Em busca do cliente perdido

Ilustrações: Quattroruote

Pobre Citroën. Além de sofrer brigando com a própria irmã-rival Peugeot (parte do grupo PSA), agora é sufocada pela submarca DS, outra concorrente dentro da própria casa, e da tesoura de Carlos Tavares, um CEO disposto a cortar modelos, restringindo a faixa de operação da marca – que fica sem saber que direção tomar. A isso, se somam os maus resultados de vendas no Brasil: em números absolutos, as vendas do C3, seu principal modelo no País, caíram 19,82% de seu auge, em 2008, até 2014 – em um mercado que cresceu 24,6%.


À esquerda, a primeira geração, que teve enorme sucesso no Brasil. Já a segunda, à direita, teve uma queda expressiva nas vendas

Se considerarmos a participação de mercado do C3 em seu segmento, a queda foi de 64,2%. E isso ajudou a Citroën a perder mais de 50% de participação no mercado nacional (de 2,6% em 2008 para 1,26% até o fim de junho deste ano). Não estamos dizendo que a marca está em crise de identidade e seus executivos não sabem o que fazer. Mas o cenário é complicado: se a missão da DS é recuperar o espaço premium que os franceses perderam e a vocação da Peugeot é ser uma marca generalista de classe média-alta, fica difícil entender o que define a Citroën hoje.

O C4 Cactus tenta resgatar a imagem de inovação e a originalidade do passado, o C1 aposta em um design divertido e “na moda”, o Berlingo mostra uma faceta utilitária e o C4 Picasso pretende ser versátil e familiar. É nesse contexto nebuloso que nascerá a terceira geração do C3, um dos primeiros modelos importantes da era Tavares-Jackson (dobradinha entre o CEO do grupo e Linda Jackson, diretora-geral). Embora muito longe dos volumes de vendas de sua primeira geração, o C3 é um modelo que ainda pode ter salvação e, por isso, vai escapar da tesoura de Tavares. Então como será a terceira geração do C3, que estreia ainda no ano que vem?


A inspiração para o design vem do C4 Picasso, que chega a nosso mercado até o final deste ano

Quando o C4 Cactus foi lançado, todos pensaram que aquelas superfícies diferentes e aqueles pára-choques de plástico coloridos ditariam as próximas linhas da maioria dos outros produtos futuros. Mas hoje sabemos que não vai ser assim: nos modelos maiores, como as minivans, o design vanguardista do Cactus não terá espaço – nem no novo C3. Com base nessa e em outras informações, e na ausência de fotos de carros camuflados para ajudar a esclarecer as ideias, assumimos que o próximo C3 terá uma aparência mais próxima do estilo do C4 Picasso: adeus às formas arredondadas da primeira geração, em parte “corrigidas” no modelo atual, mais cúbico, como as bordas suavizadas.

Claro que esperamos que tenha faróis divididos, único motivo constante de modelos recentes. Debaixo das aparências, o novo C3 compartilha mecânica com o Peugeot 208. Terá, portanto, maior distância entre-eixos e uma consequente – e necessária – melhor habitabilidade. Sob o capô, um novo motor 3 cilindros e os velhos 4 cilindros 1.5 e 1.6. Esperamos também que troque a antiga transmissão automática de quatro marchas por uma caixa mais atualizada. É preciso também melhorar a dirigibilidade do modelo para que ele possa ajudar a marca francesa a evitar que a queda nas vendas continue e que o hatch acabe virando um modelo sem mercado e sem personalidade.

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