Editorial: novos territórios da razão e da emoção

A chegada no Brasil do SUV Territory, fabricado pela Ford na China, acirra uma disputa que já vem sendo travada com armas poderosas pelas grandes montadoras. Embora com resultados desiguais em vendas, três fabricantes oferecem modelos da mesma categoria que já criaram públicos fiéis e marcas de prestígio. Por isso, a missão do modelo não é das mais fáceis. Ele irá competir com o líder absoluto em vendas, o Jeep Compass, e com dois rivais repletos de atributos: o VW Tiguan e o Chevrolet Equinox, que chegam do México a preços atraentes devido a um acordo tarifário. Haverá lugar para o Territory no pódio de uma categoria consolidada pelas maiores fabricantes de automóveis do mercado brasileiro?

A resposta a essa pergunta só virá com o tempo. Enquanto ela não chega, a reportagem de capa desta edição, assinada pelo editor Flávio Silveira, traz uma avaliação detalhada do que esse Ford chinês pode oferecer para seduzir o já bem servido consumidor nacional de SUVs de porte médio. Compará-lo com os adversários é a melhor maneira de revelar seus pontos fortes e fracos.

É dessa forma que a MOTOR SHOW entende estar cumprindo a missão de auxiliar você, leitor, a tomar as melhores decisões na escolha de um carro novo. E vamos combinar que a compra de um zero quilômetro na faixa de R$ 170 mil não deve ser feita por impulso, e sim baseada em uma combinação de critérios — alguns deles puramente emocionais, é verdade. Isso porque, quando se trata de automóveis, a emoção é um fator que pode superar qualquer racionalidade.

Exemplos disso não faltam nesta edição. O que dizer de uma Ferrari híbrida cuja soma de motores elétricos e a combustão chega a exagerados 1.000 cavalos? É essa a potência despejada pela SF 90, cujas impressões ao volante revelamos para você a partir de uma
viagem pelos Alpes. O superesportivo acelera de 0-100 km/h em 2s5 e de 0-200 km/h em 6s7. São recordes até para a Ferrari (pelo menos as feitas em série).

E essa máquina  italiana não está sozinha. Com 761 cavalos e capaz de sair da imobilidade para alcançar 100 km/h em 2,6 segundos, o Porsche Taycan Turbo S se mostrou o veículo de quatro portas mais rápido a rodar na pista de nossa parceira Quattroruote, em Vairano, na Itália. Carros assim são feitos para emocionar, por mais que a engenharia que empreguem seja absolutamente baseada na razão, como demonstram as explicações técnicas das reportagens sobre a SF 90 e o Taycan.

Razão e emoção emergem também de uma reportagem exclusiva que revela os motivos pelos quais a Ferrari deixou Ayrton Senna escapar. A história é contada a partir de um de seus protagonistas, Piero Fusaro, que presidiu a escuderia do Cavallino entre 1988 e 1991. Na trama aparecem lances inéditos dos bastidores da disputa entre dois dos maiores pilotos da história, o cartesiano Alain Prost, que sempre foi um modelo de racionalidade nas pistas, e o brasileiro Ayrton Senna da Silva, vencedor de 41 GPs dos 161 que disputou na F1. Senna sempre foi pura emoção. E talvez por isso ainda seja o mais amado dos ídolos do automobilismo. Relembrá-lo é reviver um pouco do que já foi a Fórmula 1 — ainda mais depois da decisão (racional ou não) de retirar a temporada.

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