Dirigimos o “amanhã”: veja como é rodar com um híbrido e um carro 100% elétrico

Fomos ao autódromo de Interlagos conhecer as novidades eletrificadas da Nissan: X-Trail Hybrid, Note e-Power e a nova geração do Leaf

Eletrificação é a palavra de ordem na indústria automotiva. O objetivo é reduzir o consumo dos carros para diminuir – ou até eliminar – a emissão de poluentes. E os modelos híbridos e elétricos, já relativamente popularizados nos EUA, na Europa e em algumas regiões da Ásia, estão enfim se tornando realidade no Brasil.

Uma “eletrovia” foi criada na Rodovia Dutra, vagas de shoppings e supermercados para carros elétricos começam a se espalhar… O futuro está chegando e, segundo a Nissan, em 2030 os carros movidos a eletricidade já estarão “democratizados” entre nós.

De híbridos a 100% elétricos, a Nissan vende e estuda diferentes variantes de carros eco-friendly (amigos da natureza). A convite da marca, fomos ao Autódromo de Interlagos, em São Paulo, conhecer três modelos: X-Trail Hybrid, Note e-Power e Leaf (esse já com
algumas unidades reservadas na pré-venda). Cada um deles mostra uma solução diferente para a mobilidade urbana, com vantagens e desvantagens – e diferentes sensações ao volante. Vamos lá?

X-Trail Hybrid

O SUV é um híbrido tradicional, que tem um motor a combustão combinado a um elétrico. Eles podem operar de modo independente ou em conjunto. É do tipo mais comum, chamado de “paralelo”, onde ambos tracionam as rodas (há também os “em série”, nos quais o motor elétrico move o carro e o motor a combustão carrega as baterias – e, ainda, os que têm um motor a combustão que move o eixo dianteiro e um ou mais elétricos que acionam o eixo traseiro).

No caso do X-Trail, cuja próxima geração foi confirmada para nosso mercado – não disseram quando –, o sistema combina um motor a gasolina 2.0 de 142 cv e 19,8 kgfm a um elétrico de 40 cv e 16,3 kgfm. Dirigindo de forma contida, apenas o elétrico atua, e o único barulho que se ouve é o dos pneus no asfalto. Ao pisar mais fundo, o motor a combustão liga. Graças às próprias características do motor elétrico (leia mais aqui), mesmo com exagerados 2.083 kg, o SUV arranca sem esforços.

A transmissão é continuamente variável (CVT), com simulação de marchas e opção de trocas pela alavanca. Ao frear, a energia é regenerada para auxiliar na recarga das baterias, o que dá uma sensação estranha no pedal de freio – que ora “simula” a frenagem, pois está na verdade usando o freio-motor para “gerar” energia; ora atua “de verdade”.

Note e-Power

O Note e-Power também é híbrido, mas adota o sistema em série – o motor a combustão serve apenas para alimentar um gerador, que, por sua vez, carrega o conjunto de baterias. Assim, a autonomia é bem maior e as emissões de poluentes são mínimas. Lançado em 2016 no Japão, o Note tornou-se o mais vendido por lá, desbancando o veterano Toyota Prius. Essa solução é interessante porque possibilita a eletrificação nos segmentos de entrada, por ser mais barata, além de proporcionar médias de consumo superiores a 37 km/l, segundo o fabricante. A melhor notícia é que o Kicks receberá a nova geração do sistema e-Power – e pode, com isso, revolucionar o segmento de SUVs compactos de marcas generalistas aqui no Brasil.

Além de absolutamente silencioso, o Note é incrivelmente ágil. A sensação ao volante é muito satisfatória, pois ele acelera como um carro 2.0 aspirado. São 109 cv e 25,8 kgfm de torque vindos apenas do propulsor elétrico, enquanto o motor a combustão é um 3 cilindros 1.2 a gasolina de 79 cv e 10,5 kgfm de torque – o mesmo do March europeu.

O conjunto de baterias fica debaixo do assoalho e deixa o centro de gravidade do carro mais baixo, ajudando bastante nas curvas. Ele oferece os modos de condução Eco e Smart, mas o destaque é o “Single Pedal” (um pedal). Nesse modo, a regeneração de energia é mais forte que o normal, então dá para dirigir usando quase só o pedal do acelerador – basta aliviar o pé direito para o carro perder velocidade rapidamente, gerando energia elétrica enquanto isso (o que também reduz desgastes de discos e pastilhas de freio).

Leaf

Já o Nissan Leaf é 100% elétrico. Em pré-venda por R$ 178.400 desde quando foi exibido no Salão de São Paulo, é o carro elétrico mais vendido do mundo no segmento, com quase 400 mil unidades comercializadas. Das antigas formas de pequena nave espacial, o estilo do Nissan amadureceu. As baterias de lítio, agora com 40 Kwh, podem ser carregadas em oito horas na rede doméstica ou ganhar 80% da capacidade em 30 minutos em pontos de recarga rápida.

São 149 cv de potência, mas é na verdade o torque instantâneo de 32,6 kgfm que faz o Leaf deslanchar com vigor impressionante, em uma condução com uma pitada de esportividade. Ele usa o sistema “e-pedal” e, ao retirar o pé do pedal do acelerador, o sistema atua de maneira ainda mais rigorosa que o normal. Assim, no uso urbano, ambiente ideal para carros elétricos, o uso do pedal do freio é reduzido em até 70%. Também há o modo Eco, que limita a potência para aumentar a autonomia; e outro, de “freio-motor”, dedicado a intensificar a regeneração de energia nas descidas.

O Leaf ainda traz a tecnologia V2G (Vehicle-to-Grid ou “veículo para rede”), que transforma o carro em uma fonte de energia que pode ser conectada à casa para abastecê-la – em horários de pico, onde já se começa a cobrar mais pela energia, por exemplo.