.

Montado sobre a mesma plataforma GSV (Global Small Car) do Cobalt e do Spin – o Agile usa a base do primeiro Corsa (1994) modificada –, o Onix tem um desenho mais harmonioso e proporcional às suas dimensões, diferentemente desses outros Chevrolet. No entanto, é inegável que a traseira remete ao VW Gol de quinta geração. Para car com a “cara do dono”, a marca preparou três kits de personalização (24 horas, Race e Joy). Ao todo, são 110 tipos de acessórios, dos quais 81 são exclusivos do modelo.

O frescor de novidade também aparece ao abrir a porta. O interior é arrojado e os acabamentos têm qualidade. Sem dúvida, um dos melhores habitáculos da GM dos últimos tempos. A posição de dirigir é alta e o painel de instrumentos inspirado nas motos tem leitura rápida e descomplicada. Já o sistema MyLink (opcional nesta versão e de série no topo de linha LTZ) tem tela de sete polegadas sensível ao toque e é muito intuitivo de usar. Além disso, reproduz fotos, vídeos, aplicativos de smartphones e faz ligações. O único pênalti fica pela posição baixa dos puxadores das portas. A tampa do porta-luvas abre para cima e, assim, não esbarra na perna do carona. Quem viaja atrás encontra mais espaço para as pernas que no VW Gol, e o porta-malas tem bons 280 litros, perdendo por pouco para o do rival Hyundai HB20 (com 300 litros).

Sob o capô, o motor 1.0 (também disponível no LS) pertence à nova família SPE/4 (Smart Performance Economy 4 Cylinders), desenvolvida no Brasil, que substituiu os blocos Econo. Flex e VHCE. De acordo com a marca, houve uma redução no atrito dos componentes e, entre as melhorias, a unidade ganhou novos coletores de admissão e corpo de borboletas. O cárter é feito de alumínio para reduzir o peso: comparado aos antecessores, é dois quilos mais leve. Para completar, trabalha de forma mais silenciosa e sem transmitir vibrações. A transmissão manual de cinco marchas tem engates suaves e precisos. O desempenho condiz com sua proposta (com 80 cv, é mais potente que o novo Gol com motor 1.0 TEC, de até 76 cv). Em determinadas situações, como em subidas muito íngremes ou em ultrapassagens, no entanto, percebe-se uma certa falta de fôlego.

Já na dinâmica, ponto positivo para o conjunto de suspensões, que absorve bem as imperfeições do piso sem comprometer o conforto dos ocupantes e, de quebra, assegura boa estabilidade ao hatch. Para fechar o bom pacote, o Onix oferece garantia de três anos. De fato, ficou pequeno para o Agile.

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