Emerson Fittipaldi: a virada pela segurança na Fórmula 1

“O conteúdo do tanque pegava fogo, transformando pequenas batidas em infernos letais.”

Mais de 180 litros de combustível de alta octanagem: todo cuidado é pouco

Os heróis da Fórmula 1 dos tempos modernos usam sistemas cada vez mais modernos de segurança. Bem diferente de Caracciola fez no Mercedes-Benz W125 em Nurburgring Nordschleife, não? [tema da última coluna do Emerson Fittipaldi aqui na MOTOR SHOW] Mas, ainda assim, pilotos de F1 de correm riscos a cada volta (voltarei a isso).

O primeiro GP da história ocorreu na França, em vias públicas, nos arredores de Le Mans, em 1906. Muitos pilotos perderam a vida em carros de corrida nos primeiros 60 anos do esporte e, na década de 60, os pilotos decidiram, eles próprios, melhorar a segurança.

Em 1961, fundaram a Grand Prix Drivers’ Association (GPDA), da qual todos os pilotos de F1 devem até hoje ser membros. Os três que mais fizeram campanha pela segurança na época foram Jo Bonnier, Jochen Rindt e Jackie Stewart.

É especialmente trágico, então, Jochen ter morrido em Monza em 1970 e Jo, em Le Mans em 1972.

Jackie ainda está conosco, graças a Deus, e o considero uma das maiores figuras da história do automobilismo. Não foi apenas o rival que mais respeitei na minha carreira, mas também um amigo querido.

“O conteúdo do tanque pegava fogo, transformando pequenas batidas em infernos letais.”

Ele fez mais do que qualquer piloto para tornar as corridas mais seguras, e hoje eu sinto uma enorme dívida de gratidão a Jackie por sua imensa contribuição para o processo evolutivo que tornou nosso esporte relativamente seguro.

Quando cheguei à Europa em 1969 para correr na Fórmula Ford, depois na Fórmula 3 e, no ano seguinte, na Fórmula 1, os carros não eram mais rápidos do que o Mercedes-Benz W125 de 1937 – eram mais lentos em linha reta, e certamente menos potentes, mas freavam e viravam muito melhor. Como resultado, as velocidades de volta acabavam sendo muito mais altas.

Mas, inacreditavelmente, alguns circuitos nos quais competíamos no final dos anos 60 e início dos anos 70 eram só um pouco mais seguros do que as pistas nas quais Caracciola e seus amigos haviam dirigido 30 anos antes. Um exemplo óbvio é Nurburgring Nordschleife.

Era magnífico – e ainda é –, mas, também, uma armadilha mortal. Simplesmente não há outra palavra.

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A segurança em Montjuic, Barcelona, também era totalmente inadequada – por isso boicotei o GP de 1975 – e sempre considerei Rouen-les-Essarts emocionante e difícil, mas perigoso demais.

Uma das curvas era de paralelepípedos, acredite se quiser, e ele tinha várias curvas rápidas, porém totalmente cegas, em uma seção com árvores expostas bem ao lado do asfalto.

Na década de 70, o GPDA começou a focar mais nos carros. Um dos maiores perigos era que, em acidentes, o duto de combustível dos carros costumava quebrar.

E o conteúdo do tanque – 182 litros de gasolina de alta octanagem – pegava fogo, transformando pequenas batidas em infernos letais. Muitos pilotos morreram queimados. Estremeço só de pensar.

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