Ele faz o GP Brasil acontecer

acima, Tamas com Bernie Ecclestone, que o levou para a organização do GP Brasil de f-1, circulando no Padock, no autódromo de interlagos


Para o executivo, um dos grandes momentos vividos no GP Brasil: Pelé homenageia schumacher e os dois são aplaudidos pelo público

acima, com a cantora Daniela Mercury, entre os vips da f-1 e, à direita, com Cláudia Ito, diretoraexecutiva do GP Brasil, e Gilberto Kassab, prefeito de são Paulo

Todos os anos, a F-1 desembarca no Brasil com toda sua estrutura, incluindo aparelhagem de última geração e muitos profissionais, que em sua maioria contribuem, de forma anônima, para o sucesso do evento, considerado um dos maiores atrativos turísticos do Brasil, movimentando em torno de R$ 100 milhões. Só de espectadores dentro do Autódromo de Interlagos são cerca de 80 mil.

Mesmo não sendo um circuito excepcional em termos de estrutura, o GP Brasil de F-1 está entre os três mais organizados da categoria. Quem comanda esse espetáculo é Tamas Rohonyi. Nascido na Hungria e naturalizado brasileiro, o executivo não atribui a si todo o crédito e diz que se considera apenas parte do sucesso do evento, que cresce a cada ano. “O que faz do GP Brasil uma festa bem-sucedida é o excelente traçado, o entusiasmo do público e a competência do grupo que trabalha na organização. Sou apenas um membro desse grupo”, afirma com modéstia.

Com 30 anos de experiência na organização de GPs, Tamas – que é engenheiro por formação – teve seu primeiro contato com a competição quando ainda atuava como gerente de propaganda da Goodyear, então fornecedora de pneus da F-1. Mas foi um convite do todo-poderoso Bernie Ecclestone, atual presidente da FOM (Formula One Management) e sócio majoritário dos direitos comerciais da categoria, que o levou a ingressar efetivamente na organização do evento.

Tamas Rohonyi

“É motivo de orgulho o progresso que o GP Brasil de Fórmula 1 faz, ano a ano, em termos de organização”

Depois de promover alguns GPs em Jacarepaguá, nos anos 1980, o executivo passou a organizar também o GP de Portugal, trabalho que desenvolveu durante alguns anos. Mesmo assim, uma de suas maiores realizações foi colocar a Hungria no calendário da categoria, em 1986. “Foi uma grande emoção realizar a primeira corrida internacional de um país que, até aquele momento, estava isolado do mundo por fazer parte do bloco socialista”, conta ele. “E ainda ter como vencedor da prova o grande Nelson Piquet”, completa. Tamas também destaca como um grande momento a homenagem que Pelé fez ao piloto Michael Schumacher no último GP Brasil disputado pelo alemão, antes de se aposentar. “Ver esses dois grandes ídolos, lado a lado, sendo aplaudidos por todo o público brasileiro me marcou muito”, relembra.

Mesmo com tantos momentos históricos, vivendo em um universo que conquista cada vez mais apaixonados por velocidade, Tamas coloca o trabalho acima da emoção e diz que, para ele, a Fórmula 1 antes de tudo é tratada como um grande negócio. “Um evento do porte e da importância do GP Brasil exige um tratamento rigoroso, com todos os controles financeiros e administrativos”, diz o organizador. E, pelo que parece, tudo tem dado muito certo.