Ele chegou lá

Muitos pilotos conseguem construir uma carreira invejável, mas poucos conseguem aliar tão bem o trabalho como executivo ao seu amor pelas pistas. Esse é o caso do paulista Reinaldo Varela, 56 anos, que divide sua vida entre o comando da rede de restaurantes Divino Fogão – com 135 unidades em todas as regiões do País – e o automobilismo.

Criado em uma fazenda na cidade de Mirandópolis, interior do Estado de São Paulo, começou a praticar rali a bordo de um Fiat 147 sem muito apoio dos pais, produtores rurais de café e cana-de-açúcar. Aos 28 anos, iniciou sua carreira de piloto profissional.

Atualmente, é um dos grandes nomes da categoria no Brasil e atual campeão da Copa do Mundo da FIA de Rally Cross Country. Sua última atuação foi no Dakar 2013, em janeiro, onde foi terceiro colocado na categoria T3.

Pouco antes de partir para o Chile, onde disputou a prova, Varela concedeu à MOTOR SHOW uma entrevista exclusiva nos bastidores do Mitsubishi Lancer Cup, no autódromo Velocitá, no interior de São Paulo.

Como foi sua iniciação no mundo off-road?
Fui criado na fazenda e comecei dirigindo pelas  estradas de terra. E não foi que me dei bem? Após assistir a prova do mundial, no ano seguinte, comecei a competir em provas universitárias em que largavam mais de 400 carros em uma prova de regularidade. Meu carro era um Fiat 147e, dali para a frente, não parei mais. Fui campeão paulista, brasileiro, sul-americano e mundial, alem de conquistar provas independentes como a Mit Cup.

Existe alguma prova que ainda gostaria de vencer?
Não, fui campeão em todas. Sempre me dediquei muito e meu sonho era ser campeão mundial. Mas já teve ocasiões em que um segundo decidiu um resultado. No ano passado, fui campeão do Mitsubishi Cup com apenas dois segundos de vantagem. Resultados como esse trazem uma emoção especial. Você não pode relaxar, um erro de outro competidor é importante para ganhar um campeonato.

Qual é o seu desafio atual?
Hoje meu grande desafio é me manter no topo, continuar na frente, sempre! Todos querem estar onde estou ou chegar onde cheguei.

Existe uma receita para continuar vencendo sempre?
Existe. Tenho que estar bem. Em primeiro lugar é preciso gostar do que se faz, depois é só treinar muito. Tudo o que faço é por minha família. E foi durante uma prova em 1985 que conheci minha mulher, Nani. Hoje tenho meus filhos que estão sempre comigo, às vezes até correndo. Isso tudo é ótimo. Ter uma família maravilhosa faz a diferença.

Qual o conselho de um campeão veterano para quem está começando?
É o que falo para meus filhos: comecem de baixo para ganhar base. Quando estiverem com a cabeça rme, sabendo aguentar a pressão, eles irão ver que ganhar é fácil. Desde que se dediquem e treinem. Quem está começando tem que saber que é difícil arrumar patrocínio e aguentar a pressão. .

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