Muito mais que o asfalto liso dos autódromos, o que encanta o navegador Youssef Haddad, 32 anos, é um caminho com terra e lama. No currículo, participações nos dificílimos Rally dos Sertões e Rally Dakar. “O imprevisível do off-road me atrai. É assumir riscos. É con ar não somente na planilha, mas também na intuição”, explica. Fã dos pilotos Stéphane Peterhansel e Jean-Louis Schlesser, iniciou no time da Mitsubishi desenvolvendo carros de competições, em 2001. “Foi meu primeiro emprego. Consegui a vaga devido à parceria da marca com a equipe Baja do meu curso de engenharia mecânica da USP”, diz.

 

Youssef foi das pranchetas para as corridas. Estreou oficialmente durante o Rally Cerapió (o maior da América Latina), em 2008. “Um dos navegadores não pôde ir e alguém precisava correr com o piloto Klever Kolberg. Como eu era o único com experiência em provas de regularidade, por ter me iniciado em raids, caí de para-quedas no banco da picape L200 EVO”, relembra. Essa estreia foi em grande estilo e a dupla venceu o prólogo de cinco quilômetros na etapa de Poços de Caldas (MG). Era o início de sua carreira.

 

Vieram as competições mais severas como o Rally dos Sertões – no qual foi bicampeão ao lado do piloto Guilherme Spinelli na Geral (2010 e 2011) – e o Dakar (em 2009 levou o título de melhor dupla estreante e no ano passado acumulou um vice-campeonato na categoria gasolina e um nono lugar em carros). “São provas completamente diferentes. O Dakar é de nido nos trechos de desertos, onde não existem estradas e a dupla escolhe o melhor caminho. No Sertões, as especiais são mais travadas”, pondera. “Mas seja qual for a competição, o pior piso é o de pedra. A chance de cortar os pneus é grande, então devemos andar sempre no ‘trilho’ e, com isso, perdemos velocidade”, explica.

 

Para criar essas estratégias e ser competitivo, o navegador precisa pensar rápido e agir com precisão, independentemente do nível de estresse a que a dupla está submetida. “A concentração deve ser total e a calma mantida. Para mim, o ronco do motor é um incentivo e a tensão é uma motivação. É esse sentimento que me motiva a correr”, diz.

Mas é claro que o treinamento tem parte nessa história. A dupla faz inúmeros testes, que dependem do tipo de competição que têm pela frente e do carro que vão conduzir. O Mitsubishi Lancer Racing do Sertões deste ano é o mesmo carro do Dakar, com muita tecnologia e uso de materiais nobres que aumentam a resistência. É totalmente diferente da L200 SR dos anos anteriores”, explica. Para Haddad, a modalidade do cross country brasileiro está passando por uma boa fase. “Ainda falta divulgação e patrocinadores com maior interesse. Em contrapartida, temos uma evolução dos carros, e cada novo modelo desenvolvido diminui um degrau entre eles e os carros de topo do cenário mundial”, conta. Youssef não descarta a possibilidade de sair do banco do carona e assumir o volante. “Hoje acabo treinando mais pilotagem do que navegação, Mas não pretendo mudar de posto, pelo menos enquanto não tiver certeza de ser tão competitivo quanto sou agora”, pondera.

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