Doce sabor do vento

Mais de 40 anos atrás, a Chevrolet apresentava ao mundo o Camaro Conversível como Pace Car da 500 Milhas de Indianápolis. Era 1969. Não por acaso, em 29 de maio, justamente quando a mais respeitada corrida do automobilismo norte-americano completou 100 anos de história, novamente um Camaro era o carro oficial do evento. Um modelo 2011, renovado, moderno, porém com a mesma pintura que encheu os olhos do mundo na década de 60. Esse era o início das comemorações do aniversário da Chevrolet que, este ano, também completa um século de história. Para os jornalistas brasileiros que foram conhecer a nova versão do Camaro de perto, uma surpresa extra: antes de iniciar o teste drive, todos puderam dar voltas no lendário circuito de Indianápolis a bordo do esportivo conduzido pelo campeão Emerson Fittipaldi (leia mais na última página).

Lançado no mercado norte-americano em fevereiro deste ano, a versão sem capota do Camaro, assim como a cupê, é produzida no Canadá. A versão SS é equipada com um enorme V8 6.2 que produz 406 cv e um torque abundante, típico dos motores de grande capacidade cúbica: 56,7 kgfm. Essa força é o que garante a dirigibilidade suave nas baixas rotações e sua incrível agilidade. Seus quase dois mil quilos passam despercebidos. E olha que essa potência e torque são fruto unicamente da cilindrada já que motor não tem nenhum refinamento construtivo. São apenas duas válvulas por cilindro e um único comando de válvulas localizado no centro do bloco, exatamente igual aos inúmeros “voitões” americanos do início dos anos 60. O câmbio automático de seis marchas garante ainda mais aproveitamento da força do motor. Trafegando em velocidades moderadas, em condições estáveis, o sistema eletrônico de alimentação do motor mostra um recurso que elimina a alimentação de quatro cilindros, restringindo pela metade a performance do V8, reduzindo o consumo e as emissões.

As suspensões independentes têm uma calibragem adequada à performance do carro sem que, com isso, o conforto seja comprometido. Ele é equilibrado mesmo nas altas velocidades (leia quadro no final da reportagem). Os freios (pinças Brembo de quatro pistões na dianteira) passam uma boa sensação de segurança, mas o sistema de direção poderia ter respostas mais rápidas.

O mecanismo automático que controla a abertura e o fechamento da capota é relativamente rápido, mas sua adaptação roubou espaço do banco traseiro e do porta-malas. Toda essa parafernália e os reforços para repor parte da rigidez torcional perdida com a retirada do teto acrescentaram cerca de 100 quilos ao peso do carro. Mas a vantagem do motorzão é essa: o acréscimo não faz, na prática, diferença alguma na performance. A sensação é a de que ambos andam a mesma coisa. O Camaro Conversível automático faz de zero a 100 km/h em cinco segundos (o cupê faz em 4,8 segundos) e a máxima é limitada, em ambos, aos 250 km/h. O consumo é um pouco pior que o do cupê em função do maior peso. Segundo executivos da GM, há a possibilidade de essa versão ser comercializada aqui. Inicialmente o carro poderá ser lançado em uma edição limitada comemorativa dos 100 anos da Chevrolet. Ela testaria a reação do mercado antes de o carro ser importado. Por enquanto, são somente planos.

O motorzão não tem refinamento construtivo, mas é uma usina de força muito bem aproveitada pelo câmbio de seis marchas

Chevrolet Camaro Conversível

Motor oito cilindros em V, 6,2 litros, 16 V, aspirado

Transmissão automática sequencial, seis marchas, tração traseira

Dimensões comp.: 4,83 m – larg.: 2,08 m – alt.: 1,37 m

Entre-eixos 2,852 m

PoRta-malas 290 litros (220 litros com capota recolhida)

Pneus dianteiros: 240/45 R20 / traseiros: 275/40 R20

Peso 1.867 kg

• Gasolina

Potência 406 cv a 5.900 rpm

Torque 56,7 kgfm a 4.300 rpm

Velocidade máxima 250 km/h (limitada)

0 – 100 km/h 5 segundos

Consumo cid.: 6,7 km/l – est.: 10,8 km/l

Consumo real cid.: 5,2 km/l – est.: 7,7 km/l

Na Indy com o capeão

Pista de Indianápolis. Uma oportunidade rara. Estou a bordo de um Camaro que será conduzido por Emerson Fittipaldi. O piloto foi duas vezes campeão mundial e duas vezes vice-campeão na F-1, uma vez campeão na Fórmula Indy e vencedor por duas vezes da 500 Milhas de Indianápolis. Obviamente, Emerson se sente a vontade quando sai dos boxes do lendário circuito americano. Com a capota abaixada, o campeão avisa: “A turbulência nas velocidades acima dos 200 km/h é muito grande. Por isso, tudo que possa voar, como óculos e bonés, devem ser retirados!”. Acelera forte, com a confiança de quem conhece o traçado como a palma de sua mão. “São quatro curvas velozes com duas retas mais curtas e duas mais longas em um traçado retangular”, explica. Já estamos descendo a reta longa, atrás dos boxes e o velocímetro do Camaro marca mais de 130 mph (cerca de 210 km/h).

O campeão toca o volante com a suavidade de quem segura uma flor. Uma leve freada e contornamos a curva 3, sem movimentos bruscos no volante. Terminamos a curva a uma distância segura dos temíveis muros que circundam a pista. “Um dos segredos desta pista é estar sempre de olho nas birutas que existem na entrada de cada curva. A direção do vento indica qual deverá ser a reação do carro quando se faz a curva no limite”, recomenda. “Se na volta seguinte houver uma mudança na direção do vento, prepare-se porque o carro reagirá diferente, saindo de frente ou de traseira”, avisa. No final das retas longas, os F-Indy chegam perto dos 400 km/h, por isso, a direção do vento faz tanta diferença. Logo estamos na reta dos boxes e, na curva 1, o Camaro está a 140 mph (225 km/h). Nas saídas de curva o muro já começa ficar próximo. Na curva 3, uma pequena ondulação exige de Emerson um leve contraesterço para manter a trajetória. Fantástica a calma com que a manobra é realizada. Entrando nos boxesbrinco com o campeão: “Você já pensou em fazer isso profissionalmente? Em tentar ganhar dinheiro pilotando? Acho que você leva jeito…” Ele dá um sorriso e responde: “Estou pensando seriamente nessa possibilidade, principalmente depois desse seu comentário positivo!”

A GM apresentou a versão do Camaro Conversível, batizada de Official Pace Car, que tem pintura alusiva ao Camaro Conversível de 1969, que foi apresentado na época como pace-car das 500 Milhas daquele ano

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