Confronto japonês

O novo Fit (ou New Fit, como prefere a Honda) ficou caro demais. Nesta versão top de linha, a EXL, custa R$ 66 mil: um valor absurdamente alto para um monovolume pouco maior que Palio ou Corsa e que vem equipado com um motor 1.5 com boa potência, mas sem muito torque.

1. HONDA NEW FIT EXL R$ 66.000


2. NISSAN TIIDA SL R$ 62.590

Os antigos rivais Meriva e Idea, mesmo com motor 1.8, não chegam nem perto deste valor. Seus novos concorrentes, considerando o valor, são os hatches médios: 307, Stilo, Vectra GT-X, Golf, Focus… e até sedãs médios como o Civic, da mesma marca. Na edição de outubro passado, você viu um comparativo com alguns destes hatches, disponível em nosso site (www.motorshow.com.br).

Para este confronto, escolhemos o Nissan Tiida SL, o top de linha (R$ 62.590): além de preço e origem japonesa (e as qualidades associadas aos carros deste país), os dois têm mais características em comum: câmbio automático, direção elétrica, prioridade para o espaço interno, modularidade interior e a mesma largura. E os preços são quase alinhados: o Tiida começa em R$ 51.190 e o Fit em R$ 49.580, com ampla vantagem para o Nissan em itens de série e potência (1.8 de 124 cv contra 1.4 de 101 cv).

Mas é nas diferenças que se decide a compra. Apesar de apenas 1 cm mais alto que o Honda, o Tiida é 30 cm mais comprido e tem 10 cm de vantagem na distância entreeixos, o que resulta em maior espaço interno. Quem viaja no banco traseiro que o diga: tem mais espaço para os joelhos, principalmente quando o banco traseiro deslizante (nesta versão top, SL) é colocado para trás. Neste caso, a capacidade do portamalas se reduz a parcos 289 litros, contra os bons 384 litros do Fit, mas os passageiros que viajam atrás agradecem. Em compensação, espremendo um pouco estes mesmos passageiros o Tiida carrega 463 litros (e incríveis 2.056 litros com os bancos rebatidos).

Em termos de modularidade, para compensar o banco deslizante do Tiida, o Fit tem bancos traseiros que podem ter o assento levantado em direção ao encosto (como as poltronas do cinema), o que é útil para levar objetos altos, como um vaso com plantas, por exemplo. Ambos têm bancos traseiros reclináveis e bipartidos, mas só o Fit deixa o assoalho plano quando os bancos são rebatidos. Neste quesito temos, portanto, ligeira vantagem para o Fit.

Chega a hora de acelerar, e aí o Tiida deixa o Fit comendo poeira. Apesar do 1.6 16V de 124 cv do Tiida não ter uma vantagem tão grande na potência em relação ao Fit 1.5, também 16V, com 116 cv, é o torque do motor maior que define a diferença de desempenho: são 17,5 kgfm no Nissan contra 14,8 kgfm no rival, atingidos a 4.800 rpm nos dois casos.

Apesar de a Honda não divulgar os dados de desempenho, basta uma volta para perceber a vantagem do Tiida. Enquanto o primeiro fraqueja nas subidas, principalmente em segunda marcha e baixas rotações (quando nem mesmo no modo manual as borboletas no volante desta versão top permitem reduzir para primeira), o Tiida tem respostas sempre rápidas e eficientes. A única desvantagem é que ele não roda com álcool, mas isso vai acabar nos próximos meses, quando receberá o motor flex.

Embora o câmbio do Fit seja mais sofisticado (trata- se do mesmo cinco marchas do Civic), com opção de trocas seqüenciais e borboletas no volante – contra um tradicional quatro marchas no Tiida –, ambos têm trocas suaves. Para uma pilotagem mais esportiva, o câmbio do Honda é mais divertido, mas de nada adianta, porque lhe falta motor.

A suspensão da Nissan também é superior. Apesar de construtivamente semelhantes, com McPherson na dianteira e barra de torção na traseira, o Tiida tem subchassi na dianteira, o que o faz filtrar melhor as irregularidades do solo. Ambos têm uma “tocada” esportiva, mas o Nissan oferece mais conforto.

E a superioridade do Nissan continua no acabamento interno, onde tem materiais superiores e mais sofisticação, apesar de perder em itens de série: não oferece piloto automático, regulagem do som no volante nem computador de bordo, mas compensa com teto-solar e se equivale em muitos outros itens (veja tabela de equipamentos). O isolamento acústico do Tiida também é melhor – enquanto o motor do Fit “grita” quando solicitado, principalmente nas reduzidas mais fortes, o Nissan consegue preservar mais o silêncio dentro da cabine.

Conclusão: se o Honda Fit levava vantagem quando comparado com seus antigos rivais em preço, agora mais caro e confrontado com modelos mais modernos e sofisticados, ele mostra que pode, sim, ser vencido. E pode ser vencido por vários oponentes. Muitos hatches médios levariam vantagem sobre ele, a exemplo deste Tiida. Porque, afinal, é preciso lembrar a Honda: o Fit não é um hatch médio – e não deveria ter o mesmo preço deles.

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