Cuidado com as armadilhas na compra do carro novo

Adquiriu um automóvel sem observar o mercado? Você pode ter perdido a chance de gastar menos comprando um modelo superior

Algumas vezes, optamos pela compra de um carro e não observamos o mercado como um todo. Esse é um caminho perigoso e que pode levar o consumidor a cair em uma armadilha: pagar mais caro por um carro inferior ao que ele poderia ter comprado pelo mesmo valor ou até por um preço menor. O mercado está repleto dessas pegadinhas.

E lembre-se que, na hora da revenda desse carro, o mercado de usados vai pagar nele o preço de um carro baratinho, não se importando com os opcionais e equipamentos que você adicionou. É prejuízo na certa.

Fico imaginando um consumidor hipotético, por exemplo, que goste do Volkswagen Gol. E ele resolve ir a uma revenda Volks para adquirir um carro 0km. Mas esse consumidor é exigente. Quer levar para casa um Gol Comfortline 1.6 manual completo, que além do ar-condicionado, direção hidráulica, travas, vidros e retrovisores com comandos elétricos, traz uma central multimídia com navegador GPS, rodas de liga leve de 16 polegadas e a pintura metálica. Todos itens opcionais.

Sabe quanto custou o sonho do nosso consumidor hipotético? R$ 59.313. Ele terá um bom carro. Mas também um tremendo prejuízo na hora da revenda. Na mesma concessionária, ele poderia ter optado pelo novíssimo Polo 1.6 MSI. Com preço de tabela de R$ 59.040 em sua configuração mais completa e também com pintura metálica, ele levaria um carro com os mesmos itens do Gol, mais assistente de partida em rampas, airbags laterais, Isofix e controles eletrônicos de tração e estabilidade.

Sem contar que o Polo tem um motor 1.6 16V de 117 cv (1.6 8V de 104 cv no Gol) e um projeto que, além de mais moderno no estilo, é muito mais seguro, como comprova a nota máxima no crash-test do Latin NCAP (confira aqui). Sempre é bom lembrar que, na hora da revenda, apesar dos dois custarem o mesmo preço novos, o Gol valerá muito menos que o Polo, pois no momento da revenda será simplesmente um Gol Comfortline.

Mas esse tipo de exemplo não para somente na Volkswagen. Um outro consumidor hipotético simpatizou com as linhas e a proposta do Fiat Mobi. Mas esse consumidor, ao ver um Mobi Easy de entrada, percebe que ele é muito pobre diante de suas expectativas.

Resolvido a manter-se fiel a sua escolha, ele escolhe levar para casa um Mobi Drive GSR completo, equipado com o motor 1.0 Firefly de 72/77 cv (gasolina/etanol) e o câmbio automatizado GSR e que traz ar-condicionado, direção elétrica, travas, vidros dianteiros e retrovisores com comandos elétricos, Live On (que transforma o smartphone na tela do sistema multimídia) e rodas de liga leve. Sabe quanto custa esse Mobi? Algo ao redor dos R$52.900! O microcompacto (que é como a Fiat se refere ao modelo) acabou ficando com preço de compacto.

E vale lembrar, mais uma vez, que na hora de revender ele vai receber o preço de um carrinho.

Se esse nosso consumidor é fã da marca Fiat, na própria concessionária, ele teria melhores opções por esse preço. O recém-lançado Argo, por exemplo, pode ser adquirido na versão Drive 1.3, que traz alguns itens a menos, mas mesmo assim é bem equipada, por R$ 53.900. A sua superioridade com relação ao Mobi é tão grande que eles chegam a ser incomparáveis. Espaço interno, capacidade de porta-malas, motorização (de 101/109 cv), além de um design mais agradável e harmônico. E se esse nosso consumidor quisesse ainda economizar, poderia optar ainda pelo Argo 1.0, que tem o mesmo motor três cilindros oferecido no Mobi, por um preço na casa dos R$47 mil. Nem é preciso dizer que, se ao invés de um Mobi nosso consumidor comprasse um Argo, ele terá adquirido um carro superior sob todos os aspectos.

E os exemplos não param por aí. Teríamos muitos outros parágrafos para descrever incoerências como as descritas acima. E isso acontece mesmo em segmentos superiores do mercado. Imagine você, em uma revenda Toyota, querendo adquirir um SW4. Descobre que a versão SR V6 2.7 flex automática de sete lugares, já bem completinha, custa algo ao redor dos R$ 170 mil. Agora, para aquele consumidor que curte os trepidantes motores turbodiesel de 4 cilindros, a SW4, também automática e com sete lugares, pode ser adquirida na versão SRX por estratosféricos R$ 249.940!!! É isso mesmo, a diferença da versão flex para a turbodiesel é de estonteantes R$ 80 mil.

Em que se pese o fato de o motor turbodiesel oferecer 14 cv a mais e um torque bem superior, não se justifica a diferença absurda de preços entre elas, mesmo com a turbodiesel sendo mais equipada. No final das contas, dá para abastecer de combustível o modelo mais barato, que tem um consumo maior, por mais de uma década.

Por essa e por muitas outras é que o consumidor tem que estar atento. O mercado de carros novos hoje é imenso, e o comprador não deve se fixar em uma marca ou em um modelo. Olhe o mercado como um todo. Quando o carro preferido ficou com preço muito alto por causa dos equipamentos escolhidos, busque outros modelos que tragam esses mesmos itens.

Você descobrirá que automóveis que, aparentemente, custariam mais caro, muitas vezes acabam tendo um preço menor. E faça bons negócios!