Eis o duster!

 

O que você diria de um jipinho urbano maior que o EcoSport, com motor 1.6 de 110 cv que custasse cerca de R$ 27.000? Ficou animado? Pois esse carro existe, mas só na Europa. Trata-se do Duster, personagem central desta reportagem, um SUV romeno fabricado pela marca Dacia. Mas não perca a esperança. Nem tudo está perdido! O modelo que lhe despertou a atenção será fabricado no Brasil com a marca Renault e deverá ter preços também atraentes por aqui. Certamente, não abaixo dos R$ 40 mil, mas, ainda assim, competitivos se comparados aos de Ford EcoSport, Volkswagen Cross- Fox e do recém-lançado Citroën Aircross (avaliado nesta edição), que serão seu principais oponentes.

A versão da Renault (que pode ser conferida na última página) foi apresentada em junho, mas nosso modelo nacional não deverá ser exatamente igual. Para o Brasil, fala-se em pequenas mudanças na carroceria. Seja como for, deverá ser uma opção interessante, pois parte de uma base bem trabalhada, a plataforma B0 – a mesma de Sandero e Logan -, com soluções de economia e espaço invejáveis. Quando pensou no modelo, a Dacia fez, mais ou menos, como as avós na hora de cozinhar. Olhou a geladeira, pegou os ingredientes disponíveis (motor Renault, transmissão Nissan, painel do Sandero, suspensão do Logan…) caprichou na mistura e conseguiu uma receita deliciosa, de qualidade e, ainda assim, barata. Ou seja, independentemente da carroceria, ele resultará um projeto viável.

Por dentro, tanto o modelo Dacia avaliado quanto o Renault têm painel semelhante ao utilizado no Sandero e no novo Logan.

Isso deve se repetir por aqui: muito plástico rígido e acabamento que transmite a sensação de fragilidade e simplicidade. Não é pobre, mas espartano. Característica que, se mantida no modelo brasileiro, será uma pedra no caminho – já que os rivais têm interiores mais modernos e mais bem-acabados. Outro ponto que precisa ser revisto é a regulagem dos bancos, um tanto imprecisa, e os acionadores dos vidros elétricos – em uma posição pouco ergonômica para o motorista. Já a posição de dirigir é alta na medida certa, sem prejudicar o acesso a bordo.

 

Em espaço, o Duster dá um show – novamente mérito da plataforma B0. Privilegia a habitabilidade e acomoda bem três adultos no banco traseiro. Seu porta-malas comporta 475 litros, o que não é uma enormidade, mas dá para a bagagem de uma família. Mesmo assim, rebatendo-se os bancos, a capacidade aumenta bem e o assoalho fica quase plano, permitindo o transporte de cargas longas. Ponto positivo também para a visibilidade que permite ao motorista até dispensar o sensor de estacionamento (opcional na Europa).

 

 

No comportamento dinâmico, o Duster se mostra mais adaptado para o asfalto, principalmente na versão que deverá ser lançada aqui, com motor 1.6 16V de 110 cv e tração dianteira (na Europa, há opção 1.5 turbodiesel 4×4 ). A suspensão é mais voltada ao conforto do que à esportividade, o que é justo para sua proposta. Nas curvas, as mudanças de direção são rápidas, mas a frenagem é um tanto demorada (não há fading, mas o pedal cede um pouco sob estresse) e o nível de ruído incomoda, principalmente quando as reduções de marchas precisam ser frequentes para garantir mais agilidade nas retomadas de velocidade.

A marca deve apresentar o modelo nacional já no Salão do Automóvel de São Paulo, no final de outubro. Se os pequenos probleminhas tiverem sido consertados e a Renault conseguir oferecer um bom preço, e um pacote atraente de equipamentos, esse deverá ser mais um sucesso romeno no Brasil – ao lado de Sandero e Logan. Que venham os próximos.

 

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