Editorial: indústria automobilística tem a freada mais brusca da história

Os números da indústria automobilística costumam retratar de maneira bastante ampliada o que ocorre na atividade econômica brasileira como um todo. Em tempos de prosperidade, o setor ganha força. Quando há retração, o recuo é dramático.

Depois de um ciclo de lenta retomada nos últimos anos, 2019 foi encerrado com um total de 2,788 milhões de autoveículos vendidos, dos quais 2,666 milhões correspondem à soma de automóveis e comerciais leves. Os números são ainda distantes dos recordes históricos, quando as vendas atingiram 3,8 milhões de unidades. Mesmo assim, os resultados deram uma injeção de ânimo nas montadoras, que planejavam romper a marca de 3 milhões em 2020, uma alta de 9% sobre o ano anterior.

Com a pandemia de Covid-19 e as medidas de isolamento social adotadas em todo o mundo para tentar conter a transmissão do coronavírus, a produção e as vendas de carros sofreram uma parada inédita.

Dados divulgados na manhã de 5 de junho pela Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) projetam que o total de licenciamentos até 31 de dezembro será de 1,675 milhão de veículos – uma queda de 40% sobre a previsão inicial para este ano.

Se o número for confirmado, será a mais brusca freada da história da indústria automobilística no País. O estoque nas fábricas e concessionárias chegou ao equivalente a quatro meses de produção em abril e as exportações, em maio, somaram apenas 3 mil veículos, confirmando que o problema não se limita às fronteiras do Brasil, ainda que a baixa cotação do real frente a moedas estrangeiras possa trazer algum alento nas vendas para o mercado externo.

A certeza de que o ano será péssimo para as montadoras pode represar ou até extinguir investimentos necessários para modernizar nosso parque fabril e colocar a indústria automotiva entre as mais avançadas. Em alguns casos, a renovação de linhas inteiras poderá ser comprometida.

Só o tempo será capaz de dimensionar o tamanho do estrago. Enquanto as fábricas voltam a funcionar e as concessionárias começam a reabrir as portas, contudo, o consumidor disposto a investir em um carro zero tem chance de realizar bons negócios, contando com descontos expressivos e linhas de crédito vantajosas para financiamento.

É para ajudar você, leitor, a escolher com segurança, que a equipe da MOTOR SHOW avalia e compara os modelos à disposição no mercado. Foi o que fez o editor Flávio Silveira na principal reportagem desta edição, dedicada aos três sedãs campeões de vendas no mercado brasileiro: Toyota Corolla, Honda Civic e Chevrolet Cruze.

O teste comparativo feito por especialistas é essencial para orientar o consumidor, e por isso tem o reconhecimento da própria indústria como uma ferramenta decisiva no momento da escolha. Evidentemente há modelos que são incomparáveis, seja por não se encaixar em uma categoria específica ou por reunir atributos que os diferenciam dos demais.

Traduzir as especificidades de cada carro para você, leitor, é também algo que move nossa equipe todos os dias. Porque depois de cada freada, o que todos querem é poder acelerar.

Celso Masson, Diretor de Núcleo

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