31/01/2026 - 16:00
Depois de realizarmos a reportagem sobre como proceder ao trafegar por áreas alagadas ou ruas atingidas por enchente utilizando carros híbridos ou elétricos, consultamos os fabricantes e seus respectivos manuais para entender quais são as orientações nesses cenários. Vale ressaltar que algumas recomendações, ao que tudo indica, são comuns à maioria das marcas.
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Orientações comuns
Observamos que, dependendo do fabricante, a profundidade máxima recomendada para transpor áreas afetadas varia, na maior parte dos casos, entre 25 e 30 cm. Outro ponto recorrente nos manuais é a orientação de nunca atravessar uma rua com enchente caso a água atinja o piso do veículo, sob pena de, em situações extremas, o automóvel parar definitivamente. Também é consenso a recomendação sobre a velocidade, que deve ser mantida entre 5 e 10 km/h, equivalente ao ritmo de uma pessoa caminhando.

Quase como unanimidade, os manuais destacam que a primeira recomendação é sempre evitar a travessia de ruas alagadas ou áreas de enchente com o veículo. O isolamento elétrico das baterias e de seus componentes segue rígidas normas internacionais, protegendo-os contra a umidade.
Quanto tempo?
No entanto, essa vedação possui limites de tempo. Um simples contato com água pode não comprometer o funcionamento imediato de um componente elétrico ou de uma unidade de comando, mas, se a imersão for completa e durar mais de uma hora, a umidade tende a alcançar conexões, prejudicando o desempenho ou até inutilizando o sistema. Caso o habitáculo das baterias, normalmente localizado no assoalho, permaneça exposto à água por mais de uma hora, pode ocorrer contaminação da bateria, trazendo sérios riscos ao seu funcionamento.

Elétricos e híbridos vs. enchente: o que dizem as marcas?
BYD: a principal recomendação é não entrar em ruas alagadas. Caso seja inevitável, a água não deve ultrapassar as bordas das rodas, e a velocidade não deve exceder 10 km/h. Se a água atingir o assoalho, onde estão localizadas as baterias, o veículo deve passar por inspeção em uma concessionária. Nessa situação, recomenda-se desligar o ar-condicionado antes de entrar na área alagada.

GWM: não é recomendado transpor áreas alagadas cuja profundidade ultrapasse o meio das rodas. Nos veículos híbridos, há o risco de o motor a combustão aspirar água, causando calço hidráulico e inutilizando o motor. Caso o veículo permaneça estacionado em local atingido por enchente, a vedação das baterias, embora siga normas internacionais, não permite que o habitáculo fique submerso por mais de uma hora. Se for constatado que o veículo atravessou áreas acima do limite recomendado, eventuais danos poderão ser caracterizados como uso indevido, acarretando perda da garantia.

JAC: a marca orienta que não sejam transpostas áreas alagadas com mais de 20 cm de profundidade. Se for inevitável, a travessia deve ser feita em baixíssima velocidade. Caso a profundidade seja superior ao recomendado, existe sério risco de flutuabilidade, o que pode levar à perda de controle da direção. Em veículos híbridos, o cuidado deve ser ainda maior, devido ao risco de o motor aspirar água pela admissão, causando calço hidráulico irreversível. A recomendação principal é sempre evitar áreas alagadas.

GAC: a marca recomenda que o habitáculo da bateria jamais seja submerso. Não se deve transpor áreas alagadas, mas, se for inevitável, a profundidade da água não deve ultrapassar 20 cm ou o meio das rodas. Caso o veículo tenha sido exposto acidentalmente a uma enchente com profundidade superior a esse limite, não deve ser ligado. O correto é encaminhá-lo a uma assistência autorizada para verificação completa.

Leapmotor: os manuais orientam que nunca se tente transpor áreas alagadas. Há risco de flutuabilidade, o que pode resultar na perda de controle do veículo. Nos modelos híbridos, o principal risco é o motor a combustão aspirar água pela admissão, inutilizando-o definitivamente. Caso o veículo fique exposto a uma enchente, dependendo da profundidade e do tempo de contato com a umidade, deve ser levado a uma assistência autorizada para inspeção completa.

Geely: a marca não recomenda a transposição de áreas alagadas. Se for inevitável, a profundidade não deve ultrapassar 20 cm ou o meio das rodas, e a velocidade deve ser limitada a 10 km/h. Também há risco de flutuabilidade e da água atingir o assoalho e o habitáculo das baterias. Nessas condições, nunca se deve ligar o ar-condicionado. A recomendação principal continua sendo evitar áreas alagadas, sob pena de perda da garantia por uso indevido.

Volvo: a marca recomenda evitar áreas alagadas com seus veículos híbridos ou elétricos. Caso seja inevitável, a profundidade da água não deve ultrapassar 25 cm. Nos híbridos, o motor a combustão pode aspirar água e sofrer danos imediatos. Se for constatado que o veículo transitou por locais atingidos por enchente acima do limite recomendado, a marca pode se eximir da responsabilidade de garantia.

