Coração Valente

Roberto Assunção

O s norte-americanos, fãs de “V-oitões” e inventores dos muscle-cars, usam há décadas uma única frase para explicar sua paixão pelos motores enormes e gastões: “there is no replacement for displacement”. Em bom português, isso seria “não há substituto para o deslocamento”. Ou seja, quanto maior o deslocamento volumétrico de um motor, melhor seu rendimento – e ponto-final. No Brasil, para manter a semelhança fonética, a frase foi substituída por outra, menos charmosa e criativa, porém de significado parecido: “cilindrada é cilindrada”. Por anos a fio, foi esse o discurso. No entanto, esse Mercedes C 180 Turbo Coupé chega para provar que a conversa nunca está encerrada. O carro acaba de ter seu motor 1.8 substituído por um 1.6 mais eficiente. Claro que muitos vão dizer que isso só foi possível graças à adoção do turbo, e que esse recurso traz prejuízos. É verdade. Mas, considerando prós e contras, no cômputo final, os donos desse Mercedes com motor menor serão mais felizes com seus carros.

A unidade de menor capacidade cúbica é mais leve, gasta menos combustível e tem exatamente a mesma potência da anterior, mas obtida em uma rotação mais alta. São 156 cv a 5.300 rpm (antes o pico chegava aos 5.000 giros). O torque, que também se manteve, pelo contrário, agora aparece em uma faixa mais baixa: segue estável de 1.250 a 4.000 rpm. O câmbio automatizado de dupla embreagem que acompanha esse motor nos Classe A e B não foi utilizado aqui por limitações mecânicas. A transmissão 7G- Tronic Plus, no entanto, é mais do que adequada, com trocas rápidas e precisas. Um conjunto acertado que garante disponibilidade de força, sem rispidez ou turbo lag evidente. Os números de desempenho, no entanto, não são de esportivo: o zero a 100 km/h é vencido em 8,5 segundos (o modelo anterior, mais pesado, levava 8,9 segundos) e a máxima é de 223 km/h.

Apesar da cara invocada, esse modelo tem a tocada de um bom sedã médio – mas com os problemas de um cupê: dificuldade de acesso, interior apertado e banco traseiro só para dois. É o preço a pagar para ser diferente em um trânsito lotado de três volumes caretas. Para quem não se importa, melhor ficar com o sedã que tem o mesmo conjunto mecânico e custa menos. De qualquer forma, a lista de itens do cupê é completa, com ar digital, piloto automático, sensor de chuva, quatro airbags, teto-solar, monitor de pressão dos pneus, start-stop e tudo o que se espera de um carro de R$133.500 mil. Ou quase: um sensor de estacionamento seria muito bem-vindo!

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