Corrida maluca

O maior desafio da indústria automotiva hoje é desenvolver veículos com boa performance e que poluam e consumam o mínimo possível. Desde a formação básica, um profissional que almeja desenvolver automóveis precisa se focar na criatividade e na implantação de novas tecnologias que cumpram este papel.

A já tradicional Maratona Universitária da Eficiência Energética nada mais é do que um incentivo para os alunos colocarem em prática o que aprendem em seus cursos. Apesar do visual parecido com o de foguetes e veículos de alta performance, o objetivo de cada carro é rodar a maior distância possível com a menor quantidade de combustível.

Este ano, a competição realizada no kartódromo de Interlagos, em São Paulo, foi dividida em três categorias, conforme o combustível utilizado: gasolina, eletricidade e etanol. Esta última foi uma das grandes novidades deste ano. No total, o evento teve a participação de 16 universidades e 34 protótipos foram para a pista. Os veículos movidos a gasolina e etanol puderam fazer três tentativas com 12 voltas cada, para fazer sua média de consumo. A classificação final considera o melhor resultado de cada uma, desde que este seja obtido com uma velocidade média mínima de 24 km/h. Já os bólidos elétricos recebem uma bateria padrão de 12 volts em cada uma das três saídas. Vence o que completar mais voltas, com uma velocidade média mínima de 15 km/h. Em caso de empate, ganha quem conseguir a maior distância total percorrida. Aliás, todos os veículos são equipados com um GPS para medir a distância exata percorrida. Com o equipamento, a margem de erro é de só um metro. Para favorecer a eficiência do modelo a palavra de ordem é leveza. Por isso, a maior parte dos carros é pilotada por mulheres. Afinal, o regulamento prevê que o piloto deve ter peso mínimo de 50 kg.

Acima, os carros vencedores: UFSM (gás), Anhembi Morumbi (etanol) e Mauá (elétrico).

Este ano, a melhor marca da categoria gasolina foi alcançado pela universidade Federal de Santa Maria, com média de 284,2 km/l, seguida da Universidade Anhembi Morumbi, com 210,4 km/l. Já na categoria etanol as posições se inverteram e a Anhembi Morumbi levou a melhor, fazendo 140 km/l, enquanto a Federal de Santa Maria ficou com a segunda colocação, com 135 km/l. O segredo para tanta economia está principalmente no peso dos componentes, na aerodinâmica e no motor, entre outros fatores. Para alcançar tais médias, as duas universidades investiram na eficiência dos motores. As duas universidades utilizaram propulsores pequenos, de aproximadamente 1,5 cv, com injeção eletrônica.

Entre os elétricos, quem levou a melhor foram os alunos do Instituto Mauá, que conseguiram percorrer 14,5 km com a menor bateria de moto do País (12 volts e 4Ah). De acordo com João Victor Porto, estudante do quarto ano de engenharia mecânica da Mauá, o bólido tem carenagem de fibra de carbono desenhado por alunos de design de produto. “É uma excelente competição, porque temos a oportunidade de testar nossos conhecimentos e lidar com situações reais da nossa futura profissão”, diz o estudante.

Acima , as pilotos prontas para entrar na pista, algumas com lastros

Foi pensando nisso que o idealizador da maratona, Alberto Andriolo trouxe a competição para o Brasil. “Eu tinha visto no Exterior e achei que nossos estudantes também mereciam tal incentivo”, diz. O evento teve sua primeira edição em 2004, na pista de testes da GM em Indaiatuba (SP). No traçado de Interlagos desde 2006, o melhor resultado na competição foi da Unicamp (em 2007), com 367 km/l (gasolina).

Este ano, com o patrocínio da Fiat, os dois primeiros colocados de cada categoria foram premiados com o novo Uno. As terceiras colocadas receberam motores da Fiat Powertrain Technology. Ao todo, foram seis veículos e três motores distribuídos para que as universidades os utilizem em estudos.

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