O lançamento do novo Corvette C7 Stingray foi a grande novidade do Salão de Detroit 2013, em janeiro deste ano. O mito da Chevrolet voltou com o sobrenome Stingray, que definia os melhores e os mais famosos Corvette dos anos 1960. A grande notícia que MOTOR SHOW divulga em primeira mão na mídia impressa é que teremos esse verdadeiro sonho no mercado brasileiro a partir de janeiro de 2015, quando a General Motors passará a importar o modelo oficialmente.

O Corvette Stingray será apresentado ao público brasileiro no próximo Salão de São Paulo, em outubro de 2014, quando serão feitas as encomendas. Seu preço final dependerá do valor do dólar na época do início das importações, mas, se fosse hoje, estaria estimado entre R$ 360.000 e R$ 400.000. Uma “pechincha” se considerarmos o preço dos superesportivos em nosso mercado, que vai de quase R$ 600.000 no Porsche 911 Carrera e a estratosféricos R$ 2 milhões em um Lamborghini. Hoje, com os recursos tecnológicos construtivos dessa nova geração do Corvette – que começou a ser vendida nos Estados Unidos no segundo semestre de 2013 –, o C7 não deve nada a seus concorrentes europeus, que são bem mais caros.

Devemos considerar também que, por trás desse verdadeiro mito americano, haverá todo o suporte técnico e comercial da General Motors, fato que certamente dará muita confiança e segurança para quem o comprar. O consumidor sabe que terá garantia no fornecimento de peças e assistência técnica de uma multinacional que tem um nome a zelar no mercado brasileiro. Isso se refletirá na rapidez e no valor da revenda e também na garantia futura até mesmo de quem comprar o Corvette usado no futuro.

A decisão de importação do Corvette para o mercado nacional vem se arrastando por muitos anos. Já no início dos anos 2000 tínhamos alguns Corvette sendo testados com a gasolina brasileira e adaptados ao clima tropical, com a clara intenção de desembarcar por aqui. Mas foi uma época em que o dinheiro estava curto e o investimento para compra de peças de reposição, treinamento de equipes e a falta de certeza de que o carro seria bem recebido no mercado nacional (era uma época de transição no setor) fizeram com que a diretoria da GM adiasse a importação de seu mito.

Mas tudo tem seu tempo. A decisão agora é mais do que certa. O sucesso nas vendas do Chevrolet Camaro comprova isso: foram vendidas mais de 4.000 unidades do final de 2010 até agora. Segundo as previsões da época de lançamento, as vendas do esportivo da Chevrolet ficariam na casa das 500 unidades por ano. Na realidade, o Camaro está sendo vendido a uma média superior a 1.300 carros por ano, um número bem acima das previsões da GM. Isso mostra a saúde desse segmento, o que animou a General Motors a planejar a importação da nova geração do mito americano a partir do final de 2014. Entramos em contato com a GM para confirmar essa importação e a resposta foi: “Não temos previsão de lançamento do Corvette para 2014.” Ok, mas essa frase não nega que o esportivo possa ser apresentado em 2014 e lançado para o público só no início de 2015. O nome e o logotipo do Corvette foram registrados recentemente pela GM no INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial).

Se antes o Corvette C6, a geração anterior, já era mundialmente considerado um superesportivo devido ao seu refino construtivo e à sua destacável performance, a nova geração C7 tem tudo para ser ainda mais reverenciada pelo mercado internacional. Agora o chassi do novo modelo é totalmente confeccionado em alumínio e magnésio e revestido de fibra de carbono. As suspensões, produzidas com duralumínio, são independentes nas quatro rodas e ligadas a essa estrutura, que é ao mesmo tempo leve e resistente à torção.

Para uma perfeita distribuição de pesos entre os eixos, que no C7 atingiram a marca ideal dos 50%, o que permite um ótimo equilíbrio do carro nas curvas e frenagens, o motor é posicionado atrás do eixo dianteiro, enquanto e o câmbio e o diferencial são colocados no eixo traseiro. Para o Brasil, o C7 será equipado com o câmbio automático de seis marchas com diferencial blocante acoplado, disponibilizando trocas sequenciais pelas borboletas atrás do volante. No pacote para o mercado brasileiro, o modelo terá enormes freios dianteiros Brembo de 340 mm e rodas de 19 polegadas na dianteira e de 20 polegadas na traseira.

O motor V8 de 6,2 litros produz saudáveis 455 cv e um generoso torque máximo de 62 kgfm. Como refino técnico, além dos comandos variáveis em cada cabeçote, o V8 tem injeção direta de combustível e um gerenciador de motor que desliga quatro cilindros sempre que o motorista dirigir em estradas planas com pouca carga no acelerador. Esse recurso poupa combustível e reduz a emissão de poluentes. Semelhante ao motor do Camaro, o bloco do Corvette destaca-se, além do seu gerenciador mais avançado, pelo sofisticado sistema de escapamento, que permite um fluxo de gases mais livre, melhorando ainda mais a sua performance.

Só para que se tenha uma ideia, esse novo motor tem uma curva de torque semelhante àquela do Corvette Z06, que disputou neste ano o Campeonato Mundial de Marcas, inclusive a etapa realizada no Brasil. Imagine então quando for apresentado para o próximo ano o Corvette Z07 para o Mundial. Certamente a Ferrari, a Aston Martin e a Porsche deverão ter muito trabalho para bater o novo Corvette nas pistas.

Se trouxer seu mitológico superesportivo, a GM dará outro tiro certeiro no coração dos rivais, pois colocará nas concessionárias Chevrolet um carro do naipe de um Corvette C7. O comprador de um Chevrolet terá orgulho de saber que seu automóvel faz parte do clã do Corvette. Ele pode não ter os R$ 400.000 que deverá custar o carro, mas certamente ficará orgulhoso em ter um modelo da marca. O Corvette vai agregar valor à Chevrolet. Alguém duvida?